<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021</id><updated>2011-04-21T15:08:29.626-03:00</updated><title type='text'>Ensaios</title><subtitle type='html'>Ensaios, devaneios, divaga?ï¿½?ï¿½?ï¿½?ï¿½?ï¿½?ï¿½?ï¿½?ï¿½?ï¿½?ï¿½?ï¿½?ï¿½?ï¿½?ï¿½?ï¿½?ï¿½es, inj??rias</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>161</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-109078381025293828</id><published>2004-07-25T16:17:00.000-03:00</published><updated>2004-07-25T16:51:01.753-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Psicose: um caso de fragilidade egóica e idéias ambíguas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;Discuto aqui a abordagem a um paciente meu, H, entre seus 35 e 40 anos, que veio a mim para tratamento psicoterápico. Procurou o serviço por um surto psicótico que apresentou no começo do ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua estrutura psíquica a princípio me pareceu um tanto frágil. Pais rígidos e distantes, pai o açoitava, mãe pouco afetiva ; não tinha aproximação afetiva com ninguém à exceção do irmão. Este era a única pessoa em quem confiava. Desconfiava inclusive de amigos, sua esposa, de seus 3 filhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo do ano presente H começou a se sentir 'estranho'. Sentia que algo terrível iria lhe acontecer; não sabia o que. Seus pensamentos e sua estrutura paranóica ganharam em intensidade quando sofreu quatro assaltos na mesma semana. Isto pode ser lido como gerando uma fragilidade egóica que culminou com seu surto psicótico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em breves palavras, seu surto tomou lugar quando estava em um bar, pela manhã antes de ir trabalhar, e olhou para um homem. Diz H que o homem tinha olhos verdes, vestia-se bem, trajava botas. Este homem olhou fundo em seus olhos e 'transformou-se no demônio'. H saiu correndo, tentou se matar. Desde então vive assolado por um medo que não sabe distinguir de onde vem. Um sentimento intenso de morte iminente. Não sai mais de casa só, não dorme direito, acorda com pesadelos com a imagem do demônio. Extrema confusão metal que não o deixa pensar, e que&amp;nbsp;às vezes o impede inclusive de organizar frases para tentar se comunicar com seus interlocutores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levando-se em conta sua estruturação psíquica até os 20 anos e outros inúmeros dados que ele traz&amp;nbsp;à consulta, como por exemplo um clímax emocional associado a uma descarga violenta quando exigido seu papel de homem através do filho adolescente, podemos conceber a psicose de H como uma resposta à homossexualidade, à exemplo do Schreber de Freud. Esta idéia conflitante, gerada talvez de uma aproximação demasiada com sua mãe que fez com que se sentisse misturado à ela, misturado á feminilidade, teve seu ápice no encontro com&amp;nbsp;a atraente e misteriosa figura do bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A consulta com H é pesada, desconexa. Fala pouco e apenas quando perguntado, olha desconfiado e com medo, sobrancelhas contraídas, boca trêmula, um pedido de ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As primeiras sessões foram difíceis; muita concretude em seu discurso, poucas brechas a serem exploradas. Entretanto acredito que, na última semana quando o vi, em uma re-encenação do momento exato de seu surto, H pareceu ceder um pouco e alçar essa idéia conflitante&amp;nbsp;que gerou esse desmonte em seu ego; começou a falar um pouco mais deste peculiar momento em que houve a troca de olhares no bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que aos poucos, com esse movimento de trazer de volta aquele momento, ele consiga trazer, lentamente, à consciência a idéia (de suspeita de homossexualidade) que sua estrutura jogou para fora e fez retornar em um ataque esquizo-paranóide.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-109078381025293828?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/109078381025293828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/109078381025293828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_07_25_archive.html#109078381025293828' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108907627660275377</id><published>2004-07-05T21:27:00.000-03:00</published><updated>2004-07-05T22:11:16.603-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://gladstone.uoregon.edu/~dlarson2/aad252/gender.png" width=150&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;As difíceis resistências&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Acredito que a psico-análise de casos onde haja uma intensa resistência, se contrapondo ao próprio movimento terapêutico analítico, é difícil às vezes pelo fato do terapeuta não saber o quanto pode ou não avançar nas interpretações, no oferecimento de uma lógica dos sintomas que levem o paciente a tornar consciente o que deseja ficar no inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não obstante, a medida do quanto se pode ou não avançar na análise, penso eu poder ser feita por sinais sutis que o paciente apresenta no encontro terapêutico. Evidentemente também no que ele traz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso ver em alguns casos que atendo que, conforme o grau de profundidade que transponho, de acordo com o gradiente consciência/inconsciência que o paciente é capaz de sustentar, as respostas são variadas. Em determinadas consultas, nas quais avanço um pouco mais, o paciente percebe um desconforto na semana seguinte. Uma angústia, uma força interior que ele não sabe caracterizar. Algo que lhe aflora como desagradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais fundo se toca na ferida, maiores são as liberações emocionais. É um movimento estranho e traiçoeiro pois, deve-se ganhar a confiança do paciente, fazê-lo vincular com o terapeuta, e talvez até oferecer um conforto superficial, algo como um reforço egóico de superfície. Feito isso, quando o laço já é forte, luta-se contra a própria estrutura psíquica do indivíduo. Um movimento contra-corrente de superar, quebrar aos poucos e lentamente as barreiras da resistência. Vincula-se para depois se lutar contra, trazer à tona (consciência) o que ele (inconsciente) não quer que seja trazido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atendo um outro homem cujo papel masculino se viu fragilizado em determinado ponto da vida (o que tem se tornado comum). Teve um pai ostensivo, rígido e severo, como o caso do policial. Nas últimas vezes tenho avançado um pouco com a análise, aproximando ele desse fato, de sua educação paterna frágil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comicamente hoje ele trouxe o seguinte sonho durante a sessão; sonhou que seu pai havia morrido, e que uma pessoa viera lhe dar a notícia. Ele não via o rosto da pessoa, mas disse a ela que não estava preparado para ouvir o fato. Ele acordou angustiado, e de fato ligou para o pai logo em seguida, perguntando se estava tudo bem com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avançamos na interpretação deste sonho, e pude chegar a conclusão de que estávamos tocando exatamente nessas questões paternas. Sugeri a ele, indiretamente, que talvez ele não estivesse preparado para desvincular do pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que, na realidade, é rancor guardado pelo pai que ele transpõe para todos os setores de sua vida onde haja algo de masculino. Tudo o que se refira mais cruamente ao masculino recebe sua raiva, seu ódio. Desejo este realizado durante o sonho, de matar o pai; pelas surras que recebeu durante a infância? Pela sua ausência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tivesse que arriscar, falaria que a pessoa oculta que traz essa informação desagradável sou eu, que faço o papel desse contrafluxo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108907627660275377?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108907627660275377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108907627660275377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_07_04_archive.html#108907627660275377' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108810289863447625</id><published>2004-06-24T15:14:00.000-03:00</published><updated>2004-06-24T15:51:43.523-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.grupopspplugins.hpg.ig.com.br/solidao.jpg"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O jogo de imagens - solidão coletiva&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já diziam alguns autores que no início do século passado, quando surgiu a psicanálise, os grandes problemas eram as neuroses, decorrentes de uma sociedade interditora, cheia de regras, castradora. Não permitiam isso e aquilo, e havia um grande entrave à realização dos desejos humanos, gerando a uma neurose coletiva. Freud iniciou sua clínica tratando por exemplo de casos de histeria, mulheres interditadas sexualmente com relação aos seus desejos sexuais, que extravasavam ele através da histeria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto a sociedade mudou, e muito, nestes últimos 100 anos. O capitalismo cresceu, passou a ganhar o adjetivo de selvagem, e penetrou na vida e na personalidade das pessoas. A competição virou o primeiro objetivo pessoal, assim como a aquisição de bens materiais caríssimos e status social elevado, como meio de diferenciação entre indivíduos. Se antigamente havia uma constante sede por conhecimento, que fazia a diferença entre uma pessoa e outra, gerando Dali, Freud, Nietzsche, Einstein, hoje há um emburrecimento generalizado incrustado na materialidade como forma de diferenciação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplificando, pode-se imaginar que no começo do século XX os objetivos do indivíduo para ser reconhecido era escrever ou pintar uma grande obra, descobrir um grande invento, revolucionar o pensamento atual, contribuir para a cultura e para o caminhar da humanidade. Hoje em dia, fato que critico e que já coloquei diversas vezes neste espaço, os objetivos são materialistas, são o esmagamento do próximo socialmente através da comparação material. Nascemos pensando em ganhar dinheiro, escolhemos nossa carreira pensando em ganhar dinheiro, até casamos pensando em ganhar dinheiro. Dinheiro hoje em dia é status, é poder de aquisição, é diferenciação individual, é subjugação do próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observa-se então, galgado nessa estrutura de moldagem do indivíduo desde sua criação como criança, uma busca pelas imagens. Um desfile de carros, de roupas, de artigos de luxo cada vez maior que conseguem fazer a diferença entre um indivíduo X, e outro, inferior, Y. É evidente que seria estupidez afirmar que esse tipo de jogo imagético não existia no começo do século XX, mas digamos que ele ainda estava em segundo plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O constante bombardeio pela venenosa mídia que cria objetivos materiais a serem alcançados, o emburrecimento através do jogo que incita a pulsão de poder do indivíduo. Este poder, essa competição inerente a todos os animais, não se faz mais pelo pensamento, pelo desenvolvimento intelectual, mas agora pelo poder aquisitivo. Não importa o que eu faça, desde que eu esteja ganhando dinheiro. Quantos são os infelizes com o que fazem atualmente no emprego?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este jogo de imagens, como não poderia deixar de ser, incita o mais profundo narcisismo no ser. Como na fábula, ele adorava a sua própria imagem, era carregado de orgulho e de desprezo pelos outros. Talvez transportando o mito para a atualidade, Narciso estivesse feliz por estar dirigindo uma Ferrari, vestindo um terno Armani, e morando em uma área nobre da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O narcisismo imagético em alta na sociedade; agora tratemos do lado negativo, do grande mal que assola a espécie humana. Narciso não existe por si só, ele precisa do outro para se mostrar, para exibir suas imagens e seu poder. Assim, apesar de toda a sua prepotência, o indivíduo narcisista de hoje precisa sim de alguém que o ouça. Apesar de em sua carapaça mostrar que não precisa de ninguém e que é independente, que é auto-suficiente em sua arrogância, no fundo ele esconde o lado de precisar do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esse precisar do outro que está soterrado hoje em dia. Esse precisar do outro é, como Narciso pretendia, visto como uma fraqueza, como um vexame. Este lado sofredor, este lado que ouve, este lado sentimental, deu lugar à estarrecedora muralha que se interpõe entre os indivíduos no seu jogo de imagens. Em suma, o lado sentimental está esquecido em prol do lado forte e teoricamente auto-suficiente narcisista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado disso é o que podemos ver por aí. Inúmeras pessoas se dizendo solitárias, choramingando por meios pelos quais não precisam se identificar (mantendo assim a forte carapaça narcisista) como a internet, com um lado afetivo explodindo por dentro por não encontrar lugar na sociedade hoje em dia. Este lado é visto como fraco, como frágil e indesejável. A sociedade narcisista condena os 'choramingos', a sentimentalidade, a afetividade. O lema de hoje é a produção, é a força, é o poder. Não há espaço para a dor, para a angústia, para o medo, compartilhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, são criados as grandes válvulas de escape para dar conta deste lado humano que a sociedade narcisista não dá espaço. Os sangrentos filmes como "A paixão de Cristo", os espetáculos arcaicos de gladiadores nas lutas de vale-tudo pela televisão, os filmes que veiculam grande catexia de violência na televisão e cinema, as novelas que jogam com sentimentos 'tabus' como infidelidade, traição e assim por diante, enfim, meios artísticos que lidam superficialmente com os sentimentos normais humanos, infelizmente banidos na contemporaneidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A internet é outro enorme veículo de angústia, onde por exemplo, as pessoas não precisam se identificar, não precisam se mostrar e destruir suas carapaças narcísicas. Aqui as pessoas podem chorar, podem reclamar, podem colocar a dor e o sangue que correm em seus egos na tela, nos chats, nos blogs. Já vi vários comentários em blogs que mostram exatamente isso, que eles andam cada vez mais depressivos, mais angustiados. Angústia que não tem lugar na vida real. Resultado dessa enorme válvula de escape. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A título de exemplo, este &lt;a href="http://www.kioshi.org/blog/" target=main&gt;blog &lt;/a&gt;de um amigo meu, que esteve passando por um grande sofrimento no ano passado, fez enorme sucesso com inúmeros comentários de compaixão, de força, de melhora. Muitos comentários superficiais e hipócritas, visando um extravasamento da emoção interna. Não critico em absoluto esse tipo de atitude, critico sim a sociedade atual, que não dá lugar a esse tipo de sentimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108810289863447625?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108810289863447625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108810289863447625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_06_20_archive.html#108810289863447625' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108795710702178999</id><published>2004-06-22T23:02:00.000-03:00</published><updated>2004-06-22T23:34:14.643-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Abordagem a um psicótico leve&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No momento estou atendendo a um caminhoneiro, nos seus 40 anos, que tem um transtorno psicótico leve: fora desencadeado no começo do ano, começou a apresentar uma forte vivência de persecutoriedade e inclusive tentou se matar durante seu surto, que foi único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os motivos dinâmicos de seu surto não cabem serem explicados aqui, mas pode-se observar claramente os mecanismos psicóticos presentes no paciente. Uma parte não-psicótica de sua personalidade fora tocada naquele momento e gerou a crise, e desde então a paranóia, a perseguição o aterrorizam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve a projeção dessa parte não desejada pela sua consciência, e à projeção seguiu-se o ódio, a violência e a ansiedade. Essa parte sua projetada no exterior tornou-se então um perseguidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele diz ter um sentimento constante de estar sendo perseguido, de que algo de ruim vai lhe acontecer, não sabendo identificar o que. Uma sensação de medo, de angústia que não cessa. Fez com que ele tivesse medo de sair sozinho de casa, só sai acompanhado do irmão, ergueu um muro em frente à sua casa, aguarda uma morte iminente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso como deva ser a abordagem de uma parte não integrada de sua personalidade. Se o simples fato de ele ter feito essa abordagem por conta própria no decorrer de sua vida gerou esse surto psicótico, seria ele possível de, através da análise, religar esse pedaço perdido? Um pedaço tão arcaico e não integrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que será uma análise longa e lenta, com progressão muito devagar, para não gerar outro surto. Algo bem delicado.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108795710702178999?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108795710702178999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108795710702178999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_06_20_archive.html#108795710702178999' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108726966091962569</id><published>2004-06-14T23:49:00.000-03:00</published><updated>2004-06-15T00:35:13.020-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.aperfectworld.org/clipart/government/police.gif" width=150&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Da construção teórica á prática - Avanços no caso do policial&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Apenas realizando um rápido parêntesis, uso este espaço virtual como meio de organização de idéias, de simbolização de pensamentos, de construção teórica. Assim, procederei a um rápido compêndio do que meu paciente policial traz às sessões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu discurso organiza-se ao redor de três temas principais:&lt;br /&gt;- a diferença entre o policial de antes, forte, corajoso, sem medo, frio, sem muita labilidade emocional, afetivamente mais plano, que reprimia todas essas emoções; e a pessoa de hoje, que redescobriu todo esse lado afetivo, guardado sob pressão durante anos&lt;br /&gt;- a ignorância da instituição polícia acerca desse lado humano do policial (deslocamento de sentimento de seu pai, que era muito severo e pouco afetivo com ele)&lt;br /&gt;- a insegurança como homem, como pessoa, já que antes era totalmente diferente, já que não possui mais a segurança que a farda lhe dava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse âmbito hoje ele trouxe o primeiro assunto, o da diferença entre o antes e o depois, o incômodo que ele sente ao lhe parecer ter duas personalidades. Diz que essa diferença lhe ocorre hoje ainda, em situações de exigência emocional. Quando se vê exigido emocionalmente, ou tem crises de choro, ou procura isolar-se, ficar só, consigo mesmo, fechado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As construções teóricas sobre este caso já são, de longa data, algo de bem familiares, como uma pessoa com um papel masculino fragilizado, e assim por diante. Mas a transposição para o prático estava se tornando um tanto difícil. Mesmo tendo em mente algumas idéias de Winnicott, sobre o deixar de lado a angústia e a ansiedade do analista que busca com impaciência que o paciente caminhe rapidamente, achava que talvez faltasse algum empurrão a ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas um parêntesis, esta codificação masculina que se ausentara nele neste instante, desde sua crise, talvez trouxesse ele como uma criança desorientada à consulta, procurando ajuda, esperando que alguém lhe pegasse a mão para atravessar a rua. Estava estático, se colocando em uma posição por demais defensiva; como o antigo policial que fugia às demandas emocionais; esta relação pude fazer clara para ele através de algum esboço de psicodrama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloquei-o (fisicamente) na minha posição, do meu lado da mesa, sentei-me então na cadeira onde ele estava, e pedi a ele que descrevesse os dois lados que via, as duas personalidades que sentia estar cindido em sua pessoa. Pode relatar com grande emotividade a ambas as suas partes, a pessoa emotiva versus a pessoa fria, que buscava uma fuga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partindo disso pude transportar esse modelo, usando as mesmas técnicas de encenação, para a pessoa que é hoje, emotiva, e o policial, que era frio e que suprimia seus sentimentos. Tracei então um paralelo, colocando-lhe que a fuga que ele tomava como resposta a exigências emocionais, assim como fazia durante a profissão. Fuga essa que terminou eclodindo em sua crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através deste simples fragmento quero colocar a eficácia simbólica de tais métodos, como foi o da troca de papéis, o da encenação, e assim por diante. Ele já vinha apresentando um grande insight das interpretações que eu havia lhe oferecido, entretanto acho que esta última sessão produzirá um grande entendimento sobre ele mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108726966091962569?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108726966091962569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108726966091962569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_06_13_archive.html#108726966091962569' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108606282597348408</id><published>2004-06-01T00:28:00.000-03:00</published><updated>2004-06-01T01:14:07.606-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.epub.org.br/cm/gallery/gall_leonardo/raiva.jpg" width=200&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O grande esvaziamento (ou 'Manifesto Existencialista')&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Tem-se tornado cada vez mais comum o esvaziamento com relação a objetivos vitais na contemporaneidade. Cada vez mais pessoas reclamando que não sabem pra que vivem, cada vez mais uma falta de propósito, uma falta de motivação e de finalidade. Uma indagação existencialista crescente sobre o que move as pessoas, os porques da marcha inexorável em direção à velhice, à morte, o sentido de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Identifico isso como um movimento de introversão que é observado com constância cada vez maior hoje em dia. Algo que, para abreviar o presente artigo, chamarei de 'introjeção existencialista'. Esta introjeção é fato, é real, e pode ser comprovada e observada. Um mal-estar crescente, principalmente nos grande centros populacionais, onde as pessoas são submetidas cada vez mais a estressores maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As razões para essa introjeção podem ser teoretizadas das mais diversas formas, olhando-se pelos mais variados ângulos; a competitividade cada vez maior faz com que se exija mais e mais do indivíduo, submetendo-o a um estresse crescente; o isolamento social remetendo à introjeção da atenção; a super-especialização e superdivisão do trabalho, afastando-o do objetivo direto, fazendo com que o poder subliminante deste desapareça por ser por demais indireto (algo que examinei neste artigo); as exigências ao indivíduo em uma sociedade ferozmente competitiva começa cedo demais, submetendo precocemenmte a pessoa, já em sua formação, em sua individuação, ao princípio de realidade, etc. Esta última hipótese pode dar fio a um extenso desenvolvimento sobre o também crescente número de doenças psicóticas, e o conjunto de todas essas proposições descritas dão vazão também para a discussão das patologias narcísicas, mal que parece assolar com freqüência cada vez maior a sociedade. Mas não tratarei disso neste momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato inegável é que cada vez mais a desconstrução de objetivos tem sido uma constância na vida de metropolitanos desanimados com seus empregos, com seus objetivos. Não sabem mais a que trabalham, não sabem mais para qual propósito servem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que a desconstrução da finalidade vital seja gerada tanto pela introjeção, que se vê na obrigação de analisar a força motriz do indivíduo, como pela pouca adesividade e soberba artificialidade a que tem se proposto as marcas motrizes na vida de um indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamo de marcas motrizes as marcas que são impressas em nosso psiquismo, que nos alteram e conformam nossa maneira de existir, e que posteriormente conseguimos elaborar em algo produtivo, algo com resultados externos, fruto da sublimação. A drenagem de impulsos prazeirosos para a produção laborial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, creio eu serem as proposições dessas elaborações hoje em dia muito fracas. As propostas futuras hoje são chatas, são artificiais, só condizem com o materialismo consumista que o capitalismo nos força, e que só poucos desfrutam. Uma ânsia vazia por poder, por dominação, à qual nem todos se submetem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a desconstrução do desejo, do projeto futuro. Tenho observado cada vez mais esse movimento existencialista, cada vez mais gritos de socorro dizendo que a 'paixão' que havia em tudo sumiu, que hoje em dia nada mais se faz por paixão, sim por poder, por dinheiro. É difícil encontrar hoje em dia alguém que faça algo por que *realmente* goste. Hoje é mais fácil encontrar alguém reclamando da vida por que esta está vazia, por que ele não sabe a razão de estar trabalhando naquela firma chata, por que ele não sabe o que está fazendo em um emprego tão entediante, por que ele não sabe de onde vem tanta fome por dinheiro e para que tudo isso. Falta paixão, os apaixonados se foram, os amantes da profissão são cada vez mais raros hoje em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte dá cada vez mais espaço para grandes magazines, as grandes obras perdem espaço para lojas de carros, cinemas são cada vez mais comerciais, cada vez mais de acordo com o pensamento consumista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o filme 'Diários de Motociclista' tente dar um último suspiro de uma geração que vivia em função da paixão, que se movia por algo interno e natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os grandes pensamentos originam-se mais de um grande sentimento do que de uma grande inteligência" - Fiódor Dostoiévski&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Figura retirada de &lt;a href="http://www.epub.org.br/cm/gallery/gall_leonardo/main_p.html" target=main&gt;"Arte e Psicose"&lt;/a&gt;; "Fúria incontrolável")&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108606282597348408?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108606282597348408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108606282597348408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_05_30_archive.html#108606282597348408' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108526236552843676</id><published>2004-05-22T18:44:00.000-03:00</published><updated>2004-05-29T00:11:39.816-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sobre a construção de obras e a produção artística&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Depreende-se que um autor, assim como qualquer pessoa, procura 'experimentar um sentido' em sua vida, um significado, não apenas existir passivamente mas existir para um outro, existir para o mundo, sua inserção na realidade comum, na sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa tarefa de existência para o externo entra em trânsito o mundo interno e impõe-se uma forma de comunicação, de sinalização; a constituição e apresentação de uma imagem, de uma impressão, a construção de uma identidade que será percebida pelo exterior. Esta identidade irá também se imprimir nessa mesma exterioridade, criando assim o seu mundo. Deste modo, fazem parte do seu mundo, construído pela marca do eu na realidade, fazem parte do seu biográfico, suas obras que, 'mesmo sem ele, haverão de existir para outros', sendo dessa forma resultado sublime da experimentação de um sentido na vida. Assim 'o curso da vida estrutura-se pela edificação do rendimento, do mundo e da obra humanos'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo que tomando-se assim a obra como fruto da sombra de um senso de identidade na realidade comum surgem algumas vertentes, apreendendo-se da obra os fenômenos existentes,e elaborando-os psicopatologicamente: a psicopatologia do filme em identificação à aspectos próprios de seu autor, e os fenômenos psicopatológicos de experiência comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação ao segundo aspecto, é neste campo, o da ilusão e o da criação, área intermediária (Winnicott) entre o mundo interno (psíquico) e o mundo externo (realidade percebida por todos), que o autor habilmente maneja sua subjetividade e sua interioridade, de modo a  empatizarmos com a obra. Através de sua obra e do manejo dessa área temos 'prazer em perceber as superposições, as experiências comuns'; fenômenos que, por transitarem justamente na área intermediária de ilusão possibilitada através da arte, podem ser compartilhados e daí adquirirem caráter subjetivo, matiz individual, constituindo a identificação, a empatia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108526236552843676?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108526236552843676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108526236552843676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_05_16_archive.html#108526236552843676' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108525704727323116</id><published>2004-05-22T16:36:00.000-03:00</published><updated>2004-05-22T17:25:11.370-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Teóricos avanços terapêuticos no policial&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Com relação ao meu paciente policial, parece-me que ele ofereceu uma certa abertura para o que seja talvez o reconhecimento de sua condição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nossa última sessão ele contou-me que tinha outros empregos fora de sua profissão principal. Entretanto, ao contrário do que se possa pensar de início, não era nada relacionado ao uso de armas ou de sua experiência policial; não era vigilante, segurança, nada disso. Ao invés disso, gostava de ser motorista, mecânico, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incomodava o fato de ele ser reconhecido positivamente, de ter boas qualidades ou seja lá o que for, atreladas a sua carreira policial. Já apresentava aí um desejo de desvínculo relacionado à farda. Uma farda que foi escolhida para suportar e apoiar seu papel masculino fragilizado, e que agora se desfizera, não suportando a supressão de sentimentos, e perdera seu sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isso penso eu que tenha sido apresentado uma fenda em seus mecanismos de defesa, que se organizavam amplamente em proteção ao seu pai, à polícia, à sua posição forte e potente. Assim imagino que na exploração dessa falha apresentada ele possa chegar a um melhor conhecimento das condições que o levaram à escolha profissional, e o por que de tanta fragilidade, medo e insegurança após a destituição de seu estandarte masculino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisando-se a estrutura do relacionamento que se impôs na corrente terapia, percebo que o paciente traz a transferência do pai na figura do analista. Demonstrações de masculinidade e de força entremeadas com momentos de profundo sentimentalismo (que lhe faltaram nesse relacionamento durante toda a sua vida), um pedido de ajuda e de um guia, se misturam e transitam velozmente. Mesma relação que tomou conta de sua vida após a brecha sintomática que lhe ocorreu após o acidente automobilístico em serviço, que gerou todo o seu transtorno de explosões de choro, fragilidade, insegurança, perda dos valores que adotou durante toda a sua vida. Oscila entre instantes de afastamento do mundo e quietude, introversão na procura de um poder, de uma força, e momentos de envolvimento descontrolado com toda e qualquer fonte de emoção, uma busca irrefreada de sensibilização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre adotou os valores paternos, artificialmente, como escudo para sua fragilidade, sempre perseguindo os sentimentos como algo errado e passível de punição, evitava a crítica direta da instituição policial no que tange os seus valores de poder. Assim como, pela volta do deslocamento, evitava qualquer juízo de valor ruim com relação ao seu pai que sempre fora distante sentimentalmente e muito rígido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que se apresentou agora como uma crítica ao cerne da questão, o fato de ele querer ser reconhecido pelo que ele era e não pela força que a farda trazia, já presente em seu passado, a busca de uma identidade além-farda, que ele revelou agora após terem cedido lentamente alguma de suas defesas, pode lhe ser muito útil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108525704727323116?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108525704727323116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108525704727323116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_05_16_archive.html#108525704727323116' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-10847676129160439</id><published>2004-05-17T00:48:00.000-03:00</published><updated>2004-05-17T01:34:53.156-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.cinema-francais.kiev.ua/movies/img_movies/les_invasion_barbare/foto01.jpg" width=150&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;   As invasões bárbaras (Les Invasion Barbares)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um homem por volta de seus cinqüenta anos que está severamente enfermo, e que se encontra em seus últimos dias de vida resolve reunir a família, os amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um filme denso, emocionalmente e 'filosoficamente' já que expõe diversos pontos e opiniões fortes e ríspidas acerca da atual maneira em que funciona a sociedade contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A respeito disso, a trama é em vários pontos entremeada por pequenas cenas curtas, de poucos segundos, onde são dramatizadas situações que envolvem uma profunda reflexão sobre diversos temas; não obstante, pode-se observar como mote da maior parte destes temas, que sobressaltam em inúmeros momentos no filme, o existencialismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde momentos descontraídos onde os vários personagens se encontram enfileirados e falam de seus vários 'ismos', correntes de pensamento que os movimentaram e os impulsionaram durante a vida, até partes extremamente angustiantes onde o protagonista se sente tão perdido como se tivesse acabado de nascer, sem um sentido em sua vida; nada aprendera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez a crítica mais central seja à perda dos valores, a substituição dos valores humanos pelo monetário, a mercantilização do homem. A auto-corrupção do próprio sistema que, se no começo teve como principal objetivo a segregação e a exploração dos excluídos, a dicotomia entre os desenvolvidos e os sub-desenvolvidos, à exemplo disso a exclusão racial por parte do Grande Império de hispânicos e negros, agora não mais consegue se manter livre das drogas e da corrupção de toda e qualquer parte da sociedade, problemas comuns dos países pobres ('você acha que estamos no terceiro mundo?' responde a chefe do hospital ao receber uma proposta de suborno, que acaba aceitando posteriormente), tem de sucumbir à inevitável miscigenação de 'les invasion barbares'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso a um nível macro-organizacional, um molde que se sobrepõe ao homem em seu funcionamento como um todo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Individualmente ressalta-se o vazio existencial gerado pela busca do poder, pelo enriquecimento não humano mas proprietário. O materialismo da sociedade moderna e consumista substutui o humanitarismo. Algo que a nível do indivíduo singular se torna um pseudo-enriquecimento já que esses valores, os associados ao materialismo, são totalmente artificiais à sua essência, aniquilando o sentimento, o vínculo humano. O vínculo agora se torna material, não espiritual, não humano. Vínculo ao poder do papel, da moeda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-10847676129160439?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/10847676129160439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/10847676129160439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_05_16_archive.html#10847676129160439' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108433046224524824</id><published>2004-05-11T22:38:00.000-03:00</published><updated>2004-05-11T23:54:22.246-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://kino.ural.ru/movies/mulholland_drive/08.jpg" width=200&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Cidade dos Sonhos (&lt;a href="http://www.mulhollanddrive.com/" target=main&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;Mulholland Drive&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;) - David Lynch&lt;br /&gt;A realidade psicotizada&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O filme choca, confunde, atordoa, como qualquer filme do diretor. Uma viagem na subjetividade de Betty, inicialmente uma mulher sorridente, com sonhos a serem construídos em Hollywood, como qualquer aspirante a atriz que busca o glamour e o charme da Cidade dos Sonhos, que posteriormente se revela uma matadora psicótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fantástico a maneira como é traçada toda uma história ao longo do filme, com intensos conteúdos desejantes, que ao final é revelado como uma densa construção delirante do que na realidade é fruto da frustração de Diane.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frustração amorosa e profissional, ambas através da mesma pessoa, Camilla Rhodes (sua amante em uma relação lésbica), que a abandona para casar-se com um homem e toma o papel principal em um filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Delírio esse todo construído com o material real que nos é revelado ao final do filme, após um colapso emocional de Diane.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Particularmente a obra me remeteu, em muito, à conversa com psicóticos; parecia-me que estava vendo através dos olhos de um, vividamente. Um conteúdo fragmentado criado após uma quebra de continuidade vital; no caso o colapso de Diane ao ver o anúncio do casamento de sua ex-amante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criação de um mundo fantástico de ilusão arquitetado com componentes da vida anímica cotidiana, onde o ponto de contato com a realidade seria a caixa azul, que é aberta ao final do filme. É interessante perceber como, pouco antes de ser aberta a caixa, de ser encontrada a 'chave para a realidade' que não quer ser encontrada, Diane tem uma convulsão no Clube Silêncio, o que pode ser hipotetizado como uma perda de consciência com o eu, justamente por esse embate entre o real e o fantástico que ela criou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jogo imenso de projeção que acaba cindindo Diane em duas pessoas, Betty e Rita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto importante, além de uma fantástica  estrutura 'psicótica' que nos é desenhada, talvez seja o jogo entre realidade e ilusão. Com certeza a cena mais forte e impactante, não pelo seu conteúdo real mas sim por sua projeção no imaginário de quem assiste, seja a do Clube Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'No hay banda'. Não há banda, mas pode-se ouvir a música. Não há orquestra, mas ouve-se o trombone, o trompete. A atriz canta vigorsa e emocionadamente, ressoando toda a sua emoção na platéia, incluindo as duas protagonistas que choram perante a tal demonstração artística. Entretanto a cantora cai e a música continua, percebe-se depois que é uma gravação e o estupor atravessa a película para atingir quem está assistindo ao filme. 'No hay banda'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perplexidade de quem se emociona por algo que é falso; ludibriado por investir tanto sentimento em algo que não existe, que é arranjado. O investimento emocional na fantasia. Mas não é isso que fazemos corriqueiramente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas vezes não podemos falar que 'no hay banda' em nossas vidas? Quantas vezes não sentimos a necessidade de usar o fantástico, a ilusão, a criação para extravazar impulsos, para dar vazão aos desejos, para enganar a dura realidade que não nos é apresentada como farta, complementar e satisfatória?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a perplexidade da ilusão não seja mera hipocrisia, em um sentido menos carregado da palavra, mas uma hipocrisia contra algo que é inerente ao ser humano; algo que possa ser nomeado como uma defesa contra a histeria, ou simplesmente contra a neurose, já que a histeria não deixa de ser a neurose primordial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'No hay banda', como posso me atrever a me emocionar perante isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Uma outra análise do filme &lt;a href="http://moviething.com/members/movies/faust/MulhollandDr.shtml" target=main&gt;aqui&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108433046224524824?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108433046224524824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108433046224524824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_05_09_archive.html#108433046224524824' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108424606199244869</id><published>2004-05-10T23:55:00.000-03:00</published><updated>2004-05-11T00:27:41.993-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dificuldades&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho encontrado certa dificuldade ainda na análise do policial, devido a eventos do seu cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente foi-lhe dada a notícia de que ele terá de voltar a trabalhar, voltar ao quartel. Impôs-se aí, artificialmente, uma condição que piorou em grande monta a sua melhora (como referia) na concatenação de suas emoções, do abismo que separava o policial frio e calculista, da pessoa emotiva, do homem que chora, que sente, que se envolve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse abismo estava sendo trabalhado e penso, pelo menos a um nível inicial e superficial, tê-lo feito compreender isso e ter capacidade, ainda que sem uma compreensão mais profunda das razões, de equilibrar um pouco essas duas instância tão distintas de fases diferentes de sua vida. Toda a emotividade abafada sob a farda agora veio à tona e o deixou desparatado. Mas a evolução da terapia trouxe a ele um pouco mais de habilidade para lidar com esses opostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o retorno ao cerne dos seus problemas no mundo objetivo, seu emprego como policial, será feito abruptamente. Uma grande ansiedade se instalou no paciente, que está no aguardo dessa ocasião, esperando ligarem para que retorne ao emprego; o seu retorno a um lugar indesejado, com o qual não mais divide uma identificação. A frieza, a falta de emotividade, a disciplina, a obediência, fatores chaves do policial, foram deixados de lado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sentimentos agora afloram como ondas incontroláveis de endogeneidade em explosões de ira e de choro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paralelo entre a escolha da profissão e sua relação com o pai não puderam ser trazidos à tona, estão ainda longe de serem alcançados, e, em uma atitude paliativa, vendo um certo desespero e medo do paciente em voltar à antiga profissão, fiz uso da transferência para acalmar um pouco os seus ânimos. Fiz uso da figura paterna que ele joga na minha pessoa para que pudesse, no mínimo possível, orientá-lo acerca do seu retorno; para que pudesse colocar um mínimo de segurança em seu funcionamento super-egóico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez tenha sido um pouco incisivo demais, mas penso poder trazer assim ele novamente ao desenvolvimento do árduo trabalho de insight sobre sua condição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108424606199244869?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108424606199244869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108424606199244869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_05_09_archive.html#108424606199244869' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108370921385848989</id><published>2004-05-04T19:20:00.000-03:00</published><updated>2004-05-04T20:23:54.890-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.pintoresmexicanos.com/salort/Dialogo.jpg" width=200&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   A mistura de transtornos psiquiátricos em E&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Retomando um dos escritos sobre a &lt;a href="http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_04_18_ensaiosmeus_archive.html#108269032353644167"&gt;identificação dos indivíduos normais com a doença psiquiátrica&lt;/a&gt;, pode-se afirmar, sinteticamente, que talvez a única real doença psiquiátrica , na concepção de uma alteração inteiramente nova no psiquismo de uma pessoa, se constitua na esquizofrenia. Esta sim é uma alteração significativa na vida do sujeito que determina toda uma quebra abrupta, repentina e irreversível de seu curso. Rumos que são mudados; como uma reta que é traçada linearmente e subitamente faz-se um ângulo de noventa graus, mudando o seu destino. Simplificadamente pode se dizer que o resto das doenças/transtornos não são nada mais do que uma exacerbação patológica de parâmetros inerentes à natureza humana; com maior o menor grau de contato com a realidade (depressões psicóticas, etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa concepção ajudou em grande parte no diagnóstico do paciente E. Tal paciente chegou a mim  apresentando um quadro tipicamente maniforme: aceleração de seu pensamento, de sua fala; irritabilidade, inquietação e agitação. Um crescimento de parâmetros normais aos homens normais. Não conseguia ficar parado, tampouco se expressar. A aceleração de suas idéias era de tal forma que elas mal cabiam em sua boca, tornando o discurso ininteligível para mim, e também para ele mesmo. Ele próprio não conseguia saber o que estava falando, conferindo-lhe inclusive um caráter de obnubilação de sua consciência (posteriormente percebida). Ouvir o paciente era um trabalho árduo de escuta de uma quantidade fenomenal de palavras jogadas ao léu, sem conexão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Introduzida medicação própria para o quadro de mania, E conseguiu se acalmar. Logo conseguiu também manter um certo contato com o mundo externo, com seu interlocutor principalmente, no caso, eu. Entretanto um resíduo sempre permanecia; um discurso incessante, uma rapidez nas palavras, uma angústia para a produção verbal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notei, posteriormente, após sua agitação psíquica ter diminuído o suficiente para que ele produzisse uma comunicação frutífera, também algo de suma importância para o caso: um empobrecimento dos conteúdos do seu discurso e, principalmente, uma imensa falta de crítica com relação ao seu transtorno. Simplesmente ele não reconhecia que estava sendo tratado de algo, achava que era uma pessoa completamente normal e que não precisava de medicações. Seu parâmetro estava alterado, sua auto-imagem em comparação com o externo estava prejudicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi trazido em questão, assim, o por que dessa falta de reconhecimento de uma característica sua que é exacerbada (no caso a euforia, a mania na qual se encontrava), a razão pela qual ele não percebia esse excesso como anormal; a falta de capacidade de comparação com os outros e de percepção de um desnivelamento com o padrão. Pensei então que essas oscilações lhe fossem inerentes, próprias, e que por isso ele não as reconhecesse como fora do padrão. Mesmo usando medicação por longo período de tempo, esse algo mais que faltava em seu diagnóstico, essa pobreza de discurso, esse diálogo acelerado residual que resistia a qualquer tipo de estabilizador de humor permanecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo isso em vista fez-se a hipótese de que esse algo mais fosse algo processual, no sentido de uma quebra de sua existência, similar aos transtornos 'esquizofrênicos'. Esse algo mais entretanto caberia perfeitamente, vendo-se com outros olhos, atentando-se apenas ao quadro pontual, transversal, nos quadros psiquiátricos comuns de excesso de idéias, excesso de fala, excesso de energia e de euforia (como descrito no primeiro parárgrafo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma conversa tardia realizada com a mãe, que não estava presente à internação, fez-se claro o caso de E. E teve um desenvolvimento totalmente normal durante sua infância e adolecência quando, de fato no começo de sua vida adulta, teve um surto psicótico (relacionado ao uso de maconha), não mais voltando ao seu funcionamento normal. Estabelece-se aí então a quebra de continuidade em sua vida, a falta de conexão e nexo, o corpo estranho jogado dentro de seu psiquismo, que coordenou de maneira distinta uma mudança em seu rumo desenvolvimental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, essas características exacerbadas de seu psiquismo não eram encaradas como um excesso, como seria a tendência normal do terapeuta, mas sim como algo próprio seu, decorrente desse desvio, desse processo 'esquizofrenia-like'. Algo que tornou seu funcionamento mental patológico que tomou lugar há 20 anos atrás mas que justamente por isso, por esse vértice realizado, foi incorporado à sua consciência como algo próprio e normal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um funcionamento patológico que contém características de excesso dos parâmetros normais mas que, em si próprio encerra um processo, uma mudança de rumo como na esquizofrenia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Não foi surpresa descobrir que a medicação que lhe fizera melhor em todo esse tempo de internação e reinternação em diversos serviços, foi um antipsicótico e não um estabilizador de humor)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108370921385848989?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108370921385848989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108370921385848989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_05_02_archive.html#108370921385848989' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108319838984805725</id><published>2004-04-28T21:26:00.000-03:00</published><updated>2004-04-28T22:52:55.496-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Construções teóricas sobre a linguagem de um esquizofrênico&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Constantemente me vejo impelido a perguntar a meu paciente, esquizofrênico paranóico, sobre seu passado, sobre suas lembranças pregressas. É fato que uma alteração tal da existência como o advento da esquizofrenia, processo que quebra a linha vital de uma pessoa, causa um estranhamento ao sentimento próprio, à consciência, que por si só altera seus registros de memória. Como somos constituídos por nossas memórias, nosso senso de identidade delas depende, é compreensível que uma pessoa com uma mudança radical de sua experiência vital, como é o caso da doença, sinta um certo estranhamento em relação à sua identidade anterior, a certas memórias suas. Uma amnésia, e em grau mais severo uma memória delirante; uma alteração de seus registros que agora são permeados pelas alucinações, pelos delírios de persecução, pela paranóia.*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto isso não faz muita diferença (para a análise de sua linguagem); o que realmente ocorreu, aos olhos de quem quer que estivesse presente ao fato, não traz importância em si, mas sim o modo como o esquizofrênico o viveu. O modo como ele traduziu isso para suas memórias, e o modo como ele codifica isso para uma pessoa que com ele se relaciona, que com ele se comunica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à questão inicial, às suas lembranças. Noto que R trava comigo um modo de comunicação de conteúdo totalmente violento, muito agressivo, com imensa quantidade de culpa. Passando da afirmação à exemplificação; certa vez R me contou sobre sua infância/adolescência, sobre seu colégio. Contou que era muito exigido como aluno, que tinha professores muito severos que repreendiam os alunos que tiravam notas más. Tais alunos eram ridicularizados, portanto R encontrava-se sob intensa pressão para que fosse bem na escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra vez expôs um episódio muito peculiar, onde um colega seu de faculdade se suicidou no meio da classe, por não ter conseguido passar de ano. Sua faculdade, segundo ele, é a mais difícil do mundo, e por esse conceito as pessoas são por demais exigidas. Houve também o caso de um outro colega que morreu envenenado por um bife que era servido no refeitório; dias depois a cozinheira também morreu misteriosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São inúmeras as referências violentas ao seu passado, as recordações agressivas que ele traz. É interessante notar que, ao que parece, quanto mais antigas são suas memórias, mais estas estão solidificadas e formam uma base imutável em sua consciência. Com o progredir de sua vida parece-me que suas memórias mais recentes foram, de maneira crescente, sendo cada vez mais invadidas por seus delírios persecutórios. Sua infância contém histórias totalmente plausíveis que podem ser confiramdas por parentes; já sua adolescência começa a mostrar fatos que são pouco mais duvidáveis. Na faculdade então, com o decorrer dos anos, começa a relatar eventos cada vez mais absurdos, incongruentes e sem nexo com a realidade. Sem nexo com a realidade comum, mas cada vez com mais nexo para a sua realidade persecutória, paranóide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de todas essas referências agressivas ao seu passado, um fato de sua mais tenra infância me é muito peculiar. Conta que tinha uma irmã, ela de 11 anos, ele por volta de seus 8 anos. Esta irmã cometeu acidentalmente suicídio ao tomar determinada substância venenosa, e uma grande culpa revestiu a família, em especial seu pai, que foi acusado de não cuidar direito dela. Desde então R, que já ficava grande parte do tempo com seus avós, passou a ser criado exclusivamente por estes, afastando-se assim dos pais. Configura-se aí um terrível cenário de dissolução familiar que dá indícios de problemas em sua estrutura desde seus primeiros anos de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomando alguns conceitos emprestados dos kleinianos, pode-se hipotetizar que R, sendo um psicótico, não conseguiu, por algum motivo em sua constituição emocional quando criança, conciliar suas instâncias paradoxais de amor e ódio (esse motivo nos é obscuro e assim permanecerá). Partiu então para uma cisão e uma espécie de malformação de seu ego devido a um não estabelecimento dessa conciliação. A saída para isso foi a formulação de um mundo fictício, seu mundo de delírios persecutórios, seu mundo esquizo-paranóide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentimentos de culpa são nele introjetados, absorvidos e uma grande suspeição e auto-referência se caracteriza em sua personalidade; muito ódio, muita violência e agressão se misturam a esses quesitos. Estão sempre perseguindo ele, ele é sempre o alvo do ódio dessa ou daquela sociedade, uma pseudocomunidade psicótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembranças de mortes, de tiros, de agressões físicas; crimes, assassinatos, perseguições. É isso o que R traz de seu passado, como uma forma de apelo para três coisas constantemente presentes em seu discurso: violência/ódio, sua própria pessoa, culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coincidentemente as histórias e todo o material que dão verniz aos seus delírios, a sociedade maçônica, aparecem em sua vida aos 8 anos, período em que passou a ser criado pelos avós. Segundo ele sua avó era maçom e contava histórias de tal sociedade. Pode-se hipotetizar que a culpa pela morte de sua irmã, em um ego mal constituído e frágil provavelmente devido a sentimentos muito fortes de amor e ódio que não conseguiram ser conciliados em sua constituição emocional infantil, foi introjetada nele e teve grande carga na sua doença; já que é desta data que aparece o material que constroi seus delírios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108319838984805725?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108319838984805725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108319838984805725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_04_25_archive.html#108319838984805725' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108311729901989682</id><published>2004-04-27T22:54:00.000-03:00</published><updated>2004-04-27T23:01:03.450-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.farmington.k12.mn.us/3ap70s/jonestown.JPG" target=main&gt;&lt;img src="http://www.farmington.k12.mn.us/3ap70s/jonestown.JPG" width=150&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Suicídio em massa&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Rodapé de livro texto de psiquiatria, acabei por encontrar o relato de um suicídio em massa, descrito como caso raro de 'loucura em grupo' (???). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumidamente; em 1978 havia um povoado na Guiana chamado de 'Jonestown', onde seus moradores faziam parte de uma seita, a "The People´s Temple". Sociedade muito fechada em meio à selva Amazônica, que não permitia visitas externas, chamou a atenção da mídia na época e por isso começou a ser investigada. Alguns representantes do governo americano (responsáveis pela Guiana na época) visitaram o vilarejo e, após uma aparente cordial recepção, acabaram por causar uma tensão entre seus membros, ao descobrir que alguns de seus integrantes estavam lá compulsoriamente e desejavam abandonar o povoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fazerem a retirada dos dissidentes houve troca de tiros e agressões, com alguns mortos e feridos. Quando os representantes retornaram ao vilarejo devidamente reforçados por forças armadas no dia seguinte, descobriram que 913 dos 1100 habitantes da vila haviam se suicidade nesse intervalo de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.crimelibrary.com/notorious_murders/mass/jonestown/index_1.html?sect=8"&gt;link&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108311729901989682?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108311729901989682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108311729901989682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_04_25_archive.html#108311729901989682' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108269032353644167</id><published>2004-04-23T00:18:00.000-03:00</published><updated>2004-04-23T01:19:37.983-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.avizora.com/mensajes_del_cielo/indicegral/indice_archivos/mente.jpg" width=100&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   A empatia na psiquiatria&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A psiquiatria e, de forma mais geral, as ciências da saúde mental, têm como objeto de estudo a mente, de uma maneira simplista. Entretanto estas ciências, para a captação de seu objeto de estudo, diferentemente das demais especialidades médicas, lidam com um filtro, o de seu interlocutor. Não há como examinar de modo direto a mente; não há um exame que permita inferir que a área do humor está funcionando demais, ou que as áreas dos prazeres estão extintas dando origem a uma depressão. Não há propedêutica física e objetiva na maioria das vezes, os sinais têm de passar pela peneira do diálogo, da comunicação da pessoa que traz o problema, o evento patológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo fato de tais ciências não serem passíveis de provas físicas, o diagnóstico carece muitas vezes de objetividade e tem de ser apreendido com cuidado e tomando-se como referência delicados parâmetros. Parâmetros de normalidade, de adaptação, de evolução. Armas teóricas que fundamentam a 'objetividade' do diagnóstico mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não obstante, a delimitação do normal e do patológico se torna obscura por dois fatores: o primeiro é o transcrito acima; a impalpável e frágil outorgação do diagnóstico mental é subjetiva e se apóia tão somente em construtos teóricos e fenômenos que mostram de forma indireta o mundo interior do paciente, sinais que precisamos apreender e colocar em paralelo com as generalistas teorias sobre as patologias mentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo motivo pelo qual o diagnóstico mental persiste na escuridão é o fato de que, com raras excessões, as doenças da mente nada mais são do que exacerbações de funcionamentos normais; sejam elas em surtos, ataques, fases ou períodos. Comportamentos inteligíveis e por vezes até racionais, entretanto extravazam em sua quantidade com relação ao meio externo e dessa maneira se tornam incongruentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única afronta lógica a essa escuridão diagnóstica é a esquizofrenia, doença na qual pode se observar uma clara quebra na linha vital de um indivíduo. A partir de então a lógica de sua mente muda e esta passa a funcionar de maneira distinta. É um processo claro e indistingüível. São os clássicos 'loucos de pedra' que são descritos em filmes e outras produções artísticas. Estes, pela irracionalidade de seu funcionamento, pela total incongruência e falta de nexo e lógica com o normal, são facilmente caracterizados como doentes. Malucos, doidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o resto das patologias mentais pode ser caracterizado como portador de funcionamentos compreensíveis, entretanto quantitativamente alterados. Daí a dúvida diagnóstica. E, excetuando-se os casos em que o exagero da reação se torna evidente (transtorno do pânico, ansiedade generalizada, etc), é necessário muito parâmetro e bom senso para poder discernir com clareza o que está quantitativamente errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realizando-se uma perigosa e grotesca analogia com as doenças 'clínicas', a esquizofrenia, e apenas ela, por ser um processo indistingüivel, poderia ser comparada a uma infecção, um abcesso, onde há um agente externo, um corpo estranho que gera uma alteração que muda completamente a morfologia do organismo, no local onde foi afetado. Há no psiquismo um objeto estranho que muda a existência desta pessoa. Já as demais patologias mentais podem ser comparadas por exemplo a uma hipotrofia, uma agenesia, uma distensão, um estiramento muscular; só poderá ser percebido que naquela localidade há algo de errado pelo seu mal-funcionamento em relação a parâmetros que temos de funcionamento normal de um músculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa maneira é comum ocorrer uma certa 'identificação' com patologias psiquiátricas, a um primeiro olhar delas. Pode-se tomar a leitura de livros como "Mentes Inquietas", por exemplo, que trata de indivíduos com déficit de atenção e hiperatividade. Quantas pessoas já não leram o livro e pensaram consigo mesmo que apresentam determinada característica, ou tal traço de funcionamento. É o caso das explicações sobre funcionamento mental a leigos e não familiarizados com o assunto, que, assolados pelo medo da patologia, pela hipocondria mental, começam a tentar identificar traços da explanação teórica em si mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em última instância, é o que ocorre com estudantes de medicina quando recebem aulas de psiquiatria, identificando diversos traços de inúmeras patologias em si próprios. Em caráter mais grave, é o que se observa em pessoas que lidam com a doença mental em sua profissão e acabam perdendo o parâmetro, acabam se imiscuindo no mundo patológico. Por falta de padrão e por receberem uma comunicação errática de seus pacientes grande parte do tempo, terminam por se misturar ao doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fragilidade do diagnóstico mental, baseado não na objetividade mas sim na subjetividade, na comunicação errática, tendenciosa e viciada do paciente, e a característica da grande maioria das doenças psiquiátricas de serem exageros de funcionamentos habituais, fazem com que muitas vezes haja uma empatia com o mentalmente patológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empatia perigosa para os leigos, terrivelmente danosa e prejudicial ao profissional que lida com isso diariamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108269032353644167?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108269032353644167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108269032353644167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_04_18_archive.html#108269032353644167' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108208922141447169</id><published>2004-04-16T01:20:00.000-03:00</published><updated>2004-04-16T01:35:28.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A biografia pessoal se constitui em poucas coisas que realmente fizemos, em um estreito e esguio caminho que escolhemos percorrer; e em um universo infinito de opções que abrimos mão, que não desfrutamos, que não experimentamos, lugares e trilhas que deixamos para trás, veladas; possibilidades que não vingaram. Menos o que escolhemos, e mais o que não escolhemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108208922141447169?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108208922141447169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108208922141447169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_04_11_archive.html#108208922141447169' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108208800660391838</id><published>2004-04-16T01:00:00.000-03:00</published><updated>2004-04-16T01:19:24.140-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Falta de crítica&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Talvez algo que mais incomode o terapeuta, acredito que em especial o profissional da área de saúde mental, seja a incapacidade do paciente em se perceber como necessitando de um tratamento, em se perceber patologicamente. Penso que isso acontece na maioria dos casos mais agudos, por exemplos surtos psicóticos, fases maníacas extremas ou depressivas, em que há um grande desbalanço do aparelho psíquico da pessoa, o que a impossibilita de perceber corretamente seu estado, tendo assim uma alteração de sua consciência do eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto posteriormente, após um certo retorno às linhas, não normais mas menos radicais, menos extremas, este indivíduo recobra a capacidade de reconhecer-se como alterado. O reaproximamento de sua forma basal de funcionamento permite que aspectos desse funcionamento possam traçar um paralelo com o seu atual funcionamento patológico. Há uma porosidade maior entre a linha de função normal e o estado em que se encontra. Em situações críticas, agudas, este intervalo é por demais extenso para permitir qualquer tipo de comparação, perdendo assim o indivíduo, sua capacidade de reconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de consciência de estado patológico é vista em grande parte de casos agudos, o que não incomoda sobremaneira o terapeuta. Mas a permanência dessa atividade de falta de consciência é o que talvez perturbe, a persistência do não-reconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cito aqui um paciente meu que entrou em internação em fase aguda de uma mania. Totalmente alterado em suas funções, era impossível se comunicar com ele devido à aceleração de suas idéias, e decorrente disso à sua total inabilidade de se expressar; com o mundo exterior e com seu mundo interno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passada essa fase de agonia e de completo isolamento social ele readquiriu certa crítica acerca de seu episódio inicial, confessa ter estado nervoso, mas mesmo assim articula milhares de razões para que ele se encontrasse naquele estado. Entretanto, apesar de se achar ainda claramente acelerado, ainda um pouco maníaco porém mais perto da linha da normalidade, acredita não estar doente, não precisar de tratamento. Pede alta, não toma medicações, briga com seus médicos e com a equipe por o 'manterem' preso ali; discute, argumenta, insulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A angústia no terapeuta emerge, fruto principalmente de uma insubmissão. A psiquiatria que se fundamentou basicamente em uma relação de poder no contato médico-paciente se vê frustrada, a posição de autoridade ameaçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a incapacidade de compreensão se via fundamentada por um estado patológico, como nas fases agudas, cabia o questionamento, a ameaça tomava como álibi e desculpa o fato de o indíviduo 'não estar sob sua sã consciência'. Trazia alento ao terapeuto a aparente inconsciência do questionador. A partir do momento em que esta deixou de ser um motivo, sua posição se vê ameaçada e pode-se a partir observar uma luta constante entre imposições de vontades; uma queda de braço entre um médico insistente, que não quer se ver frustrado, com o paciente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108208800660391838?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108208800660391838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108208800660391838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_04_11_archive.html#108208800660391838' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108174343105995072</id><published>2004-04-12T01:17:00.000-03:00</published><updated>2004-04-12T01:19:59.700-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://eltiempo.terra.com.co/proyectos/festcinebog/fcbbrasil/brasil/IMAGEN/IMAGEN-1272788-0.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Amarelo Manga&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Amarelo Manga é pulsional. "O se humano é estômago e sexo". Várias histórias que se entrecruzam, sem um protagonista certo, sem uma trama linear, focada. Talvez o único enredo seja a fome; seja ela por comida, seja ela por sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um açougueiro que é casado com uma religiosa. Chamado de canibal, se mistura à carne e ao sangue do seu trabalho, se mistura com outra mulher com quem tem um caso, se entrega ao carnal. Já sua mulher tem asco da carne, dos prazeres da mesma; dominadora, impõe as regras da casa, impõe suas próprias repressões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perversão do prazer: um necrófilo mal-humorado cujo prazer principal é atirar em mortos; um homossexual capaz de tudo por seu amor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dona de bar que provoca e incita, mas que se fecha, se nega, abdica. À noite, sozinha, dona de si, sem que seja exigida, sem que precise trabalhar, atender às pessoas, se coloca nua em seu próprio palco, em seu circo de exibição, onde se expõe e atiça seus clientes. Entretanto, só. "...à noite é a melhor parte...". Não se permite entregar, a não ser para o espelho. "Só se ama errado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma senhora fria e asmática que tem dificuldades de lidar com sua satisfação: engasga com facilidade tentando engolir, a respiração lhe falta freqüentemente sendo necessário o uso de inalações para suas crises asmáticas. Segundo ela é castigo divino; repressão, interdição do prazer. Em outra cena começa a inalar seus pulmões e coloca o inalador por entre as pernas; castração. A névoa abre seus pulmões, abre sua garganta, desimpede o prazer oral. E também tenta abrir a si mesma para a satisfação sexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amarelo Manga é um filme cru, direto, atordoante. A busca direta dos prazeres e seus entraves, suas interdições. Os personagens muito desejam, mas pouco têm, pouco realizam. Estão interditados, castrados, reprimidos. Pela sociedade, pela religião, pela pauperidade. Pauperidade vivencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A busca da satisfação do sexo, a busca da satisfação do estômago; fome, em si, e fome sexual. Uma busca que não faz uso de intermediários pela escassez dos mesmos, não há elaboração; não é possível tê-la. A pobreza vivencial causada pela pauperidade é tanta que os caminhos e as opções são quase nulas. Não há amplitude na vida das pessoas que torne possível a dissipação da energia pulsional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de opções com que se vê rodeada as castas mais baixas da sociedade. Com tantas limitações para a elaboração o prazer é cru, rude, e tem de ser vivenciado diretamente, ou através da perversão. Ou deve ser armazenado, gerando tensão, mesmice, infelicidade, esvaziamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108174343105995072?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108174343105995072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108174343105995072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_04_11_archive.html#108174343105995072' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108163592989558386</id><published>2004-04-10T19:25:00.000-03:00</published><updated>2004-04-10T23:00:20.623-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Resposta&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Apenas uma complementação sobre um comentário de um post, sobre a terapia com o &lt;a href="http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_03_28_ensaiosmeus_archive.html#108070565773099772"&gt;policial&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente há casos em que determinados 'nós' no funcionamento psíquico de uma pessoa não devem ser desatados, estando eles perfeitamente adaptados. E realmente muitas vezes são esses nós que impulsionam a pessoa ao longo da existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas vezes conseguimos olhar pessoas às nossas voltas e perceber características, de certa forma,  aberrantes nelas; como X que é egoísta demais, como Y que dissimula e sempre esconde suas reais intenções, como Z que é frio e fechado emocionalmente, ou W que tem problemas com autoridade. Entretanto X trabalha em uma consultoria altamente competitiva, Y é vendedor e trabalha na área de marketing, Z é médico, e, por fim, W é militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os quatro adaptados socialmente, funcionalmente. Entretanto quando retirados de seus meios, de seus caminhos por onde encontraram uma forma de existir, uma forma de apoiar suas características de funcionamento mental, podem vir a desenvolver uma patologia, uma mal-adaptação que pode adquirir um amplo espectro de manifestações psiquiátricas e psicológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso do meu paciente, conforme caminhamos ao longo do seu passado, vimos que ele estava em outro emprego, só que deixou este para entrar para a polícia. Seu ano como recruta no exército serviu de reforço para que ele realizasse esse desejo. Transpôs então a forma como foi educado, com disciplina, rigidez e aspereza, para seu emprego onde hierarquia e ordem são as principais diretrizes. Uma identidade profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo suas próprias palavras, 'se não tivesse acontecido o acidente automobilístico, que foi muito bobo diga-se de passagem, eu estaria já aposentado, sem maiores problemas, mas agora devido a isso minha vida desmoronou e eu não sou mais a pessoa que era antigamente'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nó dele *já foi* desfeito por circunstâncias de sua vida. Pressão, tensão, grandes conteúdos afetivos reprimidos, inúmeras causas podem ser apontadas como responsáveis por essa dissolução de sua maneira de viver. O trabalho agora se constitui não em desmanchar algo que já foi desatado, mas sim reconstruir seu ego, sua identidade que foi perdida. Não se vê mais policial, não se vê mais recebendo e cumprindo cegamente ordens, não se vê mais bloqueando seu medo e suas emoções; coisa que fez por mais de 25 anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108163592989558386?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108163592989558386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108163592989558386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_04_04_archive.html#108163592989558386' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108139285426227387</id><published>2004-04-07T23:54:00.000-03:00</published><updated>2004-04-08T00:41:56.810-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://elric.planet-d.net/gfx/pixeled/spirit.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Ensaio sobre a religião em uma paciente com alucinações&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Novamente um embate entre religião e psiquiatria. Paciente mulher, lá pelos seus 50 anos, adquiriu uma ansiedade com traços de fobia desde quando assaltantes invadiram sua casa, há 6 meses atrás. Não consegue mais limpar a frente de sua casa, sair à noite, levar a filha para a escola. Pânico, limitação. Palpitações, sudorese excessiva, irritação, agitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última consulta me trouxe o essencial de seu problema 'médico', de ansiedade 'pós-traumática'. Entretanto hoje começou a me revelar outros aspectos de sua vivência. Disse-me que desde os 15 anos vê vultos, que sempre a assustaram. Vê a sua casa cheia de gente que sabe não existirem. Não consegue delinear seus rostos, são apenas silhuetas que caminham, por vezes falam, com ela ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta também que sempre tem premonições, que viu quando sua filha esmagou sua mão na porta de um banco, que sabia de antemão que ia passar em seu vestibular pois tinha tido uma imagem anterior dela fazendo matrícula. Agora tem freqüentes 'deja-vu's e pensa que foram premonições das quais se esqueceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente deve-se destacar bem a apresentação fenomenológica desta mulher; seu quadro ansioso é bem delimitado, pode-se discernir com clareza uma quebra em seu funcionamento normal, um despontamento de uma ansiedade juntamente com uma fobia patológicas. Mas, não obstante, seus traços pré-mórbidos e facilitadores já se faziam presentes muito antes dessa quebra (o assalto que desencadeou a 'doença').&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a revelação de suas 'visões' acabou desenhando um caráter, já desde a sua adolescência, fóbico de seu funcionamento. 'Ver vultos eu sempre vi e sempre tive medo deles, desde os meus 15 anos de idade'. Deve-se compreender sua 'doença' não como algo que despontou há 6 meses com os assaltos mas sim como um processo que vem se desenvolvendo há muito tempo e moldando o modo de funcionamento da pessoa, sua personalidade, e que apenas encontrou um estressor maior para desenvolver um caráter mal-adaptivo, insuportável, incongruente com uma vivência social adequada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que dizer sobre os vultos que vê e as premonições que tem? Terreno frágil é aquele onde se perde o limite entre doença e religião, doença e crença, doença e misticismo. Com certeza os seus 'deja-vu's são vivenciados de maneira fantasiosa, já que estes são erros de memória que imprimem um registro errôneo ao acontecimento atual como 'já acontecido'. Esse fator pode ser separado e compreendido facilmente à luz de uma explicação psiquiátrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas visões: sempre viu vultos durante toda a sua vida. Vê a casa 'cheia de gente', as vezes esses vultos falam coisas para ela. Suas premonições: consegue me citar apenas uma ou duas nas quais teve visões claras de algo que aconteceria posteriormente. As demais que me relatou foram feitas com correlações fantásticas entre possíveis 'sinais' que estariam sendo dados no cotidiano de acontecimentos futuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já procurou terreiro de Unbanda onde realizou alguns banhos que, segundo ela, melhoraram suas perturbações, mas elas não cessaram totalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha opinião trata-se de uma questão muito delicada poder separar uma doença de uma crença que pode estar realmente sendo vivida. Se assim não fosse, se tudo fosse encarado como patologia, todos os espíritas estariam loucos, fato que não é verdade. Tais praticantes afirmam que realmente vêem vultos, conversam com eles, e que estes são espíritos que apenas algumas pessoas tem a sensibilidade de ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não descarto, mesmo como médico, 'dono de um saber de raízes céticas, científicas e cartesianas', a possibilidade de esta pessoa ter uma 'sensibilidade' para ver esse tipo de coisa, como os espíritas e afins. Entretanto, acho que, se isso for verdade, por uma falta de orientação, desenvolveu todo um modo de funcionamento patológico em cima disso. Um funcionamento calcado no medo do desconhecido, no medo de algo que não pode compreender, no medo dos vultos. Criou uma personalidade fóbica, ansiosa; medrosa. Miscigenado nessa provável 'sensibilidade' começou a aflorar crenças e impressões que com certeza são fantasiosas, dando esse caráter fantástico de seu discurso. Montar alucinações, delírios e ilusões em cima de algo que não cabia em sua mentalidade racional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que, apenas no caso de se levar em conta a teoria de que ela realmente 'seja uma espírita' e não saiba disso, sua patologia (todo o medo e as alucinações e delírios criados em cima disso) decorreu da não compreensão de um fenômeno que se fazia presente em seu psiquismo, mas que não estava no rol de vivências normais dos seres humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomando-se uma sociedade imaginária como padrão, onde o 'ver vultos' fosse entendido como algo corriqueiro, e, por assim ser, tivesse uma explicação razoável para isso (já que tudo o que é corriqueiro na vivência humana tem que, necessariamente assumir uma explicação, seja ela racional, mística, religiosa ou científica, para que possa se encaixar no funcionamento 'racional' do ser humano, onde não há espaço para o desconhecido), ela não estaria doente. Tampouco teria desenvolvido um quadro de alucinações e delírios em cima disso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ver vultos fosse o normal ela não seria fóbica ou ansiosa. O não conhecer, o desconhecido, o fenômeno que não se encaixa na normalidade, no padrão, na média do ser humano padronizado, gerou a patologia desta mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo levando-se em conta que ela realmente tenha essa sensibilidade... Expliquei isso a ela e, como teste terapêutico, introduzi um anti-psicótico para que parassem as alucinações; se isso fosse uma doença realmente, um erro de funcionamento cerebral (o que ela &lt;em&gt;queria &lt;/em&gt;acreditar que fosse), diminuiria com o remédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez ela estivesse atrás apenas de uma explicação, seja ela qual for. Uma explicação para que suas vivências extraordinárias não caíssem no irracional, e não a deixassem 'louca'.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108139285426227387?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108139285426227387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108139285426227387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_04_04_archive.html#108139285426227387' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108114449932303523</id><published>2004-04-05T02:54:00.000-03:00</published><updated>2004-04-05T02:58:03.590-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"A Paixão de Cristo"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ingenuidade acreditar que o diretor Mel Gibson queria 'apenas' retratar fielmente o que se passou com Jesus em suas últimas horas de vida, sem nenhum valor de juízo. Como é do saber de qualquer historiador, por exemplo, é impossível elaborar um trabalho artístico, ainda mais o cinematográfico, excluíndo a subjetividade própria. Aproveitando-se deste álibi o diretor pôde dar vazão, com o pretexto da fidelidade histórica, a um ritual sanguinolento e sádico que é um crescente a partir dos primeiros 20 minutos de filme. Um dos principais temas enfocados, como é de praxe em grande parte dos filmes hoje em dia, parecendo ser o celeuma inesgotável da cultura atual, é a violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com cenas épicas que misturam uma beleza fotográfica indescritível (apesar de muitos recursos terem sido claramente transpostos de &lt;em&gt;Braveheart&lt;/em&gt;) com uma carga enorme de violência, 'A Paixão de Cristo' choca e comove bastante; mais o primeiro do que o segundo. Transborda sangue de suas cenas, chegando até a ser um pouco macabro e perverso em certos momentos de descrição detalhada, rigorosa da flagelação do Salvador. Uma violência que com certeza em muitos pontos chega a ser desnecessária; entretanto pode-se ponderar mais a necessidade disso tudo quando se leva em conta que o intúito do filme seja tão-somente este, de provocar esse tipo de sensibilização no público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas analisando-se rápida e superficialmente o filme (como muitas outras produções cinematográficas trágicas) talvez venha em um momento crítico da cultura americana de medo, de guerra entre povos, de insegurança, de terror; a falta de compaixão, a indiferença com relação ao próximo. A necessidade por um mártir, ou por um bode expiatório. Pode-se ir longe ainda explorando o caminho da martirização de um símbolo da religião ocidental por um povo, por seu próprio povo. Há uma clara dicotomização entre bem e mal onde os romanos bancam disfarçadamente os 'mocinhos', enquanto que o algoz é proveniente do próprio povo de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso acumulado e estancado na vivência impessoal do dia-a-dia e que finalmente encontra um canal de saída através de soluços e lágrimas que fazem um coro na sala de cinema. Outras inúmeras leituras podem ser feitas como a do sofrimento em razão do próximo, etc., mas enveredando-se por estes caminhos corre-se o risco de cair em uma discussão sobre a religião ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com algumas fracas e rasas liçõezinhas de moral, A Paixão poderia ser um belo filme se não fosse tão superficialmente violento. Mas, são exatamente esses filmes que fazem sucesso nas salas comerciais. Talvez estivesse mais para Quentin Tarantino e não Mel Gibson.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108114449932303523?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108114449932303523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108114449932303523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_04_04_archive.html#108114449932303523' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108070565773099772</id><published>2004-03-31T01:00:00.000-03:00</published><updated>2004-04-01T01:10:23.996-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O policial&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Apenas uma atualização rápida sobre o &lt;a href="http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_03_07_ensaiosmeus_archive.html#107888962666934449" target=main&gt;caso do policial rodoviário&lt;/a&gt;. Hoje ele me trouxe a questão do abandono da instituição com relação à sua pessoa. Iniciou a seção muito contrariado, dizendo que o seu seguro de profissional (caso acontecesse algum acidente ou condição de saúde incapacitante, como realmente é o caso) não foi aprovado, que não receberia nenhuma indenização, e que o caso seria arquivado. Isso causou nele um imenso ódio, uma imensa contrariedade, uma imensa decepção. Raiva desproporcional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando com ele em suas linhas de pensamento, concluímos que seu ódio adicional vinha do fato de ele ter realizado uma 'dívida' com a polícia, que não estava sendo paga. Ele abriu mão de muita coisa, se manteve na linha, foi obediente, exemplar, passou por cima de muitas contrariedades em prol da instituição; abdicou de muitas coisas suas para satisfazer o regulamento, as regras. Criou um débito com ela, que agora não estava sendo retribuído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi que ele exemplificasse para mim uma situação dessas de débito. Falou muito de oficiais que o intimidavam, que davam ordens severas que tinham de ser realizadas. Notei uma forte analogia com sua educação paterna. Trouxe também uma situação peculiar que lhe apareceu na mente com o desencadeamento desses pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez fez a autuação de um veículo que havia batido. O condutor não era o dono do veículo, mas sim seu amigo; desta forma o seguro não cobriria o acidente. Esta pessoa pediu encarecidamente que ele mudasse o nome do condutor, no boletim de ocorrência. Explicou-lhe que era uma pessoa sem dinheiro, que passava necessidade. Ele não deu ouvidos, e colocou o nome do condutor real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ironicamente após certa resistência percebeu que ele estava no lugar do condutor agora. Se sentia do outro lado, do lado da pessoa que pede ajuda, da pessoa que apela para motivos pessoais para burlar a regra, a lei; e que não é atendida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um recentimento enorme tomou conta do paciente neste momento. Obviamente, se voltasse no tempo teria 'aliviado a barra' para o motorista imprudente. Mas naquela época não, não deu ouvidos para o lado emotivo, para o lado humano da questão. Frio, calculista, severo. Maneira como funcionou quase sua vida inteira, e que agora por algumas circunstâncias profissionais havia desabado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma angústia por ter esquecido de seu lado humano durante todos estes anos. 'Onde ficou este lado por todo esse tempo?' se questionava ele, em um misto de angústia e raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente foi fácil traçar um paralelo entre seu modo de agir e sua educação paterna; pai severo, duro, intransigente, inflexível. Pai frio, austero, castigador. Características que adotou para si mesmo como codificação masculina e que transpôs para sua profissão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui levar o paciente a esclarecer todas essas características, de ter escolhido a profissão por causa do pai, de sua educação, da falta de oportunidades de expressar seus sentimentos, etc. Mas, como era de se esperar, não consegui fazer vê-lo esse sentimento de angústia que na verade advém de um possível rancor do pai. Uma resistência que deverá ser abordada e explorada com calma, para a dissolução deste nó.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108070565773099772?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108070565773099772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108070565773099772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_03_28_archive.html#108070565773099772' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108053354209554524</id><published>2004-03-29T01:12:00.000-03:00</published><updated>2004-03-29T01:41:20.390-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.epub.org.br/cm/n13/curiosities/sono.jpg"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;   Breve análise do sonho de uma paciente&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Recentemente pude contemplar de forma deveras ilustrativa alguma das teorias sobre a formação dos sonhos em uma paciente minha. Claro que, em uma primeira abordagem com a ela, isso se deu em uma camada simplória e superficial, mas eis o que pude achar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho, bem simples e rápido, relatado por ela era o seguinte: estava em sua casa, com toda a sua família presente. Estavam programando que no dia seguinte iriam morrer. Todos juntos teriam de ir ao cemitério, deitar em caixões para falecerem simultaneamente. Evidentemente acordou angustiada, sensação esta que permaneceu durante todo o dia até a hora da consulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo ao relatar o sonho veio à sua cabeça uma recordação de infância; a maneira como estavam planejando a morte lembrava muito o modo como seu pai, como era de hábito seu, programava viagens familiares. Algo que lhe chamava a atenção pelo caráter de união, laço, vínculo familiar forte, mas também por ser compulsório e regrado, com horário para tudo, se assemelhando muito a um estilo militar. Era algo ruim pois havia pouca liberdade, pouca flexibilidade, a comida ruim tinha de ser engolida rapidamente, os horários tinham de ser cumpridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre outras coisas que relatou detalhadamente sobre esse compromisso paterno, começou a lembrar-se também de como seu pai era 'ruim' com seus outros irmãos, quando eles o desobedeciam. Como todos tinham de se manter rigidamente sob suas ordens. Falou de castigos utilizados, geralmente com a cinta; surras, punições. O irmão mais velho &lt;em&gt;ficou para fora de casa&lt;/em&gt; por várias horas, no quintal, por alguma traquinagem que havia feito. Entretanto, ela e o irmão mais novo nunca eram punidos pois obedeciam fielmente às ordens do pai; eram os protegidos dele. Relatou muito pictoricamente que essas imagens de violência contra a desobediência lhe vinham com muita dificuldade na cabeça, elas pareciam estar 'bloqueadas'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisando os fatos da vida atual da paciente, vê-se que o sonho é um pedido por liberdade, por desvínculo de sua família. O pai sempre foi excessivamente repressor, o castrador, fato que talvez tenha lhe causado muitas contrariedades em sua vida. No momento está desejando sair de casa, sair do comando de sua família. Esse movimento simboliza uma libertação própria, de seus desejos, de suas vontades reprimidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto para realizar esse desejo de liberdade, terá de desafiar o seu pai. Não é a toa que a primeira lembrança de castigo foi a de seu irmão mais velho que &lt;em&gt;ficou do lado de fora da casa&lt;/em&gt; como forma de punição. Ela e o caçula são os que ainda permanecem em casa, por isso a associação de eles serem os mais queridos. Sair de casa = desafiar o poder paterno = perder o amor do pai. Colocou ainda que seu pai pensa que a partir do momento em que o filho sai de casa ele vira um parente, e não mais um familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, com todos esses desejos contraditórios de amor e libertação própria ela ritualisticamente 'matou' a família em seu sonho. Deu cabo à união familiar, ao planejamento do pai, em caráter quase militar, que simbolizava a tutela, a repressão paterna, o recalque, a castração. Ela também morreu, em um sinal de que a antiga paciente, reprimida, tímida, retraída, por causa do pai, deve ser deixada de lado juntamente com todos esses laços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sonho de liberdade que mostra claramente a vontade da paciente em dar vazão aos seus desejos. O fim da repressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato do dia anterior que desencadeou todo esse afloramento inconsciente e deu carona a desejos reprimidos, os 'restos diurnos', foi o fato de seu pai ter lhe dito que pagaria a inscrição em um curso para ela. Ela &lt;em&gt;rebeldemente&lt;/em&gt; dissera que não, que não havia por que ele fazer isso, em um tom desafiador. Contou-me que sentiu um certo prazer com isso; se lembra de ter sido poucas vezes ameaçadora com relação ao seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho realizou seu desejo por libertação e 'des-recalque', entretanto gerou angústia quando ela acordou, pelo sentimento de amor pela família que conflitou com seu desejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108053354209554524?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108053354209554524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108053354209554524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_03_28_archive.html#108053354209554524' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108026933832311993</id><published>2004-03-25T23:48:00.000-03:00</published><updated>2004-03-25T23:55:18.543-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.beartime.com/crafts/mouth.jpg" width=100&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Devaneio sobre a depressão e a oralidade em uma paciente jovem&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Por certa vez escrevi sobre o esvaziamento futuro dos deprimidos na questão atinente aos seus objetivos, ao seu planejamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale retomar um pouco este ponto: funcionamos planejando um futuro onde haja prazer, objetivando uma sensação prazeirosa de 'chegada', de alcance, e vamos em direção à mesma. Entretanto, ao alcançar o objetivo há prazer, mas, ao contrário do que acontece com as pessoas normais, não há satisfação, ou seja; advém uma forma de prazer mas esta é por demais efêmera e se esgota rapidamente, não há a plenitude da satisfação. O prazer é temporário, rapidamente esgotável; a falta dessa característica de satisfação não é perene.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há satisfação porque geralmente ela deriva da apreciação do caminho, do trajeto tomado até a tomada do prazer. A caminhada, a trilha, pode em si mesma encerrar um sofrimento, mas subjetivamente este é encarado como algo bom. Uma privação em prol do prazer, já que isto se dá para que se possa buscar, realizar do último. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplificando, o sofrimento e o desgaste da construção de uma casa é visto posteriormente como algo nobre, é recatexizado para algo relativamente bom, já que este suor foi o que pôde permitir o prazer do gozo futuro. E, em uma relação quase masoquista, a satisfação se faz perene e de maior duração justamente por essa inversão de afeto que houve com relação à sua árdua construção. A casa é então carregada de um enorme afeto, que a faz dessa maneira durar 'mais que o momento': o prazer e o gozo da satisfação, da vivência do instante, do aproveitamento do atual; o afeto do desgaste, da energia dispensada, do trabalho que é recatexizado em prazer, já que eles foram usados com esse objetivo final prazeiroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim a casa é carregada por afetos de atualidade, e de temporalidade. A temporalidade de um prazer adiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No funcionamento do deprimido, como descrito há algum tempo aqui, não há a temporalidade. A vivência da satisfação está ausente e há um futuro vazio. Não há o 'após' da satisfação. O deleite do caminho não é realizado, o gozo do prazer adiado não é sentido. O prazer que advém do objetivo alcançado é apenas o momentâneo. Não se faz possível a abdicação em prol de um prazer futuro. Assim alguns deprimidos abrem mão do futuro por este ser apenas 'sintomático', por este estar vazio de satisfação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dando um passo a frente, pude comprovar isso na prática em uma paciente minha deprimida. Funcionava da mesma maneira; projetos que não terminavam, ela não se via no futuro, não conseguia se imaginar 9 meses à frente. Foi-me descrito pictoricamente por ela que ela era movida 'pelo prazer do agora'. Apenas as coisas que davam prazer imediato a ela eram feitas. Não existia em absoluto o gozo do prazer adiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pude observar este funcionamento e, com este seu relato da busca do prazer momentâneo, não conseguindo abdicar do agora em prol do futuro, foi-me revelada sua enorme oralidade. Sua voracidade. Funcionava como um aparelho psíquico primitivo, como a criança que quer mamar e é atendida quase que simultaneamente; esta criança entretanto não aprendeu nem mesmo que há determinadas horas para comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um aparelho psíquico que por não poder desenvolver o prazer da abdicação, o prazer da negação, experimentou a frustração da incompletude do externo. Ela nunca sentirá novamente o 'prazer original' da satisfação do bebê quando mama e tem sua fome saciada, entretanto não conseguiu recatexizar e 'alucinar' este prazer corretamente para outros objetos. Em busca dessa satisfação original, que é interna e nunca mais poderá ser repetida a não ser em alucinações, surge a voracidade, a oralidade. A busca do 'cada vez mais', a fome, a compulsão. E assim, sendo estimulada constantemente e não observando a igualidade do prazer original e do prazer que ela obtém do mundo, deseja cada vez mais para que possa suprir essa carência, esse déficit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É incrível poder observar isso até mesmo com relação ao seu tratamento medicamentoso. Tratada com anti-depressivos, achei espantoso a dose máxima na qual se encontra, sendo uma paciente extremamente jovem. Percebi pelo prontuário que a dose fora aumentada sucessivamente após pequenas experiências de melhora seguidas de retorno ao estado depressivo basal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Experimentei adicionar uma nova medicação cuja latência de ação é de no mínimo 10 dias. Em seu retorno ela me diz que logo nos primeiros dias do novo remédio se sentiu muito melhor, revigorada e animada. Entretanto, paradoxalmente ao que ensina a farmacologia, esta euforia se esgotou em uma semana; o que vai totalmente contra, sendo isso quase impossível considerando-se a farmacodinâmica da droga. Não foi nenhuma novidade ao observar um desejo da paciente em 'aumentar' a medicação. Ela mesmo se questionou se a sua melhora não era devido a um efeito 'placebo'. Imaginei ter ocorrido a mesma coisa com o anti-depressivo; a fome pelo imediato, mesmo sendo este algo subjetivo, o prazer do alívio de saber que uma medicação está sendo introduzida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observei então de maneira muito clara a associação psicodinâmica entre sua oralidade e a depressão. Era voraz até mesmo pelo efeito placebo da droga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108026933832311993?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108026933832311993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108026933832311993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_03_21_archive.html#108026933832311993' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-108001710941296774</id><published>2004-03-23T01:45:00.000-03:00</published><updated>2004-03-23T01:48:05.890-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.healthynj.org/dis-con/schizophrenia/main.htm" target=main&gt;&lt;img src="http://www.healthynj.org/dis-con/schizophrenia/schizo4.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;    Furor Curandis&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O anseio por cura, a gana em vencer a patologia, o &lt;em&gt;furor curandis&lt;/em&gt; é um capítulo à parte na formação do indivíduo médico. Imerso em inovações tecnológicas, exames laboratoriais e imagenológicos de última geração, artigos científicos com as informações mais recentes sobre a terapêutica das doenças que incomodam o praticante da medicina, esse ambiente molda o médico a ser um combatente incansável da doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não critico este funcionamento, acho inclusive que ele é vital e indispensável ao médico. Afinal, é para isso que eles escolheram essa profissão, é para isso que eles existem. Entretanto, como em algumas outras áreas da medicina, a psiquiatria deve ter muito cuidado ao agir conforme este paradigma. &lt;br /&gt;Muitas vezes por se tratar de uma ciência que cuida do funcionamento de um indivíduo; e muito da existência dele se caracteriza justamente por esse funcionamento com o qual lidamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja ele débil ou não, saudável ou não, é ele que, ao longo do tempo, constituiu a identidade da pessoa. Ela se enxerga no mundo através de uma evolução que leva em conta o seu próprio processo versus o tempo. Sua identidade basicamente é representada como este processo que evoluiu através dos anos. Além da memória, a identidade, o self, a auto-imagem, auto-definição, tem como pilar esse entrelaçamento entre tempo e evolução. E é nesse entrelaçamento, nessa identidade pessoal que devemos tomar cuidado. Não encarar as coisas pontualmente mas evolutivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso isso inspirado por um paciente meu com esquizofrenia paranóide. Seus delírios versam sobre uma maçonaria que o persegue incessantemente. Tiros para o céu, acidentes de carro, risco de vida para ele próprio e para os familiares. Tudo por causa de uma 'percepção alucinante' de que há uma sociedade secreta atrás dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oito anos ele está internado. No prontuário consta que ele era agressivo, algo que melhorou recentemente; sem contato social algum, ensimesmado. Lentamente institui um vínculo com ele, conversava muito com ele, o entendia. Era alguém em que ele podia confiar. As barreiras foram caindo, ele aos poucos se tornou uma pessoa mais aberta socialmente. Pouco, mas para quem ficou anos sem participar de atividade coletiva alguma já é uma vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os livros, a história, a ciência mostra que as idéias persecutórias são irremovíveis. De modo algum elas deixarão sua cabeça. É nesse ponto que precisa ser reconhecido o processo do paciente, sua identidade, sua forma de existência. Em uma vida delineada pela paranóia, é inválido tentar mudar essa forma que moldou a pessoa. Ela já está constituída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ele precisava? O mínimo de contato social. O mínimo de diálogo, de confiança, de alguém que pudesse 'compreender' o que se passa na cabeça dele. Entender seu processo, sua identidade. Saber que aquilo é uma doença? Não importa para ele, se eu acredito que aquilo é paranóia ou é verdade, realidade. O que importa é ele saber que eu &lt;strong&gt;sei  &lt;/strong&gt;que ele está me dizendo a verdade. Que eu &lt;strong&gt;sei &lt;/strong&gt;que ele acredita naquilo. Para ele aquilo é uma verdade, é um mundo. Psicótico? Sim, mas é o mundo dele. É a realidade, os olhos com os quais ele enxerga o mundo. Tentar mudar isso? Insanidade, por nossa parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O certo? Talvez tentar fazer com que haja uma vivência fora das idéias delirantes. Tentar criar um caminho paralelo a sua existência, reforçar um outro caminho que não cruze com a paranóia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, por mais que se tente, os maçons sempre estarão lá. Eles só precisam ficar quietos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-108001710941296774?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108001710941296774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/108001710941296774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_03_21_archive.html#108001710941296774' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107941208844571834</id><published>2004-03-16T01:41:00.000-03:00</published><updated>2004-03-16T01:43:49.686-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Manicômio&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Parte da patoplastia dos diversos distúrbios psiquiátricos, os aspectos caracterizantes das doenças mentais, consiste invariavelmente na observação de aspectos individuais incorretos e mal-adaptativos socialmente de indivíduos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O extremo desses casos é uma falta de ajuste completa da pessoa que culmine em uma internação psiquiátrica. A incompatibilidade com um comportamento socialmente aceito ou não prejudicial a si mesmo e ao próximo faz com que sobrevenha a hospitalização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir deste momento o indivíduo perde sua liberdade, e diferentemente de qualquer outra doença, perde a capacidade de decisão sobre seu rumo. Portas trancadas, guardas, controle de entrada e saída de visitantes. Tudo se assemelha muito a um encarceramento. A falta de crítica inerente a alguns processos patológicos da mente faz com que se perca a autonomia sobre o eu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por uma suposta alteração da consciência do eu, da percepção de si mesmo, da consciência da própria existência, dos parâmetros de uma  realidade na qual estamos imersos e compartilhamos subjetivamente uma grande parte mas o doente não, outros são responsabilizados pelas suas atitudes. Ele é tutelado a terceiros e dessa maneira lhe é vedado o direito de ir e vir, por exemplo, por uma força de necessidade sanitária pública e própria que cabe discussão para momentos posteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim o manicômio tem a incumbência de retornar esse indivíduo mal-adaptado ao meio, recuperado de seu estado de alienação, de sua extrema incapacidade social. Se este está curado ou ainda doente não é a questão mas sim se está apto a conviver socialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por estranho que pareça, mesmo com essa tarefa árdua, a de adequar pessoas doentes aos seus meios de origem, o manicômio em si é um local de tensão social. Paradoxalmente atitudes que não seriam permitidas do lado de fora dos muros são encaradas com naturalidade; gritos, berros, gestos idiossincráticos, exercícios em locais errados, gargalhadas incessantes e a mais variada sorte de práticas incomuns são encaradas, aos olhos de quem já se 'acostumou' à alienação manicomial, com indiferença. Neste aspecto pode-se afirmar que há inclusive um certo senso de liberdade no que tange à atitudes que simplesmente fazem porque lhes dá vontade; não há muita repressão e sentimentos e externação dos mesmos se tornam mais transparentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto o flerte, a irritação, a discussão, a raiva, o choro (quando justificados) e outros, são vistos com olhos desconfiados pelos grandes guardiões, observadores e legisladores: os profissionais da saúde. Atitudes que fora do manicômio poderiam ser encaradas como corriqueiras são vistas com uma crítica elevada; e assim o interno se vê obrigado a vigiar suas próprias atitudes como modo de moldar um comportamento padronizado, visto como 100% saudável, moral, e incorruptível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim o manicômio, quando controlado por pessoas sem critério e sem bom senso (vide os grandes hospitais psiquiátricos de décadas atrás que geraram o movimento anti-manicomial), acaba sendo um lugar onde uma espécie de 'moral' rigorosa vigora; aqueles que falham a ela são taxados como ainda doentes e, apesar de apresentarem um comportamento que possa ser encaixado na normalidade, são mantidos do lado de dentro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107941208844571834?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107941208844571834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107941208844571834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_03_14_archive.html#107941208844571834' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107888962666934449</id><published>2004-03-10T00:33:00.000-03:00</published><updated>2004-03-10T00:58:21.123-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://quatrorodas.abril.com.br/diversao/imagens/policial_abre.jpg" width=200&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Um guarda rodoviário esvaziado de seu projeto de vida&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Um de meus pacientes estava relatando sobre sua problemática, hoje, em sua sessão. Guarda rodoviário, me contou sobre como sua vida acabou depois de um acidente de trabalho que sofreu passivamente há dois anos. Apesar de não ter feito vítimas, de ele ter saído ileso, de não ter havido imperícia, imprudência ou negligência, sua vida desmoronou a partir deste ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre foi uma pessoa controladora, que gostava de ter tudo debaixo de seus olhos. Tudo era previsível para ele, e a ânsia de poder, ao que notei, sempre foi uma característica forte em sua personalidade. Ao mesmo tempo a submissão à hierarquia do sistema policial o agradava. O obedecimento às ordens, à lei, a disciplina. E talvez por isso, por essas características que foram (agora já não o é por motivos explicitados mais adiante) inerentes a sua pessoa, ele escolheu a carreira policial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A farda, a ostentação do poder, a imagem pública invejável, o heroísmo, a frieza frente a situações de forte catexia emocional, a inatingibilidade. O controle da situação, a soberania no local; controle de emoções. Ele relata muito bem que os fatos dotados de um colorido emocional mais forte pelos quais passou por cima durante sua carreira agora estão voltando à tona. Eram como se fossem objetos que ele ia colocando em uma caixa; fatos que ia armazenando e passando por cima durante toda a sua carreira de policial. Emoções adormecidas que, depois de 22 anos de carreira, ou seja, após esse acidente, simbolizado como algo sob o qual, apesar de toda a cautela tomada por um policial condecorado e reconhecido por sua atitude exemplar, não se podia antecipar, reapareceram e extravazam de seu ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da pessoa segura, fria, introspectiva, corajosa e auto-confiante que era, passou para um homem dotado de mais sentimentalismo, um homem que agora chora com coisas mínimas, inseguro, e que experimenta hoje todas as emoções que armazenou durante sua vida em doses aumentadas e desproporcionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu projeto de vida, o 'ser policial', que se estruturou inteiramente em torno desta catexia de poder, dominação e controle, agora se desmanchou, devido ao simbólico acidente. O nó que constituia sua ânsia por poder foi desamarrado, e nisso ele perdeu o controle de sua vida, o delineamento de sua identidade. Tudo o que fora construído sob este nó caiu. Agora repudia qualquer situação onde haja excesso de controle, baixo limiar para lidar com atrito de idéias, com imposições e exigências. Ele não é mais uma pessoa fria e se desenha ao contrário do que a polícia moldava seus empregados a serem: emotivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele investiu sua vida inteira na construção de sua pessoa em cima de uma determinada catexia, que podemos dizer, talvez não com a palavra mais precisa, a dominação. Agora que este nó foi desatado, tudo o que ele passou não faz sentido para ele; é como se pensasse por exemplo, 'ser guarda por ostentar poder, que grande besteira é toda essa coisa de polícia'. Desorientação; tomada de um novo rumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este nó provavelmente era algo não resolvido em sua vida psíquica. Entretanto isto foi acidentalmente desfeito, e coisas que faziam muito sentido perderam sua importância. De uma certa maneira somos feitos de nós; não somos todos vazios, senão não existiríamos, ou não nos moveríamos, ficaríamos estáticos. São esses nós que constituem nossos projetos de vida, são esses nós que nos movem. Nós que são, entretanto, frouxos. Que não estão sob muita tensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é se o nó deste policial estava por demais tenso. Se o tivéssemos antes do acidente, valeria a pena desatarmos isso? Por ver que algo estava errado? Ou deixá-lo prosseguir com seu projeto de vida, mesmo que sob algo frágil? Quantas amarrações frágeis não vemos por aí que dão continuidade sem problemas a existência?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107888962666934449?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107888962666934449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107888962666934449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_03_07_archive.html#107888962666934449' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107819778526664657</id><published>2004-03-02T00:23:00.000-03:00</published><updated>2004-03-02T00:25:28.326-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.ucv.mct.pt/healthXXI/bxb_esquizofrenia/img/brain.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Subjetividade x Mundo externo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A realidade psíquica, o mundo interno da pessoa, exerce uma força enorme na percepção exterior. A subjetividade. Ela comanda o modo como vemos o externo, como percebemos o mundo ao nosso redor; exaltando as suas qualidades, ou promovendo as coisas ruins. Realçando determinadas cores do dia-a-dia em detrimento de outras. Controla o presente, o destino do futuro, e o passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prova cabal disso pude observar em um paciente psicótico paranóico. Seus delírios versam sobre a maçonaria, que o persegue insistentemente. Chega a elaborar histórias complexas sobre a caçada que a tal sociedade realiza contra ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana passada o fato de sua madrasta não o visitar o incomodava, em muito. Ficou importunado ao perceber que ela, que foi a pessoa que o internou há alguns anos, esquecera ele no sanatório. À toda custa queria fazer contato com ela. Hoje qual não foi a minha surpresa ao receber o relato de que a madrasta era da maçonaria! Segundo o paciente, ele se lembrou deste fato há pouco tempo, e agora ela passou para o lado do inimigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A raiva, desamparo e frustração por ter sido esquecido pela pessoa que o internara fizeram com que, dentro de seu funcionamento psicótico, a madrasta fosse incluída no delírio. Uma nova memória, um novo registro, foi inserido, inventado, movido por esses sentimentos. O contato escasso com a realidade mundana fez com que a barreira e as limitações do real fossem mais facilmente superados pela subjetividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A subjetividade 'construiu' uma memória onde o paciente conseguiu encaixar sua malévola madrasta como uma figura constituinte de seu delírio. O poder da realidade psíquica conseguiu, nesses casos de baixa força da realidade externa, sobrepujar um registro de memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma certa maneira se assemelha a uma criança que adentra seu mundo de fantasias e fica entretida com seus brinquedos por horas. Infelizmente a fantasia é perene, não pode ser trocada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107819778526664657?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107819778526664657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107819778526664657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_02_29_archive.html#107819778526664657' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107811395004841142</id><published>2004-03-01T01:05:00.000-03:00</published><updated>2004-03-01T01:30:24.843-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Pensamentos soltos em uma conversa&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Já parou pra pensar como as pessoas são cegas?&lt;br /&gt;Qual a maior agonia de uma pessoa? Não saber o que vai ser dela no futuro... Quando estão no cursinho no 'será q vou passar', ou qdo estão incertas sobre o que virá, o que será de sua profissão...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí chega alguém, alguma coisa, ou algo e fala: olha, você, animal provido de telencéfalo mas que não pensa por si só, vai fazer isso.&lt;br /&gt;O por que? Não interessa... se tem a ver com você? dane-se... se você vai gostar? Não convém.&lt;br /&gt;Faça isso!&lt;br /&gt;Aí o escravinho vai lá feliz da vida porque novamente conseguiu arranjar uma desculpa para não ter de pensar no que ele realmente é, pra que ele existe, pra que ele veio.&lt;br /&gt;Um alívio intelectual, tira-o da tortura de ter de encarar a si mesmo.&lt;br /&gt;Estamos a procura de instruções, de trilhos.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que?&lt;br /&gt;Não quero ouvir resposta como 'pra ganhar dinheiro', ou 'pra ter status', ou 'pra ser rico e famoso'&lt;br /&gt;mas queria ouvir sim os 'porques' que vem depois dessas respostas... porque ganhar dinheiro, porque status, porque ser rico e famoso...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É.&lt;br /&gt;Aquela coisa.&lt;br /&gt;A desconstrução, a retirada da rouparia cultural, o despir-se, pode ser perigoso. Uma viagem sem volta.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nesse ponto q as pessoas: perdem o parâmetro, enlouquecem, deprimem por se sentirem vazias... Ou revigoram, sentem-se plenas. Posição utópica, já que sempre haverá algo que nos prende.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107811395004841142?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107811395004841142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107811395004841142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_02_29_archive.html#107811395004841142' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107698809205788174</id><published>2004-02-17T00:21:00.000-03:00</published><updated>2004-02-17T00:23:25.530-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Trecho de diálogo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Fico ainda tocado pela impotência de certas pessoas de traçarem o destino que elas querem seguir, por incapacidade de sair fora do caminho determinado pela sociedade, pela cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um diálogo que tive, a pessoa estava se 'debatendo' por se encontrar em uma posição que lhe era agradável, que lhe era confortável, e ter de mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que mudar se está confortável?&lt;br /&gt;- Porque a maioria das pessoas não estão na situação que eu estou.&lt;br /&gt;- E qual é o problema de você ser diferente?&lt;br /&gt;- Eu quero ser igual às outras pessoas; eu quero ser normal.&lt;br /&gt;- Mesmo que tenha de abrir mão da sua situação confortável e tenha de sofrer?&lt;br /&gt;- Sim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser igual às outras pessoas = normal = implica menor sofrimento fazer o que os outros fazem, desde que se encaixe no padrão, mesmo que isso vá contra o que você realmente quer...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107698809205788174?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107698809205788174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107698809205788174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_02_15_archive.html#107698809205788174' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107697706583571757</id><published>2004-02-16T21:17:00.000-03:00</published><updated>2004-02-16T21:22:05.123-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.familyservice-piedmont.org/anxiety/assets/anxiety.jpg" width=200&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Sociedade ansiogênica&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O ponto que deve ser pensado mais pormenorizadamente é a viabilidade da norma, sua posição quanto às características autoconservativas. Se esta norma condiz com uma realidade positiva para o desenvolvimento, para a evolução da sociedade. Se não é uma ‘norma doente’. Acredito que a definição de norma hoje esteja viciada; penso que ela esteja puxando o indivíduo para limites que não pode alcançar. Como a norma inviável da sociedade fictícia de suicidas citada linhas acima. Uma norma tendendo ao patológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para avaliarmos o que é a norma hoje devemos voltar no tempo para uma rápida análise das origens do que a é a sociedade contemporânea; voltar até onde esta sofreu uma enorme mudança em sua conformação, na questão atinente ao modo de produção. A revolução industrial do século VIII-XIX que mudou os rumos da economia, da política e da cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho, que entre outras coisas pode ser encarado como uma forma de sublimação do indivíduo, passa agora a ser mecanizado. O capitalismo entra em cena e o acúmulo da mais-valia passa a ser um dos objetivos principais da sociedade, um dos valores mais importantes. Para isso, produção cada vez maior, mais rápida. E assim nasce a divisão do trabalho, a produção em massa, as grandes linhas de produção; a indústria. Tudo em prol da rapidez, da agilidade, da quantidade. O lucro excedente nunca fora tão valorizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois aspectos importantes que influenciaram profundamente a maneira de viver do indivíduo. O primeiro é a divisão do trabalho. O trabalhador antes funcionava como um artesão. Seus produtos saiam de suas próprias mãos, e ele era o grande responsável pela sua ‘elaboração’. Em suma, ele podia observar o produto final saindo de seu próprio suor. O resultado de seu trabalho era algo palpável, e os objetivos do mesmo podiam ser mensurados. Era um trabalho direto; a finalidade de seu esforço podia ser vista mais claramente, mais diretamente. Com a divisão do trabalho sua função ficou obnubilada. O indivíduo que construía bens de consumo agora aperta parafusos repetidamente. Em todos os ramos de profissão a especialização excessiva e atroz acabou definhando o propósito da pessoa em trabalhar em prol de algo benéfico para a sociedade; sua utilidade social ficou enevoada. A segmentação pulverizou as mais diversas áreas de profissões como a construção civil, a engenharia, a área da elaboração e cumprimento das leis, a área da saúde. Na própria medicina é difícil uma pessoa hoje conseguir ser tratada de uma patologia apenas por um médico, de uma única especialidade. Não existe mais a ‘especialidade: médico’. Existem agora cirurgiões de mão, fisioterapeutas especializados em joelho, e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto de grande importância é a questão do tempo. Para o rápido acúmulo de capital, exigiu-se que a produção fosse acelerada; mais produtos a serem vendidos, mais excedente, mais lucro. A demanda por rapidez era cada vez maior; velocidade na linha de produção, velocidade no atendimento, velocidade no trabalho, nos transportes, nos meios de comunicação, na informação. Nos grandes centros metropolitanos, onde fervilha a sociedade capitalista, é tudo muito rápido, breve, apressado. Relações humanas, paciência e consideração com o próximo são perdidos em detrimento ao tempo dedicado à produção. “Tempo é dinheiro”, o ditado que rege o sistema econômico atual do capitalismo. O capital excedente gera a ganância, a pulsão de poder e a competição são satisfeitas por uma exagerada sede por poder aquisitivo, por dinheiro. Ganhar cada vez mais é o mote do século XX e XXI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois importantes aspectos que geram duas graves conseqüências: a perda da função do trabalho gera o vazio funcional do indivíduo. Ele já não sabe mais a que está trabalhando. Grandes questões existencialistas surgem*; para que ele está fazendo aquilo, para que o ritmo alucinante, para que a sede por dinheiro. Todos os valores de rapidez, de objetivos materiais, de poder, ascensão social, consumo, dinheiro que lhe foram outorgados pela cultura desde os primórdios de sua existência agora começam a ser questionados. O valor de seu esforço é colocado em julgamento. A super-divisão e especialização do trabalho, fazendo com que o fruto social de seu trabalho se perca de vista, faz com que o único retorno seja o monetário. Não há ganho social em se apertar parafusos o dia inteiro. Sua função e dever para com a sociedade são nulos. Sentimento de inutilidade, perda de sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda conseqüência é o rápido crescimento do bioritmo individual, que na maioria das vezes não consegue acompanhar o ritmo da tecnologia, o ritmo da exigência cultural. Cada vez menos tempo é concedido ao indivíduo; seu trabalho tem de ser feito cada vez mais rápido. Prazos são mais curtos, o trabalho é mais intenso, o esforço é maior, e a compensação monetária, objeto vazio de seu esforço, é cada vez menor. O resultado é aquele que observamos nos grandes aglomerados populacionais: pessoas impacientes no trabalho, em casa, nas ruas; brigas de trânsito para deságüe de energia psíquica reprimida, violência urbana; estresse; indiferença no tratamento do próximo pela necessidade de se voltar para dentro, para seus objetivos que acabam por engolir totalmente seu tempo, sua vida. Isolamento social. Um aglomerado enorme de pessoas vivendo cada uma em sua própria cela. Não há espaço para investimento emocional externo. Competição cada vez mais acirrada exigindo mais e mais de cada um. Uma sociedade que nunca fora tão ‘ansiogênica’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado de ambas as conseqüências: primeiramente o indivíduo não encontra espaço social. Sua motivação para interação com o meio está quase ausente, já que seu trabalho não lhe retorna resultados sociais. Questionamento, esvaziamento existencial, des-inserção do meio, na cultura. Seu papel é questionado, assim como sua função, sua existência. No fundo seu funcionamento na engrenagem da indústria é apenas um: permitir o acúmulo de capital do grande mentor, do inventor e detentor do meio de produção, da indústria; da máquina, do mecanismo. Crises existenciais que podem desencadear quadros de angústia, desmotivação, anedonia, e em proporções mais graves transtornos depressivos; melancolia. A sensação inutilidade, de não estar servindo em prol de algo para os outros pode ser um precipitante de patologias mentais envolvendo o humor. Prevalência aumentada de casos de depressão em grandes cidades. Pode-se inclusive associar a esquizofrenia a uma provável etiologia de falta de contato social; sua prevalência também aumenta em metrópoles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo grande resultado: a aceleração do indivíduo, a falta de contato social devido à falta de tempo e outros fatores elevam o potencial ansiogênico das grandes cidades. Problemas dispépticos, cefaléias tensionais, e, principalmente, as grandes patologias cardiovasculares que são indiscutivelmente as primeiras responsáveis por mortes causada por doença em todo o globo. Fora isso: alastramento de transtornos ansiosos que são observados na população geral com uma freqüência assustadoramente crescente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda essa linha de pensamento nos leva a concluir que a norma esteja talvez caminhando para um lado nocivo às possibilidades do corpo humano, biologicamente. Hoje já é comum encontrarmos pessoas ansiosas que acham ‘normal’ serem do jeito que são. Dizem inclusive tirar proveito da situação, já que a ansiedade exacerbada lhes rende uma melhor prontidão para o serviço, uma maior agilidade (o custo disse, entretanto, é caro, como todos sabemos). Um ritmo alucinante, frenético, que toma conta da classe trabalhadora. Todas as áreas de trabalho são afetadas por essa demanda por menos tempo e o indivíduo já procura, em alguns casos, produzir artificialmente o que a sociedade exige, obriga, já que os fracos, aqueles que não atendem às necessidades, são cortados. Medicamentos que estimulam a atividade, energéticos, drogas para ficar acordado, para ficar mais ‘ligado’. Nos esportes as anfetaminas, os anabolizantes que pulam etapas de desenvolvimento muscular e aceleram a performance. Até mesmo o freqüentador comum de academia já se interessa pelo uso de substâncias que ‘acelerem’ seu crescimento muscular. A internet e os jogos de vídeogame para crianças e adolescentes, por sua enorme velocidade de exposição de informações simultâneas, condicionam o cérebro a responder rapidamente a estímulos, gerando déficits de atenção nessa população. O indivíduo, muitas vezes portador de transtornos de humor como a distimia e outros, já acha normal o desânimo que aparece com o avançar da idade, fazendo com que não procure ajuda médica/psicológica. Já está incluso como característica do normal a queda de interesse na profissão com o passar do tempo. As explosões de fúria no trânsito, no trabalho, os grandes gestos impensados e irracionais já são corriqueiros, vistos e encarados com naturalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prova cabal disso é o fato das doenças cardiovasculares encabeçarem a lista de causas de mortalidade. O tabagismo é cada vez mais difundido, as doenças dispépticas e as cefaléias tensionais, como já mencionado acima, constituem uma triste realidade que reflete fidedignamente a situação em que se encontra a nossa ‘norma’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ânsia pelo poder, o capitalismo selvagem, que conseguiu derrubar outros sistemas econômicos justamente por satisfazer um dos grandes ‘instintos’ humanos, o de ‘competição’, está perdendo seu parâmetro e desafiando os limites biológicos do corpo e mente humanos. Empurrando a norma para um lado desfavorável ao desenvolvimento; fazendo com que doenças e principalmente transtornos mentais, cujo delineamento de normal e patológico é mais tênue, sutil e difícil, estejam começando a passar do lado ‘patológico’ para o lado normal. O que nos demanda, além de atividades preventivas com relação a esse desvio obtuso da norma, atitude ativa com relação ao futuro da sociedade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107697706583571757?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107697706583571757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107697706583571757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_02_15_archive.html#107697706583571757' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107663223666879441</id><published>2004-02-12T22:30:00.000-02:00</published><updated>2004-02-12T22:32:25.873-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Trecho de trabalho: o padrão de normalidade na cultura&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A doença da mente não pode ser resumida a poucas palavras, tampouco ser reduzida a poucas definições. Entre alguns fatores que temos de levar em conta para constituir este quadro de sanidade mental, em minha opinião podemos citar três que são fundamentais, que estruturam o conceito de doença:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ø a permanência dentro de uma norma, dentro dos limites da ‘norma’lidade; a média dos valores que encontramos na sociedade determina um padrão, uma curva de Gauss onde a maioria dos indivíduos se encontra perto do ponto médio da curva. O afastamento excessivo deste ponto implicaria uma alteração na sanidade mental que poderia, em determinadas circunstâncias, ser descrita como transtorno, distúrbio ou doença;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ø a necessidade de manutenção de funções auto-conservativas, como a preservação da espécie e a evolução da mesma; uma sociedade onde o padrão começasse a ser o suicídio em idades precoces pode ser considerada ‘doente’ por caminhar para a extinção, apesar deste ato extremo de auto-flagelamento permanecer, nesta situação, no padrão da ‘norma-lidade’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ø Adaptação; capacidade da sociedade de acolher os que se desviam da norma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito de norma constitui um dos pilares principais no delineamento da sanidade mental. Aquele que se afasta do padrão é o anormal, o aberrante, o extravagante. Para o anormal passar a ser doente, em grande parte das ocasiões, a questão da adaptação entra em jogo. Vemos no dia a dia pessoas que, se colocadas em outros ‘meios’, com certeza aflorariam algum transtorno quiescente. Tipos de personalidade que transbordam e saltam aos olhos do observador cauteloso, que se colocadas em ambientes diversos teriam grande chance de apresentar um distúrbio. Entretanto foram acolhidas sob determinadas profissões, posições sociais, que deram uma vazão adequada às suas características aberrantes de estrutura mental. A flexibilidade da média, a possibilidade de adequar aquelas pessoas distantes dela, em uma posição socialmente aceita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107663223666879441?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107663223666879441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107663223666879441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_02_08_archive.html#107663223666879441' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107629436157276274</id><published>2004-02-09T00:39:00.000-02:00</published><updated>2004-02-09T01:25:21.390-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://alumni.eecs.berkeley.edu/~dany/lebanon/Pictures/Gifs/cross.jpeg" width=250&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Vida-Morte-Vida&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ironia. Logo após ter elaborado os textos sobre futuro e passado oco, um dos meus primeiros pacientes trazia uma questão semelhante como desencadeante de um transtorno de humor, um episódio de depressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após ter mudado de região por questões profissionais, solidão, mal-adaptação e isolamento social fizeram com que ele tivesse uma crise de melancolia. Uma de suas indagações durante seu período depressivo era o 'futuro oco': para que ele iria realizar projetos se o que viesse depois fosse vazio. Para que o gozo se não havia satisfação. O prazer imediato da concretização de projetos sem a satisfação perene que os mesmos deveriam trazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim ele se propunha os mais diversos projetos, mas eles simplesmente não saiam de sua cabeça, eram apenas mera idéia; sobreveio a anedonia, a desmotivação, que ajudaram a piorar o quadro depressivo. Mas ele caminhou; soube desmistificar seu 'passado oco'. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento da consulta ele se encontrava ótimo, fora de qualquer quadro depressivo. Com relação aos problemas que superou, disse que isso tudo fez com que ele entrasse em contato com outro tipo de questionamento que ficara quiescente dentro dele. Outros pontos do pensamento que ele trabalhou e elaborou. Segundo ele, amadureceu 10 anos durante este episódio de crise existencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, com a ajuda de remédios, estava em um estado no qual não se encontrava desde os 27 anos; conhecia novamente a alegria e a felicidade. Deu fim a um declínio que começou nesta época, que declarava ser 'normal para a idade'; é normal após uma certa idade perder o ânimo, deixar de ver o brilho nas coisas, segundo ele...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato é que, com a crise de depressão ele entrou em contato com questões que haviam adormecido dentro dele. E, tendo sido isso pelo uso dos remédios e pela psicoterapia que realizou, conseguiu resolver tais indagações e dar um grande salto em sua evolução; em seu amadurecimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Desta forma o oco que se vê adiante, na linha da vida, serve para que questões vividas no passado sejam resolvidas. Correntes que nos prendem que tem de ser quebradas para que a evolução pessoal possa seguir seu passo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ciclo vida-morte-vida. Mas há outros caminhos para a evolução. A vida-morte-vida é um caminho acidental na minha concepção; talvez apareça quando as pessoas não estão em busca de evolução, quando não estão preparadas para isso. A mudança brusca que se impõe, a necessidade de alteração gera o desconforto e a melancolia. A melancolia daqueles que aceitavam o mesmo e o desejavam. Daqueles que se acomodavam e felizes eram com a repetição e com a estagnação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não deixa de ser um caminho para a felicidade, entretanto. O caminho da estabilidade. Um caminho que, apesar de se basear na estabilidade, é instável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107629436157276274?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107629436157276274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107629436157276274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_02_08_archive.html#107629436157276274' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107576913013628609</id><published>2004-02-02T22:45:00.000-02:00</published><updated>2004-02-02T23:33:50.420-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://rds.yahoo.com/S=96062883/K=anish+kapoor/v=2/l=IVI/*-http://www.depont.nl/images/ak/ak06.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Passado Oco&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Apenas complementando a idéia abaixo, um comentário me foi enviado realizando uma referência a um "passado oco". "Se a melancolia é uma dificuldade de elaboração, ou recusa, do luto, esta é uma questão que remete a uma experiência passada e sua significação. Passado."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente nossas decisões futuras são sempre influenciadas por parâmetros que colhemos em experiências passadas, por mais que desejemos deixar nossa escolha livre de vícios. E é talvez aí que devamos nos ater com mais cuidado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gozo e satisfação. O texto passado tratou de ambos; o gozo, o alívio e o prazer imediato, que é procurado por todos. A satisfação, sensação que permanece após o gozo, duradoura, mentalmente melhor estruturada e mais perene. Estando a última ausente naqueles que possuem o 'futuro oco', naqueles que não conseguem fazer da busca de seus objetivos um caminho prazeiroso, algo que recompense o ego e que agrade. Aqueles que, por preverem que vão adquirir apenas o gozo e não a paz da satisfação, desistem de caminhar e esvaziam o seu futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, se o indivíduo estava caminhando, realizando seus trajetos normalmente e repentinamente a perda da satisfação ocorre, talvez isso não deva ser interpretado tão ambientalmente como geralmente é. Talvez as 'circunstâncias' não sejam a causa principal disso, mas sim o passado que clama o indivíduo para o mimetismo de questões já vivenciadas. A ocasião apenas propicia o reaparecimento de algo que já existia: uma oportunidade de reorganização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomando a citação no primeiro parágrafo, a melancolia é uma incapacidade de elaborar uma perda. Exemplo mais comum é o próprio luto, que propicia o aparecimento deste sentimento por incapacidade de adaptação a um objeto perdido, temporariamente. Uma espécie de não aceitação, não adaptação de condições adversas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma melancolia primária qualquer pode ser vivenciada e, não estando elaborada, não estando racionalizada, explicada, vivida corretamente, ou seja, não tendo suas questões completamente resolvidas, é adormecida e permanece quiescente no indivíduo; latente. Em períodos de questionamento, em indagações existenciais, ela desponta e acorda se tornando novamente o padrão, a experiência pregressa modelo para o indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro se esvazia e perde a sua satisfação, exatamente por um modelo de 'luto' ser tomado como exemplo. O vazio que preencheu o passado agora invade o futuro como perspectiva. A incapacidade de lidar com o objeto perdido agora espelha-se em cada movimento que a pessoa faz, e esta agora se encontra estática, imóvel. Sem ação. A moldura pregressa é adaptada, retomada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ironicamente a melancolia atual, que é devida superficialmente a um vazio futuro, em sua profundidade é um vazio passado revivenciado. Desta forma o oco que se vê adiante, na linha da vida, serve para que questões vividas no passado sejam resolvidas. Correntes que nos prendem que tem de ser quebradas para que a evolução pessoal possa seguir seu passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ref: Anish Kapoor - &lt;a href="http://www.depont.nl/images/ak/ak06.jpg" target=main&gt;Descent into Limbo&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107576913013628609?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107576913013628609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107576913013628609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_02_01_archive.html#107576913013628609' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107516853028377004</id><published>2004-01-26T23:55:00.000-02:00</published><updated>2004-01-27T01:55:11.153-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://artchive.floridaimaging.com/r/rodin/rodin_striding_man.jpg" target=main&gt;&lt;img src="http://artchive.floridaimaging.com/r/rodin/thumb/rodin_striding_man.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;      Futuro oco&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma boa parcela dos funcionamentos melancólicos que vejo nas pessoas se deve ao questionamento futuro. É evidente que há fatores biológicos, ambientais e genéticos envolvidos, mas com relação ao trabalho psíquico durante a 'crise' melancólica anedônica, podemos ver que há uma certa incapacidade em se ater no caminho, ao invés do objetivo. Olha-se muito adiante e pouco para baixo. Nem presente, nem passado, mas sim o futuro. Um futuro oco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O questionamento envolve sempre um passo além daquele no qual está posto o objetivo almejado. Na falta de um sentido maior para as coisas, os objetivos perdem suas capacidades satisfatórias e prazeirosas duradouras, perecendo apenas o alívio imediato. Amplitude diminuída. Este mecanismo é notado com o tempo, e o indivíduo passa a se perguntar o que virá depois daquilo que ele tanto deseja. Prevendo a efemeridade da satisfação, o foco é voltado para o vazio que é restabelecido após a finalidade ter sido alcançada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A busca do prazer não constitui-se somente em atingi-lo, evidentemente a maior parte deste está na construção do mesmo. A sedução do objeto de desejo. O foco no vazio posterior faz com que o prazer do caminho seja perdido por angústia antecipatória, e tudo, ou talvez melhor, o pouco, que resta, esvaece, fica cinza. O mecanismo que trazia a satisfação, o deleitar da trajetória percorrida, o prazer do que ainda não é, mas vai ser, é escurecido e obnubilado pelo nevoeiro da pré-visão melancólica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz-se planos, imagina-se posições sociais, bens de consumo a serem adquiridos, aquisições de conhecimentos, mas todos não saem da mera idéia. Por que? Porque a questão crucial é sempre feita: e depois disso? Perde-se a graça e a magia de tudo pela completa incapacidade de se fixar em pontos mais breves. A angústia do vazio é amplificada e toma conta do funcionamento, fazendo com que o futuro torne o presente inviável, desprazeiroso, amotivacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os objetivos realmente serviriam para satisfazer? Se este estado da pessoa não favoreceu um desmascaramento de suas vontades, fazendo com que elas se tornassem fúteis e supérfluas? Se a melancolia não é um espaço para desconstrução e visão de uma verdade que é essencial ao indivíduo, da qual ele estava se escondendo? Mascarando esta com finalidades vazias, que agora se tornam óbvias como sendo construções de base fictícia, cultural, frágil, inautênticas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez resida aí a diferença entre um deprimido, uma pessoa com uma doença orgânica, e outra em busca de respostas, em busca do seu verdadeiro eu, de sua essência, da autenticidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ref: &lt;a href="http://www.artchive.com/" target=main&gt;Mark Harden´s Artchive&lt;/a&gt; - Auguste Rodin - "Striding Man")&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107516853028377004?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107516853028377004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107516853028377004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_01_25_archive.html#107516853028377004' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107483533746841920</id><published>2004-01-23T03:22:00.000-02:00</published><updated>2004-01-23T03:23:45.950-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Kholstomer&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O fragmento abaixo foi retirado de um belo conto de Tolstoi, 'Kholstomer - A história de um cavalo'. Escrito em uma época de afastamento e introversão do autor, expõe entre outros assuntos algumas idéias sobre isolamento social forçado devido a alguma peculiaridade; uma dificuldade em se adaptar ao meio devido à singularidade. O cavalo é um animal malhado, e por isso é constantemente excluído entre os demais, ao longo do livro, apesar de sua força, sua rapidez, e apesar do fato de descender de uma linhagem de sangue nobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua viagem por dentro de seu próprio eu, alguns assuntos são abordados como o direito de propriedade e o preconceito com relação ao status social. Até mesmo questões existencialistas são colocadas nas entrelinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kholstomer relata que seu melhor dono fora um senhor que 'agradava por ser rico, bonito e não gostar de ninguém'. Fora a melhor época de sua vida, sendo paradoxalmente ao mesmo tempo a ruína do cavalo. Um paralelo entre ele e seu dono é traçado, onde o senhor de posses é aparentemente um indivíduo independente. Dono de si, confiante e auto-suficiente, amava apenas a si próprio. Algo que o cavalo admirava, muito por desejar isso para si mesmo. Desejar se livrar do peso da tez malhada estigmatizada, da necessidade do afeto alheio. Independência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto o dono logo se vê envolvido com uma dama, que algum tempo depois o renega. Eis o início da ruína deste; após sua frustração passa a açoitar o cavalo com força, agora destratando-o e repassando sua carga de contrariedade. A falsa independência cai e a ruína de ambos demonstra seus vínculos com o externo que se faziam necessários. Ambos começam a cair em infelicidade e se reencontram mais adiante no livro, comicamente na mesma situação de desgosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Rico, bonito e não gostar de ninguém'.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107483533746841920?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107483533746841920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107483533746841920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_01_18_archive.html#107483533746841920' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107439000078637066</id><published>2004-01-17T23:40:00.000-02:00</published><updated>2004-01-18T23:52:27.936-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.aaalds.com/luna/horoscopes/horse.jpg"&gt;&lt;br /&gt;'Convencionaram entre si que, para cada coisa, apenas um deles diria "meu". E aquele que diz "meu" para o maior número de coisas é considerado o mais feliz, segundo esse jogo. Para quê isso, não sei, mas é assim. Antes eu fiacava horas a fio procurando alguma vantagem imediata nisso, mas não dei com nada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Muitas das pessoas que me chamavam, por exemplo, de "meu cavalo" nunca me montavam; as que o faziam eram outras, completamente diferentes. Também eram bem outras as que me alimentavam. As que cuidavam de mim, mas uma vez, não eram as mesmas que me me chamavam de "meu cavalo", mas os cocheiros, os tratadores, estranhos de modo geral. Mais tarde, depois que ampliei o círculo das minhas observações, convenci-me de que, não só em relação a nós, cavalos, o conceito de "meu" não tem nenhum outro fundamento senão o instinto vil e animalesco dos homens, que eles chamam de sentimento ou direito de prorpiedade. O homem diz: "minha casa", mas nunca mora nela, preocupa-se apenas em construí-la e mantê-la. O comerciante diz: "meu bazar", "meu bazar de lãs", por exemplo, mas não tem roupa feita das melhores lãs que há em um bazar. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Existem pessoas que chama a terra de "minha", mas nunca a viram nem andaram por ela. Existem pessoas que chamam a terra de "minha", mas nunca a viram nem andaram por ela. Existem outras que chamam de "meus" outros seres himanos, mas nenhuma vez sequer botaram os olhos sobre eles, e toda a sua relação com essa pessoa consiste em lhes causar mal. Existem homem que chama de "minhas" as suas mulheres ou esposas, mas essas mulheres vivem com outros homens. As pessoas não aspiram a fazer na vida o que consideram bom, mas a chmara de "minhas" o maior número de coisas. Agora estou convencido de que é nisso que conssite a diferença essencial entre nós e os homens. É por isso que, sem falar das outras vantagens que temos sobre eles, já podemos dizer sem vacilar que, na escada dos seres vivos, estamos acima das pessoas: a vida das pessoas traduz-se em palavras; a nossa, em atos.'&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Kholstomér - A história de um cavalo; Liev Tolstoi)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107439000078637066?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107439000078637066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107439000078637066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_01_11_archive.html#107439000078637066' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107404831348012920</id><published>2004-01-14T00:45:00.000-02:00</published><updated>2004-01-14T01:42:23.170-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.prod.esso.com/eaff/essobras/images/engrenagem1.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Mal estar profissional&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impulsionado pelo 'ponto zero' vejo que, como havia me referido antes, o ser humano se vê em constante necessidade de movimento. Alguns tipos se conformam com a constância, com a rotina e com a mesmice; admiro-os pela simplicidade com que vivem e pela felicidade que lhes vem fácil. Mas a grande maioria precisa de evolução, precisa caminhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No contexto da sociedade atual, pode-se observar uma crescente onda de pensamento existencialista, auto-questionamento; questionamento dos valores, das funções, do objetivo. Creio ser um ponto crucial no desenvolvimento desta maneira de pensar a forma como estamos inseridos no nosso meio, principalmente com relação ao trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitalismo trouxe o sonho da escolha, da liberdade, seduziu os outros sistemas econômicos, mais recentemente derrubando seu último grande inimigo, o comunismo, com a diversidade, com a opção. O ostentar e a competição pela posse de propriedades fez o homem sucumbir à selvageria do acúmulo cada vez maior da mais-valia e da diferença social como destaque do indivíduo que prevalece sobre os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim somos expostos ao consumo de padrões que o próprio meio cria. Não temos mais como objetivo a evolução disso ou daquilo, ou a criação de um novo meio de funcionamento; mas agora temos como valor 'ganhar dinheiro'. Este sim é o valor mais importante, pelo qual pessoas sacrificam suas vidas, suas relações pessoais, seu corpo, e a qualidade de vida das pessoas ao seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho, ao invés de se tornar meio sublimado de gasto de energia psíquica, se tornou ânsia por poder e por dinheiro, paradigma este encrustado em nossas mentes através da cultura. A cultura do poder, do consumo, do dinheiro tornou a sociedade egoísta, competitiva e fria; impessoal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto do trabalho capitalista é a super-divisão do mesmo. Afim de aumentar a produção, tarefas são divididas; especialidades e subespecialidades, auxiliares disso e daquilo, gerentes, setores, uma gama enorme de fragmentos constituem o perfil dos atuais meios de produção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a super-divisão ocorrem duas coisas: há uma perda do objetivo final de produção na mente do trabalhador; aquele que antes montava cadeiras hoje apenas corta madeira; aquele que cuidava de pessoas agora apenas cuida de uma parte bem delimitada do corpo; o que construía casas limita-se a gerenciar os gastos para melhorar a produção. O objetivo final do trabalho se torna algo distante e desproporcionalmente impalpável. Pulverização do resultado do esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto é a repetição. Como em uma linha de montagem, a maioria dos esquemas de produção encaixa o ser humano como uma peça, um mecanismo, uma máquina que tem como função imprimir sempre uma mesma marca. Monotonia e mesmice, o homem pára.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas pessoas conhecemos que estão felizes com o seu trabalho, com o que fazem? O homem então, incomodado com sua mesmice, com sua perda de tempo em algo que se prova ser sempre a mesma estagnada atividade, sufocado pelo tédio, levanta a cabeça e se questiona. Qual a verdadeira finalidade daquilo. Para que, e por que? Surge o vazio, o mal-estar da descoberta de algo que não é dele, que lhe fora imposto e inserido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Usando o universo médico como microcosmo do sistema atual de trabalho. A esmagadora maioria dos profissionais está saturada de sua profissão. Vivem falando para os outros não escolherem a carreira médica, ao que nos indagamos, 'por que foi que ele a escolheu então?' Subespecialidades cada vez mais pormenorizadas não deixam de tornar a medicina um esquartejamento profissional do prazer altruísta de curar ou de tratar do próximo. Grande parte dos médicos se vê inundado por atividades entediantes que ocupam 95% do seu tempo, mas que são essencias para que? Para 'ganhar dinheiro'. As outras 5% destinam-se ao atuar médico no sentido mais amplo e clássico da palavra que, obviamente por não fazer parte de um sistema de divisão de trabalho, linha de produção, são menos rentáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pequena parcela daqueles que se encontram satisfeitos são os que estão em constante evolução. Especificamente aqueles associados ao ensino, à ciência e ao desenvolvimento. Pode-se observar que ainda não perderam o brilho nos olhos, ainda há algo que os mantém andando: estão em movimento, evoluindo. São poucos os trabalhos que mantém essa relação humanística com a evolução, seja própria ou da sociedade em geral. Idealmente deveríamos ser ciganos de profissão, já que o meio impõe essa dedicação exclusiva e fragmentada, setorializada do trabalho. Idealmente deveríamos não integrar uma linha de montagem para a produção em larga escala, mas sim evoluir, crescer; mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falsa liberdade, escolha cega, opções viciadas. É a isso que somos submetidos. A escolher fazer parte de X ou Y máquina de produção. Podemos escolher, mas as escolhas compõem sempre padrões a serem integrados no mecanismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal-estar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107404831348012920?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107404831348012920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107404831348012920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_01_11_archive.html#107404831348012920' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107387807076002470</id><published>2004-01-12T01:27:00.000-02:00</published><updated>2004-01-12T02:05:13.763-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://educar.sc.usp.br/sam/image015.gif" width=100&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Ponto Zero&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação a alguns ímpetos e desejos, algumas partes de nossas mentes esfomeadas, movemos em torno do objeto de desejo e de seu contrário. Fases da vida em que há experimentação, definição de parâmetros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Experimentamos o direito, e quando lá estamos desejamos o esquerdo. Movimentos pendulares do querer e da proposta vital. O pêndulo move-se para uma extremidade, com velocidade atinge a sua amplitude máxima, sua altura maior; o extemo. Aproveitamos com intensidade este lado da vida, quando subitamente ele começa a evanescer. Sucumbir ao encanto do lado oposto. O lado em que está perde sua cor, seu encanto, seu brilho. Muito disso exatamente pelo simples fato de se estar ali. Não se pode estar no limite, no extremo direito, e continuar ali, parado. Extremamente instável, impossível ficar ali quieto, sem qualquer movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estando lá então, a velocidade diminui, o outro lado se torna mais atraente e o movimento começa a se reverter. Magnetismo pelo lado oposto lentamente inverte o sentido deste. Aceleração, e passa a toda velocidade pelo ponto de equilíbrio, ignorando o mesmo. A sina se repete com a seqüência prazer antecipatório/de aproximação, prazer ao atingir, gozo, diminuição da atração, sedução pelo outro lado que está distante, descarte do lado onde se está e início crescente de movimento para o outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns de nossos estilos de vida são revestidos de tais características, em maior número para uns, em menor para outros, em nenhum para poucos: compromisso/descompromisso, trabalho/lazer, rotina/novidade, entre outros. Difícil é encontrar o equilíbrio. O ponto zero onde não há movimento, onde há calma e tranqüilidade. Onde, deixado sozinho e sem apoio, o pêndulo não se mexe. Permanece sereno na quietude de sua paz de espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade é que o esquerdo não existiria sem o direito, e vice-versa. A existência de um carrega o outro. Como nas teorias físicas da partícula e anti-partícula. A beleza de um está em quanto maior for a distância oposta, quando se está no outro. Um vínculo paradoxal que une os opostos e nos faz balançar entre eles. Balanço esse que, quando não há limites, se torna cada vez mais forte, com amplitude crescente. Energias que positivam e se negativam em tempos cada vez menores, tornando o jogo perigoso. Perda dos limites implica em dano do mecanismo. E, evidentemente, impossibilidade cada vez maior de 'parar' no ponto zero. Ponto onde se pode admirar com parcimônia a ambos os lados. Ponto maniqueísta, ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achar o ponto zero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107387807076002470?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107387807076002470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107387807076002470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_01_11_archive.html#107387807076002470' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107345598296856141</id><published>2004-01-07T04:13:00.000-02:00</published><updated>2004-01-08T20:26:47.496-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=209763&amp;ST=SE" target=main&gt;&lt;http://www.submarino.com.br/images/books/cover/209763.jpg&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Kafka&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns autores brindam a leitura de um excelente romance com uma percepção e sensibilidade apurada para o meio ao seu redor, relatando situações de época e padrões culturais que transcendem o tempo. Kafka escreveu 'Amerika' ou 'O Desaparecido' em uma fase crítica de sua vida. Havia sido 'expulso' da Europa e viera para os Estados Unidos começar vida nova junto a um colega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O romance, que foi o seu primeiro, relata exatamente a história de um adolecente que chega à 'Amerika', sem rumo, sem destino. O jovem perambula por casa de 'parentes', e experimenta alguns tipos de emprego e uma variedade grande de relacionamentos. Entretanto todos são permeados pelo individualismo e pela feroz competição. As palavras de Kafka não escondem sua insatisfação com os relacionamentos humanos, ou falta destes, que encontrou no novo continente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas com pequenos poderes que os usam para subjugar os subordinados são uma constante; autoritarismo; a deslealdade e mentira no trato com outro, sempre visando o benefício próprio; impessoalidade e falta de profundidade nos relacionamentos; objetividade, horizontalidade sem verticalidade. O mínimo centrímetro de vantagem na corrida pelo status social é usado para humilhar o próximo e transformar o homem em um ser autoritário e insensível. Uma revolta que transborda nas palavras do autor. Páginas que são lidas a duras penas devido à densidade emocional (angústia) que é expressa em suas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descrições satíricas e depreciativas de cenários e hábitos da época permeiam o livro, constituindo uma crítica pesada ao funcionamento americano que tem a produtividade e a acensão social como valores primordiais, segundo o autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouquíssimas páginas são reservadas para um momento de felicidade do personagem, quando ele simbolicamente se junta a uma trupe de artistas de um circo e encontra o seu lugar, vagando de lugar a outro como ele. A descoberta do seu lugar no não-lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107345598296856141?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107345598296856141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107345598296856141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_01_04_archive.html#107345598296856141' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107325215314027469</id><published>2004-01-04T19:35:00.000-02:00</published><updated>2004-01-04T19:37:03.403-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;"Para hindus e taoísta o que chamamos de alma não é senão um momento de uma realidade que nunca pára de mudar e que, fatalmente, continuará se transformando em vidas futuras até alcançar a libertação final."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Fragmento de 'A dupla chama - amor e erotismo')&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107325215314027469?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107325215314027469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107325215314027469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2004_01_04_archive.html#107325215314027469' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107301063412904927</id><published>2004-01-02T00:30:00.000-02:00</published><updated>2004-01-04T13:35:24.013-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;2003&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virada de ano, adeus ao ano que passou, boas-vindas ao ano que está por começar. Muitas pessoas usam essa data, que não passa de um dia como qualquer outro, com as mesmas 24 horas, 1440 minutos e 86400 segundos que um dia comum, para marcar sua vida. Um marco de renovação, mudança de atitude, novos rumos. Elaboração de planos, novos objetivos a serem atingidos. Erros que não serão repetidos, fracassos que serão esquecidos. Não vou escapar à regra. Apesar de não costumar fazer isso, essa foi uma virada que me remeteu mais ao passado do que a planos futuros. Talvez porque os 'problemas' do passado não possam ainda ser deixados de lado, não possam ser 'passados' por cima. Talvez porque eles tenham transposto essa teórica linha temporal representada pela mudança do algarismo 3 para o 4. Talvez, não, com certeza...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano que passou foi revestido de adversidades. Uma intensidade que nunca havia experimentado antes. Intensidade que eu não acreditava que pudesse ser crescente ao longo do tempo, mas que provou ser assim com o passar dos anos. A busca do novo se tornou algo palpável, guardadas suas devidas proporções. Se tornou uma aventura ao mesmo tempo instigante e perigosa; prazeirosa. Uma libertação dos vínculos de sempre, dos laços que sempre mantem as pessoas presas. Uma deliciosa viagem, às vezes por livre decisão, outras por imposição do destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi se seguindo. Novos desafios, coisas novas aparecendo, como enigmas a serem decifrados. E o novo se impôs, mexendo totalmente com o rumo de muitas coisas que achava serem certas. A velha ironia da vida que sempre brinca comigo, sempre colocando as coisas certas sob frágeis estruturas para depois soprar um forte vento e deixá-las cair. Não só comigo mas com as pessoas que me eram mais próximas as coisas aconteceram dessa forma. Trajetórias certas que tinham em seu destino foram largadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soa como aquele re-encontro entre antigos amigos, que começam a trocar informações sobre velhas amizades; 'fulano de tal agora está fazendo isso' ao que o outro retruca 'nossa, nunca iria imaginar!'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E muita coisa mudou, saiu do lugar, foi ressignificada nesse ano. Talvez esse jogo de incertezas sirva para que, dentre as várias brechas que se abrem nesse contínuo tecer e desfiar da malha do meu destino, surja algum significado maior para a existência. Distinguir o que é essencial do que é apenas 'rouparia cultural', que você aprende a vestir. Talvez isso sirva para que possamos nos desnudar e descobrir o que realmente desejamos, o que nos é vital e importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhar, evoluir, desbravar o novo, ressignificar, crescer. Apesar do caminho difícil, árduo e muitas vezes doloroso, ele leva para cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as novas descobertas e situações também vieram novas responsabilidades. Outra ironia, já que o novo pressupõe liberdade de movimento, de ação. Livre escolha para arbitrar seu próprio destino. Entretanto o que sobreveio foi responsabilidade. Responsabilidades crescentes por aqueles que o rodeiam. Não estamos sozinhos, e ao menos que faça sua caminhada completamente só, sempre será responsável por aqueles que estão ao seu lado. Talvez resida aí um novo desafio? Ou uma covarde fuga, escapismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hipocrisia? Utopia pensar que estará se desvincilhando do usual ao tentar seguir em frente? Talvez... mas é preciso tentar... E apenas pelo conhecimento adquirido por essa intensidade, já vale a pena por si só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho muitos planos para o novo ano, ainda. Creio que ele ainda não chegou para mim; o de imediato é tentar resolver os problemas do ano velho. Felizmente estão seguindo para a resolução... Felizmente. Hora de por a cabeça no lugar, e reiniciar a produção. Ainda virão enormes desafios nas próximas duas semanas, mas eles servirão para fechar 2003...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107301063412904927?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107301063412904927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107301063412904927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_12_28_archive.html#107301063412904927' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107249787408337780</id><published>2003-12-27T02:04:00.000-02:00</published><updated>2003-12-27T02:05:36.013-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“Para ganhar um ano novo que mereça este nome,&lt;br /&gt;você, meu caro, tem que merecê-lo,&lt;br /&gt;tem que fazê-lo novo,&lt;br /&gt;eu sei que não é fácil, mas tente,&lt;br /&gt;experimente, consciente.&lt;br /&gt;É dentro de você que o Ano Novo&lt;br /&gt;cochila e espera desde sempre.”&lt;br /&gt;(Drummond)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107249787408337780?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107249787408337780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107249787408337780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_12_21_archive.html#107249787408337780' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107170450766901982</id><published>2003-12-17T21:41:00.000-02:00</published><updated>2003-12-17T21:42:40.200-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A tempestade não acabou... Só deu um descanso para voltar com força total.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107170450766901982?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107170450766901982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107170450766901982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_12_14_archive.html#107170450766901982' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107169771263273621</id><published>2003-12-17T19:48:00.000-02:00</published><updated>2003-12-17T20:14:54.763-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.abcgallery.com/V/velazquez/velazquez14.html" target=main&gt;&lt;img src="http://www.abcgallery.com/V/velazquez/svelazquez14.jpg"&gt;&lt;/a&gt;     &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Eterno Conflito&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eterno conflito do eu contra eu-mesmo. É fácil teoretizar sobre finalidades, sobre objetivos, sobre idéias e padrões que nos estabelecemos por imposição e força da cultura. Como já escrevi diversas vezes aqui, tendemos com grande facilidade a seguir os exemplos que nos são apresentados, os caminhos já percorridos. Isso de novo nada tem e tampouco é assustador ou revolucionário, já que nascemos imersos em um meio, e o mais lógico e racional é tê-lo como parâmetro para a vida. Difícil é desbravar, encarar a escuridão. Seguir por onde não há trilhas e descobrir o novo, se descobrir; descobrir o verdadeiro eu, e não aquele que a sociedade colocou nas suas costas. O cair da máscara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de toda essa reflexão sobre o que realmente queremos e o que é colocado nas nossas cabeças como 'eu quero isso', é muito difícil vivenciar essa desvinculação, principalmente quando ela é forçada, às vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este fato se dá porque nesta longa e profunda viagem de desconstrução dos ideais, uma boa parte deles, especificamente aqueles que incomodam e que não fazem sentido por si só na nossa existência, vão embora; são jogados fora com um gracejo de 'eu não preciso disso, isso não é essencial na minha vida'. São os sonhos de consumo inalcançáveis quando geram trabalhadores compulsivos, são as exigências do trabalho, dos pais e de amigos que tornam as pessoas neuróticas, e assim por diante. Grande parte escorre com a chuva do esmiuçar que toma lugar quando enfrentamos essa jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto desconstruir e achar os significados não significa necessariamente abrir mão e descartar os objetivos. É evidente que alguns, mesmo que achemos eles fúteis ou supérfluos de uma certa maneira, dispensáveis, mesmo assim os desejamos. Apesar de todo o mecanismo que leva a ele desvendado, temos ainda a intenção de satisfazê-lo. Talvez por estar enraizado em caracteres mais essenciais, mas estruturais nossos; aqueles ímpetos, impulsos, pulsões que não cabem na racionalidade, justamente por constituir um nível abaixo desta, mas ainda assim ser a força motriz de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desconstrução é uma saída fácil quando somos obrigados a abrir mão de nossos objetivos, mas às vezes continuamos sabendo que no fundo nós desejávamos aquilo sim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107169771263273621?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107169771263273621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107169771263273621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_12_14_archive.html#107169771263273621' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107146265558267614</id><published>2003-12-15T02:30:00.000-02:00</published><updated>2003-12-15T03:11:26.890-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.allposters.com/IMAGES/ESC/AP650.jpg"&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;    Tempestade&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou a tempestade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco de post pessoal. O último mês foi conturbado; intempestivas semanas se passaram. Sempre tive um estilo que privilegiava o 'aproveitar a vida'. Evidentemente, com muita responsabilidade, muito zêlo para comigo mesmo e para com o próximo. Crescer, melhorar; caminhar em frente. Por vezes até dar passos para trás para poder pular metros à frente. Creio que o homem estagnado é um homem morto. A pessoa que está parada não optimiza sua vida, não a usa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos inferir isso através da sensação temporal que nossa mente incute a nossas lembranças. Quando fazemos algo monótono, repetitivo, sem finalidade ou objetivo, chato, que não desejamos, a sensação temporal é enorme. Segundos passam como minutos, horas como dias, semanas como meses. Talvez algo relacionado com o sofrimento da mesmice, já que não gostamos desta, quer saibamos disso ou não. Já quando estamos fazendo algo produtivo, aprendendo, conhecendo, rindo, chorando, experienciando, enfim, vivendo, a sensação temporal diminui. O tempo vai embora como em um piscar de olhos. O tempo efetivamente passa, nossas vidas caminham à frente de nossos olhos, vemos ela crescer, andar. As rodas denteadas do relógio do viver se mexem. Estamos em movimento, galgando degraus rumo à finalidade de nossa existência, em minha concepção: a evolução, a compreensão em menor escala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi dessa maneira que sempre procurei navegar minha nau, por mares revoltos e desconhecidos. Sempre exigindo o máximo em intensidade, aceitando os desafios, desbravando o novo. Sempre em movimento, navegando por lugares que eu não conhecia afim de adquirir maior experiência, percorrer as maiores distâncias possíveis. Entretanto nestas últimas semanas a tormenta foi grande. Desafios enormes na área profissional ajuntados a uma reviravolta na esfera pessoal. Como poderia abrir mão dessa vivência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com muito pesar aceitei a 'proposta' e mergulhei. Tive medo de me faltar o ar, de não conseguir subir à tona. Às vezes a superfície parecia longe, distante, apesar da profundidade ser tentadora. Confesso ter saído dos trilhos e quase perdi meu caminho. Mas felizmente isso tudo passou. Retomei o rumo, e penso ter expandido um pouco mais, às duras penas de uma grande insegurança emocional acerca do risco de se perder, meus horizontes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei aos trilhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107146265558267614?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107146265558267614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107146265558267614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_12_14_archive.html#107146265558267614' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-107135296745779489</id><published>2003-12-13T20:02:00.000-02:00</published><updated>2003-12-13T20:03:36.310-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Voltando, em breve...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-107135296745779489?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107135296745779489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/107135296745779489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_12_07_archive.html#107135296745779489' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-10703110084030616</id><published>2003-12-01T18:36:00.000-02:00</published><updated>2003-12-01T18:37:24.920-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O tempo não passa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-10703110084030616?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/10703110084030616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/10703110084030616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_11_30_archive.html#10703110084030616' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106964162651572748</id><published>2003-11-24T00:40:00.000-02:00</published><updated>2003-11-24T00:40:55.420-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Parado temporariamente para reorganização........&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106964162651572748?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106964162651572748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106964162651572748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_11_23_archive.html#106964162651572748' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106929698297023752</id><published>2003-11-20T00:56:00.000-02:00</published><updated>2003-11-20T01:10:00.856-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.comunicativo.net/mini_galeria/images/basquiat-untitled_1981_jpg.jpg" target=main&gt;&lt;img src="http://www.comunicativo.net/mini_galeria/images/basquiat-untitled_1981_jpg.jpg" width=200&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;        Breve post pessoal&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Há épocas da vida em que ocorre intensa sublimação, intensa transposição de regras, realização de desejos. Um fluxo emocional descomunal atravessa nossas almas, avassalador, intenso, delicioso. Perdemos as rédeas, os cavalos do impulso humano são fortes demais e tomaram seu próprio rumo, eu os deixei correr demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sublime, soberbo, pleno. Fases da vida que servem para dar uma reviravolta dentro da sua cabeça. Te dão um golpe por dentro, despertam a essência vital, gritam por dentro que você está vivo e te oferecem a torrente indomável e calorosa da emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um ponto crucial está logo à frente e não posso me descontrolar. Não posso seguir à esmo, sem destino. É preciso retomar a liderança, voltar a ter controle da própria vida e seguir o caminho que eu estava cursando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos por enquanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ref.: Jean-Michel Basquiat - Sem título [1981] )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106929698297023752?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106929698297023752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106929698297023752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_11_16_archive.html#106929698297023752' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106904260453730425</id><published>2003-11-17T02:16:00.000-02:00</published><updated>2003-11-17T02:18:14.610-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.terra.com.br/istoe/" target=main&gt;&lt;img src="http://www.terra.com.br/istoe/1781/fotos/capa_especial_01.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Apenas um comentário sobre um tema em voga, o &lt;a href="http://www.terra.com.br/istoe/" target=main&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;assassinato do casal de namorados&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;em Embu-Guaçu, que suscitou inúmeras polêmicas. O que talvez seja revoltante seja a questão da punição do menor de idade Champinha que ficará apenas 3 anos detido na Febem, sob 'proteção' do estatudo do Menor e do Adolescente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho de fato temeroso certos argumentos daqueles que defendem a redução de penalidade para menores de que a pessoa antes dos 18 anos não está com o seu mecanismo de controle de impulsos plenamente desenvolvido. Como se de repente, na noite de seu aniversário, o assassino virasse e pensasse consigo mesmo: 'Bom, agora não serei mais frio e cruel e me tornarei uma pessoa correta'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se assim fosse, com certeza uma grande parte da população carcerária teria de ser removida para hospitais psiquiátricos, já que muitos lá dentro têm perfis de personalidade que podem ser considerados impulsivos, e evidentemente muitos podem ser enquadrados em transtornos de personalidade, como por exemplo o anti-social. A discussão se determinado tipo de personalidade pode ser considerado um transtorno é longa e não vem ao caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente esbarramos também nas rígidas regras que delineiam a maioridade penal. É evidente e torna-se até monótono afirmar que depende de cada pessoa, e como esta é a realidade, casos especiais como este deveriam ser julgados individualmente, mantendo-se um limite (os 18 anos) para constar como regra geral. Realizando um breve julgamento pelo que a mídia divulgou, o menor não era nenhum 'santo' e já havia cometido delitos antes de matar o casal de namorados. Não vejo diferença alguma entre um assassino de 20 anos que tenha tido um passado criminoso e ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a questão tenha mexido tanto com a população por ser um exemplo de um crime que além de não receber uma punição a título de exemplo para a sociedade (uma punição relativamente leve para um crime hediondo), não resultará em qualquer benefício à sociedade através de reintegração do menino à mesma ou tratamento psiquiátrico (o que seria mais adequado, ao que me parece), como lamentavelmente ocorre com 99% dos presos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso com relação ao que deveria ser feito, com relação à detenção. Quanto ao seu futuro, se isto passará não apenas para servir como exemplo mas que para o indivíduo isso seja bom e o reintegre na sociedade, cansativos clichês como 'reforma do Judiciário e do sistema prisional' devem deixar de ser termos de efeito em discursos demagogos para virarem realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(foto linkada ao site da &lt;a href="http://www.terra.com.br/istoe/" target=main&gt;Istoé/Terra&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106904260453730425?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106904260453730425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106904260453730425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_11_16_archive.html#106904260453730425' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106890008704459442</id><published>2003-11-15T10:41:00.000-02:00</published><updated>2003-11-15T16:22:23.326-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.magidson.com/warhol/image1/venus.jpg"&gt;&lt;img src="http://www.magidson.com/warhol/image1/venus.jpg" width=300 target=main&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;A desconstrução do desejo - o esvaziamento do homem contemporâneo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O existencialismo é um assunto muito em pauta hoje em dia. Filmes, livros, televisão sempre divagam sobre nossos objetivos, sobre a finalidade de nossa existência, sobre o que estamos fazendo no mundo; a que viemos. Desconstroem padrões da vida moderna, conceitos de felicidade, materialismo, valores como ganância e felicidade. Desconstroem a carreira que queremos seguir, a vida que queremos ter, a família que desejamos constituir, o carro que queremos dirigir, o status social que almejamos. Tudo jogado fora, tudo colocado no mesmo nível de superficialidade, surgindo então a questão: mas por trás de tudo isso, qual o &lt;em&gt;real &lt;/em&gt;objetivo de viver? Como se todas as previsões e objetivos dessem certo e tivessem êxito, prevendo a chegada a esses patamares, tendo atingido todos as finalidades, a pergunta recai sobre o que virá depois, o próximo passo além da utópica plenitude. 'Depois que eu fôr o chefe do meu setor, o que virá depois?' Não tendo resposta para essas perguntas projetivas, o indivíduo percebe falsamente um esvaziamento de toda a sua gana, de toda a sua vontade em conseguir o que deseja. Pensa que é tudo fútil, vazio, sem finalidade, ou apenas com finalidade aparente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o olhar antropológico, vemos uma grande mudança do ser humano a partir do final do século XIX. A Revolução Industrial trouxe consigo mudanças estruturais não apenas na produção econômica, mas também na maneira de pensar, na política, na maneira de se viver, no funcionamento da sociedade. O trabalhador não mais produzia cadeiras para alguém sentar, mesas para se comer, porcelanas para se despejar bebidas, a manufatura se esvaia e escorria pelas mãos da mais-valia, da crescente necessidade em produzir cada vez mais; o trabalhador então apertava parafusos, pressionava botões, &lt;a href="http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_21_ensaiosmeus_archive.html#106420165825726039" target=main&gt;acionava repetidamente mecanismos durante o dia inteiro&lt;/a&gt;. O trabalho, que sempre amparou a função social do indivíduo e lhe deu um papel, um lugar no mundo, agora perdia sua finalidade, ou pelo menos a tornava por demais camufrada. O indivíduo não sabia a que estava trabalhando, ou pelo menos os elos que ligavam o esforço ao fim social eram extensos e indiretos demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entramos então na era da divisão do trabalho, da produção em série, da falta de retorno social do trabalho; o objetivo deixou de ser o social para ser puramente, direto ou indiretamente, dinheiro e poder, e com ele trouxe ganância, frieza, indiferença. Grandes metrópoles surgiram, as que já existiam cresceram ainda mais, elefantes brancos do intercâmbio social onde muitos se aglomeram e se fazem presentes, mas poucos realizam trocas, poucos cedem, muitos se fecham e com o próximo pouco se importam, competição; períodos das grandes guerras mundiais, disputa pelo poder político e econômico. A ciência da mente começou a ter grande espaço então, adveio a psicanálise, os medicamentos psicotrópicos, tudo tentando acompanhar a patologia mental que veio a ser designada por muitos 'o mal do século' nas últimas décadas, a depressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A psicanálise infiltrou-se então sob toda e qualquer forma de ciência humana, 'desmascarando' o real motivo por trás do ser humano, suas reais intenções. E é nesse sentido que caminha o indivíduo na atualidade, indagando qual sua finalidade, seu objetivo, o motivo de sua existência. Como a produção individual perdeu muito de suas características, muito da sua energia social e de sua finalidade, a pessoa agora sem objetivo se vê obrigada a refletir sobre o que está fazendo, e para quê. Pergunta-se sobre o vazio de seus atos. Impulsionada então pelos diversos fatores e por toda a evolução antropológica delineada acima, a depressão desponta apoiando-se no existencialismo negativista e na anedonia provocada pelo vazio da vivência e fim social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria tolice afirmar isto como sendo o fator único, mas com certeza tem um peso grande na etiologia do mal estar da humanidade. Entretanto um passo para o inferno foi dado, e muitos conseguem sair e voltam deste muito melhor, muito mais fortes. Não é o que está acontecendo, infelizmente. O 'desmascaramento' é feito por reflexões e auto-questionamentos existencialistas, desconstrução, levando a pessoa (dependendo do modo como esta vê o fato) ao fundo do poço; mas esta toma a máscara como algo ruim e esquece de vesti-la novamente; como se a fantasia da última fosse nociva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser humano sempre foi uma criatura que teve de lidar com a falta. A abdicação do seio materno, a castração e outras teorias psicanalistas que não vêm ao caso sua discussão no momento. Mas fato é que somos constituídos pela falta. E é exatamente esta que nos move, que nos dá a energia vital. Se não tivéssemos nada para correr atrás, ficaríamos estáticos, nosso movimento vital seria nulo. Não teríamos nada o que buscar. Precisamente é o que ocorre na depressão, na anedonia, para a qual as infindáveis indagações filosóficas contemporâneas contribuem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desconstrução dos objetivos vitais e das finalidades deixa o indivíduo sem o que correr atrás; sobrevém a anedonia, não há a falta, surge a depressão. 'Quero comprar X carro por que a mídia me inunda com propagandas', 'desejo cursar tal carreira porque me foi imposto que era algo que dava status, poder, algo glamouroso', 'sou assim por determinado problema com os meus pais', e assim por diante. A desconstrução do desejo é realizada sistematicamente esvaziando/expondo o conteúdo real e subjacente de cada objetivo. Como em protesto, por exemplo para afirmar a individualidade, nos revoltamos e revogamos toda essa linha a ser seguida, objetivos 'outorgados'. Esvazia-se o indivíduo, perde-se sua função.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos move é o desejo. Se existe um desejo, é porque algo está faltando. Quando esvazia-se o propósito de ir atrás do que está faltando, some o desejo. Não tendo desejo, não há nada o que nos mova. Morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paradoxalmente somos inundados pelos símbolos de bem-estar e prazer do mundo moderno; padrões de vida, sonhos de consumo, status, poder. Não obstante, quando a máscara que moldou a pessoa durante toda a sua vida, delineando o que é bom, o que é ruim, o que se quer e o que não se quer, cai, o indivíduo perde o rumo. Seu chão some, e ele desaba. Quando todo o funcionamento da sociedade é desmantelado e mostrado sem sua roupagem, perde-se o horizonte, já que todos os padrões pessoais têm de ser relativizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é o problema em ter como objetivo de vida algo material? Qual o pecado em estabelecer como meta um cargo profissional com status elevado? Que mal faz ter como finalidade a construção de uma família nos moldes do 'american way of life', as típicas famílias sorridentes consumistas americanas? Sob certo ponto de vista, sob certa óptica, podem parecer ilusões, prazeres impostos, coisas disseminadas no imaginário coletivo como prazeirosas pela mídia e pela cultura. Mas antes isso do que nada. Antes ter algo a que correr atrás do que viver anedonicamente perguntando o motivo de sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que, como a atual humanidade, já realizei esta viagem existencialista, porém soube aproveitá-la. Desconstrui muitos de meus desejos, vendo que os mesmos eram simples padrões e símbolos que a sociedade impregnava na cultura, mas não que isso tenha bastado para que eu me esvaziasse de propósito e me destituísse deles. É claro, elaborei outras finalidades que a meu ver são mais consistentes. E mesmo antigas ganas que eu tinha encontraram outros caminhos, mais 'verídicos' assim por dizer, para que achassem um &lt;em&gt;locus&lt;/em&gt; na minha existência. Não abandonei muitos de meus sonhos, apenas encontrei lugar para eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A humanidade deu o primeiro passo; por diversos motivos como abdicação social, mudança da sociedade para um padrão de desvinculação social do trabalho e esvaziamento de sentido deste, entre outros, está cada vez mais disseminada a idéia de desmascaramento do desejo, dos objetivos e padrões que existem na cultura. Entretanto a compreensão, alvo insaciável da natureza humana, gerou revolta e negação destes. O homem moderno se esvaziou. É preciso agora ressignificar todo esse conteúdo desconstruído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diga-se de passagem, ainda acho que seria fantástico ter uma Ferrari para dirigir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ref.: Birth of Venus (after Boticelli) - &lt;a href="http://www.warhol.org/"&gt;Andy Warhol&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106890008704459442?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106890008704459442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106890008704459442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_11_09_archive.html#106890008704459442' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106868951311134718</id><published>2003-11-13T00:11:00.000-02:00</published><updated>2003-11-13T01:00:25.130-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/matrix-2/matrix-2-poster01.jpg" width=100&gt;  &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Falha de caráter &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Apenas retomando, o enfermeiro chegou na segunda-feira com outra cara. Totalmente aliviado e sorridente, parecia outra pessoa. No final de semana havia descansado, saído com uns amigos, enfim, foi se divertir. Não lhe bastaram as palavras de amigos, não lhe bastou o bom senso, não lhe bastou a permissão e conselho inclusive de seu chefe para que tirasse o final de semana para descansar; necessitou de um 'parecer médico' para que, na última hora, caindo perante suas obrigações e imposições, se desenrolasse de suas exigências e de sua disciplina desistindo do trabalho que teria de fazer no sábado. Precisou de uma condição de saúde que justificasse sua falta de presteza, sua 'falta de caráter'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me então de um texto que escrevi &lt;a href="http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_26_ensaiosmeus_archive.html#106718424310296831" target=main&gt;aqui &lt;/a&gt;faz já algum tempo sobre felicidade; sobre como eu era feliz em momentos de liberdade, de escolha, de falta de responsabilidade, de falta de rumo e direção. O poder de opinar, ou mesmo de não opinar. A escolha. E esse diálogo existencialista, guardadas as devidas proporções &lt;em&gt;holliwoodianas&lt;/em&gt;, se delineia sobretudo no último episódio da trilogia Matrix, assim como em muitos outros filmes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito poderia ser discutido sobre ele, que apesar das explosões, dos excessivos efeitos especiais, lutas e destruição que todo filme americano comercial tem o direito de ter (o que me fez não gostar muito dele, especialmente do último que enfatiza demais esse caráter holliwoodiano), ainda leva um certo questionamento existencialista/filosófico aos que o olham com um pouco mais de atenção. Não se compara a um Stanley Kubrick ou a um David Lynch, mas pode-se pensar muito sobre a proposta de Matrix. Mas o que me chamou a atenção, obviamente por circunstância do que ocorreu semana passada com o enfermeiro, é a questão que os irmãos Wachowski colocam sobre a escolha, sobre o poder de decidir seus próprios caminhos. Em linhas muito gerais, joga por terra toda a ilusão sobre sentimentos, objetivos profissionais, materiais que no fundo se revelam vazios, segundo eles. A verdadeira essência estaria na escolha, na decisão. Discutível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale colocar que a escolha só traz essa satisfação por que temos a proibição. Sem a proibição não haveria o prazer da decisão, o prazer da liberdade. O sentimento de completude ao se superar um obstáculo, ao se fugir do que lhe é outorgado, ao sair do trilho só existe porque efetivamente há um trilho. Se este não houvesse, 'perderia a graça'. Se o acesso a determinado objetivo fosse fácil e alcançável por todos, a satisfação seria menor, ou quem sabe até nula. Exemplificando, tomando-se cuidado para não cair na abominável mania da relativização de tudo, uma pessoa que sai todos os finais de semana à noite não aproveita tanto uma boate o quanto o enfermeiro aproveitou esse sábado. Era visível o quanto o último se sentia mais aliviado por ter tirado sua máscara de disciplina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mesmo já me encontrei em situações similares. As próprias viagens e escapadas do dia-a-dia que eu relato como sendo fantásticas não seriam tão prazeirosas se eu não tivesse uma rotina. Prova disso é que em uma viagem que fiz que durou 40 dias, ao final destes já me encontrava atordoado por não ter estabelecido nenhuma rotina nos lugares pelos quais passei; me incomodava esse fato, e já me fazia falta (quem diria) a boa e velha rotina. (Seria talvez uma fraqueza de caráter minha?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que pese o bom senso, um equilíbrio entre a obrigação, o roteiro, a responsabilidade e a liberdade, a alforria, o extravazamento é sempre de bom tom. Como um amigo havia comentado, a 'falha de caráter' tem de se fazer presente em algumas horas. Não podemos atravessar um oceano inteiro mergulhados nas águas das regras, da imposição e da obrigação, é necessário que tomemos fôlego para que possamos completar a jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rigidez contra a 'falha de caráter'. Alguns pecam pelo excesso, outros pela ausência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106868951311134718?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106868951311134718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106868951311134718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_11_09_archive.html#106868951311134718' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106851348446859165</id><published>2003-11-10T23:18:00.000-02:00</published><updated>2003-11-10T23:18:02.060-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Site de amigo meu adicionado a barra lateral: &lt;a href="http://www.cafecoca.com.br" target=main&gt;Cafecoca&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106851348446859165?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106851348446859165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106851348446859165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_11_09_archive.html#106851348446859165' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106835194560562048</id><published>2003-11-09T02:25:00.000-02:00</published><updated>2003-11-09T02:44:46.520-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/pollock/pollock.eyes-heat.jpg"&gt;&lt;img src="http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/pollock/pollock.eyes-heat.small.jpg" width=100&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Batalha interna: um sargento às voltas com suas auto-imposições&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dando continuidade ao &lt;a href="http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_26_ensaiosmeus_archive.html#106756864449220431" target=main&gt;drama do enfermeiro &lt;/a&gt;que trabalha comigo, sexta-feira ele veio novamente me procurar. Visivelmente abalado, fechou a porta do consultório, sentou-se à minha frente e ficou calado. Pouco falava, e quando inquerido sobre alguma coisa sempre respondia com frases rápidas, curtas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas ficava ali, parado, de cabeça baixa. Pouco consegui arrancar dele no que talvez tenha sido uma consulta de aproximadamente uma hora. Dizia não estar pensando nada; mas olhava para baixo, balançava a cabeça, por vezes fazia menção de chorar. Uma hora chegou a derramar algumas lágrimas, mas continuava não conseguindo elaborar nada, imerso em uma intensa batalha interna que se revelou depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já havia escrito, por problemas pessoais que acabaram desencadeando uma crise de angústia nele, estava imensamente contrariado. Andou cabisbaixo a semana inteira. Estressado com o serviço (não tirava férias há mais de 2 anos) acabou brigando com uma pessoa que era uma espécie de refúgio para ele, um escape do ambiente profissional, uma descarga. Esta porta então se fechou, e além da mágoa pela desavença, fora superajuntada a pressão da profissão. Foi escalado para um trabalho no sábado, e chegando o final da semana, não estava suportando a idéia de perder seu período de descanso, de alívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que me procurou. Percebia pelas suas feições que por dentro se travava um intenso conflito. Sempre fora um profissional exemplar ao longo dos seus mais de 10 anos de carreira. Sempre 'durão', responsável, rude, inabalável aparentemente. Nunca deixou de cumprir uma obrigação, nunca pediu para que os outros tomassem seu lugar. E agora se encontrava em uma encruzilhada: estava terrivelmente amargurado, abalado psicologicamente. Entretanto sua disciplina, sua vida regrada, sua auto-cobrança não deixava que ele passasse esse trabalho de sábado para um colega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive de determinar que ele não iria fazer o serviço e eu mesmo me encarreguei de arranjar algum substituto. Era óbvio que ele não iria fazer isso, e mesmo assim, depois de muita relutância e conversa ele me perguntou, no auge de sua crise interna: 'O sr. acha que eu realmente tenho alguma coisa, algum problema médico? Isso é justificável?' Respondi que era evidente que ele não se encontrava em condições para cumprir suas obrigações, e que isso não era uma questão médica, era simplesmente de bom senso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível como um sofrimento pode ser agravado imensamente pelas exigências que nos impomos. Ele precisava realmente de um diagnóstico para concluir e ter uma justificativa para ficar angustiado? Precisava de um médico que lhe dissesse 'olha, você está abalado, não está em condições de realizar o trabalho de sábado'? A resposta: é lógico que não. Mas a palavra de um profissional de saúde, no seu modo de funcionamento, lhe serviu como uma exclusão de responsabilidade. Como um problema de saúde que pudesse 'inserir' em sua vida essa provável 'fraqueza de caráter' (termos usados pelo mesmo), que ele não se permitia ter. Uma questão que com certeza procurarei trabalhar com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exigências, obrigações, auto-imposições. Enfim, pedi que ele descansasse nesse final de semana e que pensasse em sua situação. Pedi para começar a elaborar seus problemas, etapa na qual eu iria tentar ajudá-lo. Espero que esteja melhor na segunda-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ref.: Jackson Pollock - Eyes in the Heat)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106835194560562048?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106835194560562048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106835194560562048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_11_09_archive.html#106835194560562048' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106817162901296476</id><published>2003-11-07T00:20:00.000-02:00</published><updated>2003-11-07T00:54:13.846-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Devaneio sobre Normal x Patológico&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Algumas questões deixadas em comentários me levaram a realizar um pequeno devaneio acerca do normal e do patológico, que já suscitaram inúmeros seminários e discussões para mim ao longo deste ano. Mas creio que este assunto não ficou muito claro no post anterior sobre o filme, e também é um tema complexo, inesgotável, e que com certeza rende riquíssimas argüições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O normal. Como a própria palavra diz, normal provém da norma. Norma seria uma regra geral, um padrão, uma mediana. A média dos valores normais. O afastamento dessa média, ultrapassando determinados limites seria caracterizado como anormal. Tomando como exemplo a aferição de altura com relação à idade em crianças: na puericultura há um gráfico onde colocamos a altura da criança e verificamos onde esta se localiza, em que percentil. As crianças ditas abaixo do percentil 2,5% de estatura para a idade são ditas de baixa estatura, anormais no sentido de média da palavra (fogem à média), assim como as que estão acima do percentil 97,5%. Este gráfico é elaborado através da mensuração da altura em crianças de uma determinada população padrão. As mais baixas obviamente compõem o percentil abaixo de 2,5%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o patológico é um conceito que envolve diversos outros assuntos. De forma alguma patológico seria o antônimo de normal. Muito pelo contrário, o anormal é um dos muitos componentes do patológico. Penso que no patológico entram quesitos como: anormalidade, funcionalidade, adaptação ao meio, bem-estar interno, queda com relação a padrões anteriores, auto-conservação (devem haver muitos outros fatores porém só me recordo no momento de ter pensado nestes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplificando; se uma criança está abaixo do valor da normalidade para a estatura dela com relação a sua idade, dizemos que ela é anormal. Porém, se ao longo de toda a sua vida ela sempre esteve nessa faixa de valor, pode significar que seja uma baixa estatura constitucional; ela sempre se enquadrou em determinado percentil, não houve variação em seus padrões anteriores; anormal, fora da média, porém não doente. Mas se ela sempre esteve no percentil 50% e de repente começa a cair para a faixa de valores de 20, 10 e 5% dizemos que algo patológico está acontecendo, que deve ser investigado. Além da criança cair para a faixa de anormalidade, houve uma mudança com relação a padrões anteriores e essa somatória resulta de uma patologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma maneira, é raro encontrar alguém que nunca tenha tido um resfriado. Creio que 100% da população teve um resfriado uma vez em sua vida. Podemos dizer então que o resfriado está dentro do normal, estar com resfriado é perfeitamente normal. Entretanto é patológico. Seja pela mudança de padrões anteriores de funcionamento fisiológico, seja pela introdução de um agente microbiano novo, seja pela falta de funcionalidade que algumas funções corporais atingiram. É normal, porém patológico pelos diversos fatores relacionados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um conceito um pouco mais complicado que gera muita discordância na psiquiatria: o luto. Considera-se o luto (claro, com uma certa flexibilidade devido às variações individuais) como o período de 2 meses após a morte de um ente querido. Durante este período os grandes tratados de psiquiatria aconselham a não introdução de medicação anti-depressiva para a pessoa, já que é normal um quadro depressivo nesse tempo. Entretanto, se após determinado tempo estipulado pelo examinador de acordo com cada um, a pessoa mantiver ou começar a apresentar sinais de anedonia, humor depressivo, hipersonolência, etc, etc e outros quesitos que preenchem o diagnóstico de depressão, deve ser introduzida medicação. Se ela não se encontra como estava antes do luto com relação à sua função psíquica (preenchendo critérios diagnósticos psiquiáticos, evidentemente, pois a perde de pessoas pode gerar seqüelas que não desaparecem), se ela foge a um tempo de recuperação dito 'normal', e se há uma angústia, um mal-estar interno que a atormente, podemos classificar como um comportamento patológico. Esta deve ser tratada como tendo um episódio depressivo. Discutível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas com patologias psiquiátricas e desvios ou transtornos de personalidades podem ser observadas na mídia. Cantores de rock e atletas do futebol com padrões antisociais; médicos, sobretudo cirurgiões, com um certo aspecto de obsessividade-compulsividade; empresários e econimistas com traçoes maníacos; policiais e pessoal de segurança com problemas relacionados à autoridade. Cansamos de ver pessoas que podemos classificar como 'peculiares' pelos seus modos de funcionamento. Entretanto, estas estão adaptadas. Em um batalhão de exército por exemplo podemos observar várias pessoas das partes mais altas da hierarquia com sérios problemas de autoridade, entretanto elas estão adaptadas em seu meio e não são consideradas patológicas. Entretanto, a partir do momento em que saem do quartel e adentram o mundo civil, querendo mandar em pessoas e dar ordens que não procedem, querendo impor autoridade onde não lhes é permitido, aí surgem os problemas: abuso de poder, descontrole, impulsividade, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como um peixe fora d'água, como se retirássemos a pessoa adaptada, onde fazia parte de uma média, para um lugar onde ela fosse arrastada para o anormal, e assim não se adaptasse. Outros dois quesitos preenchidos que classificariam esta pessoa como tendo uma patologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, a patologia é um conceito muito amplo, que aglutina a questão da anormalidade, e não se encerra apenas nesta. Cada caso deve ser examinado singularmente, e mais de um quesito deve ser preenchido para classificar o estado da pessoa, físico e/ou mental, como patológico e não, evidentemente, apenas o afastamento da norma. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106817162901296476?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106817162901296476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106817162901296476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_11_02_archive.html#106817162901296476' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106792291068025303</id><published>2003-11-04T03:15:00.000-02:00</published><updated>2003-11-04T03:17:53.790-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.uol.com.br/bichodesetecabecas/img/imagemprincipal.gif"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;    Trabalho sobre filme: Bicho de Sete Cabeças&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme ‘Bicho de Sete Cabeças’ suscita ao seu público inúmeras questões. É um filme que incomoda, que instiga, que traz idéias, contundente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das questões do filme é o conflito pai versus filho. Neto é um rapaz típico de classe média passando por seus anos de rebeldia característicos da adolescência. Discussões com os pais, a procura da liberdade, e, sobretudo a procura de uma identidade, de um lugar na sociedade. Entretanto Neto esbarra na frágil estrutura familiar que tem, onde há poucos diálogos entre ele e os pais; uma distância enorme entre ele e o pai, que mal o compreende e o ouve, e maior ainda com a mãe, que mal se pronuncia ao longo do filme, que assiste a tudo calada. O pai não sabe lidar com essa distância que ele mesmo impõe na relação, uma negligência; como se fosse uma distância que ao mesmo tempo o privasse da responsabilidade de participar da vida do filho, e que também o mantivesse sob sua tutela. Não suporta então a tentativa adolescente de desvinculo e ao menor sinal de ‘problemas’ na vida do rapaz institucionaliza o mesmo. Não há diálogo, há sempre repreensões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos notar que o filme traz nesse aspecto um retrato da fragilidade da estrutura familiar contemporânea. Por diversos fatores que não cabe aqui fazer rápidas hipóteses sob a pena de um reducionismo excessivo do assunto que merece uma análise profunda da sociedade, mas que podemos arriscar terem a ver com exigências cada vez maiores de trabalho para o ‘pai de família’, a falta de tempo e o estresse do homem atual, o papel deste acaba ficando fraco na educação familiar. A estrutura carece de uma posição mais forte por parte do pai. Esta carência é abastada então através das mais diversas maneiras, como se pode observar na internação errônea a que Neto é submetido. Othon Bastos protagoniza o pai ausente, o pai que não sabe lidar com o filho, o pai cujo ‘mundo é grande demais para o filho’, que procura substituir seu papel na estrutura familiar com a internação psiquiátrica. É dado então ao manicômio a função paternalista. Não é raro observarmos essa fragilidade da entidade família contemporânea em instituições fortemente paternalistas como, por exemplo, o serviço militar obrigatório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa questão do manicômio abrigando uma das muitas mazelas da sociedade, podemos partir para o critério de normalidade. A doença mental é uma patologia que pode ser enquadrada tanto na medicina/psiquiatria como na psicologia/psicanálise. Entretanto, em ambos os campos é caracterizada por forte subjetividade, como não poderia deixar de ser. Esta subjetividade traz uma certa necessidade de bom senso e critérios no diagnóstico da doença mental. O discernimento do que seria normal e do que seria patológico. Podemos inferir, guardadas as devidas proporções, que exatamente como em um exame de glicemia de um indivíduo deve seguir a um determinado valor de normalidade, que fora calculado através da mensuração e média de indivíduos ditos ‘normais’ constituindo a maioria absoluta da população por não apresentarem nenhum déficit fisiológico, nenhum prejuízo de função orgânica, podemos dizer que o critério de normalidade para o mental seria o bom senso, que nada mais é do que um código de padrões de comportamento e pensamentos aceitáveis, possíveis no que tange indivíduos sem prejuízo fisiológico ou funcional da capacidade mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes tais conceitos são confundidos com valores de julgamento, e a patologia mental, para o leigo (e para alguns profissionais mal orientados também) acaba sendo arraigada para o campo da justiça, dos valores morais. Foi o caso do pai de Neto que internou o filho por estar supostamente usando drogas. Não houve diálogo, não houve tempo para explicações, não houve discussão. Sua atitude rebelde, comum a qualquer adolescente, contribuiu para que seu pai o internasse e se ‘livrasse’ assim de sua responsabilidade paternal e delegasse esta função à instituição. É o caso também de maridos que internam esposas por desconfiarem que estas os estão traindo, é o caso de pais que internam filhas ‘namoradeiras’. A ciência mental trata do que é doente e não do que é imoral para pais, maridos e afins. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que seria o doente? Há muitos conceitos, muitas perspectivas, muitas formas de encarar a questão. Podemos ver o normal como uma média da população, a norma, sendo o patológico o afastamento da mesma, o conceito citado antes se aproxima muito disto; o doente pode ser visto como aquele que abriga um desconforto interno, um mal-estar psicológico; a adaptação de um indivíduo no meio, incluindo nesse aspecto o critério da norma citado antes, também desempenha um papel importante. Todas as definições e linhas de pensamento têm os seus prós assim como podem ser elaborados rapidamente casos em que a teoria cai por água abaixo. Aqui entra a eterna discussão sobre os ‘transtornos de personalidade’. Alguns autores acreditam que estas formas de personalidade não devam ser chamadas de transtorno. Talvez a adaptação tenha um papel importante na questão. Não é raro observarmos na mídia, nas grandes personalidades da TV, do esporte e do showbusiness pessoas que possam ser enquadradas em padrões borderline ou anti-social. Entretanto estão totalmente adaptadas, inseridas em um meio e com produção social. Sob esta visão, seriam todos os detentos de um presídio doentes mentais, por não estarem adaptados ou por serem prejudiciais à sociedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo temido por todos os profissionais da saúde, e ainda mais pelos usuários deste sistema, o erro médico é abominável e vira notícia de telejornal capaz de estarrecer e causar reprovação à todos. Por que essa questão do erro não pode ser expandida para o contexto da doença mental? É por isso que no âmbito das tênues linhas que delineiam o normal do patológico deve-se ter especial atenção acerca do uso de medicações psicotrópicas. Medicações que controlam o humor, medicações sedativas, ansiolíticos, uma gama enorme de fármacos capazes de alterar as funções cerebrais, capazes de alterar o comportamento, o fluxo de idéias, os sentimentos. Deve-se tomar muito cuidado também na administração indiscriminada dessas substâncias. Observar se o que é analisado é realmente uma alteração que adveio sem motivo aparente, sem uma razão ou motivo considerado ‘normal’ para aquela pessoa, algo diferente que emergiu no indivíduo, ou se é um padrão característico daquela pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Bicho de Sete Cabeças’ nos incomoda, nos joga uma realidade na cara que não queremos ver, que nos escondemos. Da mesma maneira que nos sentimos seguros com os muros de penitenciárias que abrigam os marginalizados pela sociedade, os criminosos, da mesma forma que continuamos seguros e confortáveis em nossos lares sem ‘ter que pensar’ o que se passa dentro de uma prisão, nos sentimos também confortáveis com os manicômios. Estamos felizes por saber que as mazelas têm um destino, os imorais nas penitenciárias, e os ‘sociopatas’, no sentido amplo da palavra, no hospital psiquiátrico. Os excluídos têm um paradeiro onde podem ser agrupados e afastados do convívio social. Da mesma maneira que a criminalidade é um problema político e social, assim também o é a doença mental, visto que esta tem um componente social importante em sua patogênese. Não podemos ser ausentes como o pai de Neto. Não podemos nos ausentar e deixar que a sociedade se institucionalize. Estudos de importantes revistas científicas (New England Journal of Medicine) já apontam a depressão como a segunda patologia mais prevalente em clínica médica, perdendo apenas para a hipertensão. Avaliam que 10% da população tem pelo menos um episódio depressivo em toda a sua vida. Seria a solução, como dizem muitos, a ‘colocação de anti-depressivos na caixa d’água da cidade’? Talvez a sociedade, sem intervenção, praticante da ausência e da passividade, esteja caminhando para um lugar onde depressão não será mais considerada doença.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106792291068025303?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106792291068025303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106792291068025303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_11_02_archive.html#106792291068025303' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106779546345715455</id><published>2003-11-02T15:51:00.000-02:00</published><updated>2003-11-04T03:02:30.520-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Violência urbana&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Falando tanto de violência, e ontem fui vítima de uma das mais comuns modalidades de violência urbana: seqüestro relâmpago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já é a terceira vez que acontece comigo, mas como sempre não houve qualquer tipo de injúria física ou algo parecido. Levaram até que pouco dinheiro, celular, relógio. Durou cerca de uma hora. Não chego a dizer que foi uma hora de medo, pois consegui estabelecer uma relação razoável com os assaltantes (!?!?), mas foi uma hora de &lt;em&gt;ódio&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível como toda a conversa, racionalização e teorização desse impulso primordial acaba quando estamos em situação adversa. Foi nessa hora que pensei que havia feito planos de esconder uma arma no carro, e que se o tivesse feito o evento de ontem não teria tido o mesmo desfecho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a raiva, o ódio, o indivíduo sendo privado de sua liberdade, um estranho dirigindo seu carro, roubando as suas coisas, o sujeito sendo contrariado, impotência, tudo isso aflorando no ódio em sua forma pura, a ponto de me fazer pensar em sacar uma arma, se a tivesse em mãos. Toda a elocubração do ser pensante vai embora para dar lugar ao ser animal, ao irracional do mamífero bípede que foi ultrajado em sua liberdade, que foi invadido em seu espaço físico, que luta pela sua sobrevivência. As raízes são fortes demais, e quando incomodadas não fazem economia para se mostrarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado tudo, posto a cabeça no lugar, volta a idéia de que com certeza nada disso teria valido a pena. Não pelo dinheiro ou pelo celular ou pelo relógio, não por qualquer bem material, mas não teria valido a pena por causa das conseqüências na minha consciência. A vida de alguém, por pior que o indivíduo seja, não vale apenas isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto a rotina, mas agora com as piores seqüelas, que de longe não são as coisas físicas que me foram tiradas: medo, desconfiança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106779546345715455?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106779546345715455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106779546345715455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_11_02_archive.html#106779546345715455' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106756864449220431</id><published>2003-10-31T00:50:00.000-02:00</published><updated>2003-10-31T00:56:27.913-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Hoje fui abordado após o expediente por um sargento que dizia estar com problemas. Ele trabalha lá na sessão mesmo, e veio conversar comigo sobre problemas pessoais. Teve um atrito com uma pessoa que gostava, enfim, acabou pisando na bola com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos por uma hora conversando, ao final do que ele se sentiu um pouco aliviado. Apenas um pouco, é claro, já que o problema de fato não havia se resolvido. Fico pensando em como de repente o papel do psiquiatra acaba se confundindo ã s vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que em um &lt;em&gt;seting &lt;/em&gt;ambulatorial acabaria trazendo uma certa evitação, no lugar onde eu trabalho é ao contrário. Pessoas sempre evitam procurar ajuda psiquiátrica/psicológica e ainda existe um grande preconceito contra esses profissionais da saúde. Claro, melhorou muito, mas acredito haver ainda bastante resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acabo me deparando, não sei se pela comodidade de ter um médico atuante nessa área à  disposição, com essa procura por parte do sargento. Uma pessoa austera e disciplinada ao extremo, que mal fala direito com os subordinados, me procura e expõe questões totalmente pessoais, que nem eram de ordem psiquiátrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei muito de sua atitude e me senti muito útil em poder ajudá-lo mesmo que tenha sido muito pouco, relativo a uma questão não-médica. Acho cômico como essa posição de 'médico das idéias' pode acabar se expandindo para outras áreas, a ponto de o sargento vir falar comigo de uma forma tão pessoal, e nós que dialogávamos muito pouco acabamos tendo uma conversa que muitos amigos não tem entre si.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106756864449220431?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106756864449220431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106756864449220431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_26_archive.html#106756864449220431' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106739151800991988</id><published>2003-10-28T23:38:00.000-02:00</published><updated>2003-10-29T00:51:27.583-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://gseweb.harvard.edu/news/images/violencia.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   A violência sublimada&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Retomo aqui um assunto que discuti em um post que gerou uma certa resistência/discordância entre os leitores. Nada mais natural, já que não exponho aqui minha vida cotidiana e trata-se de um site por demais impessoal, no qual procuro apresentar idéias e, dessa maneira, discuti-las. Meu intuito é discuti-las e mexer com as pessoas, ou fazer com que a discussão mexa comigo, enfim, que cresçamos e nos aprimoremos na arte de observar o mundo e viver a vida. Se escrevesse sobre pontos pacíficos não teria razão para escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Violência. Re-editando algumas palavras escritas no &lt;a href="http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_12_ensaiosmeus_archive.html#106599317359262281" target=main&gt;'ensaio sobre o ódio'&lt;/a&gt;, podemos caracterizar a violência como basicamente um escoamento motor de nossas mentes. Incongruências, angústias, atritos e conflitos internos que podem (ou não) achar um meio de saída por exemplo através da violência; expressão da raiva, do ódio em forma física ou verbal contra algum outro, ou alguma outra coisa. Não é à toa que indivíduos submetidos ao grau máximo de estresse mental tendam a 'explodir': gritar com alguém, xingar o próximo no trânsito (onde aliás muitas das tensões diárias da vida metropolitana são descarregadas, o que seria assunto para outro post), quebrar objetos, chutar portas de carros, bater nas paredes, atirar copos no chão, chutar um saco de areia no treino de artes marciais, e um rol enorme de atos na qual a violência pode ser observada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partindo da origem desse sentimento, podemos classificá-lo claramente como uma pulsão humana, um instinto animal. Podemos inclusive colocá-la no grande grupo das pulsões de auto-conservação. É nos animais que podemos mais claramente respaldar essa teoria, observando a raiva, o ódio, a violência sendo descarregada quando há alguma ameaça à existência: seja um risco à vida, seja uma luta para delimitar o território, seja uma disputa pela fêmea do bando, e assim por diante. No reino animal esse tipo de conflito é resolvido motoramente, fisicamente: através da briga, da violência. Encontramos até respaldo fisiológico na pulsão de violência como algo necessário a sobrevivência, onde o corpo é exigido ao máximo nos seus quesitos de produção física/muscular: vasodilatação, contração muscular, contração de esfíncteres (para permitir a fuga), taquicardia, aumento do débito cardíaco, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é difícil transpormos esse instinto animal para o homem, já que primeiro somos animais mamíferos para depois sermos o homem 'penso logo existo'. Entretanto, vivemos em sociedade; e neste modo de funcionamento não há espaço para a violência propriamente motora, puramente animal. Não se pode sair batendo naquele que não gostamos, ou no competidor que disputa uma vaga de emprego, ou matarmos a pessoa que acidentalmente te fechou no trânsito, ou mesmo esmurrar o vizinho que incomoda com o som alto. Em prol teoricamente do respeito ao próximo, da ajuda mútua, da manutenção das liberdades individuais igualitárias, não podemos invadir o espaço físico do outro, não podemos afetar a integridade física alheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é resolvido a questão da pulsão de violência? Não podemos armazená-la por total ou seríamos todos neuróticos. Daí vêm as formas de sublimação deste desejo, deste ímpeto, desse instinto nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os conflitos do trânsito com pessoas se agredindo, se xingando, se matando; o crescente número de pessoas que fazem artes marciais, que sempre quando perguntadas sobre o esporte falam de filosofia e coisa e tal, suspeitamente nunca falando sobre as técnicas e lutas (que são o objeto principal da categoria) como primeiro lugar...; os programas de televisão que mostram cada vez mais campeonatos de 'vale-tudo' onde uma multidão aplaude duas pessoas se batendo até sangrarem em um ringue; os filmes de cinema e TV onde há muita explosão, muitos tiros, muitas mortes, inúmeras perseguições e batidas entre carros; os shows de rock onde a tribo de enfurecidos adolescentes entra na arena para se debater com os companheiros de época de vida; os estádios de futebol onde, quando além de o grito ser descarregado no campo, muitas vezes a raiva passa para fora do estádio em brigas e algazarras. O espetáculo da destruição está por todo o lado, difundido e arraigado em nossa cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um mecanismo muito semelhante ao sonho na psicanálise. Sonhamos com os desejos que nos foram incitados durante o dia e suprimido pelo aparelho psíquico. Ver a um filme do Bruce Willis é como sonhar; é entrar na tela, pegar a arma nas mãos e descarregar todo o conteúdo latente de violência que você recalcou contra o seu chefe, contra a sua mulher, contra o computador que não funcionou, contra a impressora que não imprimiu, contra o carro que foi roubado. Em um mundo racionalizado cada vez mais competitivo, esse impulso é cada vez mais incitado. A violência para a defesa da existência própria, para a soberania na disputa é cada vez mais cutucada. Como essa descarga não pode ocorrer fisicamente partimos para os 'sonhos'; as maneiras sublimadas de extravazar essa pulsão tão básica e essencial nos seres vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi um dos aspectos dessa 'sublimação' que abordei no post &lt;a href="http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_12_ensaiosmeus_archive.html#106636575433489999" target=main&gt;'glamourização do crime'&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não coloco qualquer valor de julgamento nesse mecanismo. Ou seja, quando falo nas formas de escape da violência, não as critico. Muito pelo contrário, acho que elas são indispensáveis para nós. Eu particularmente assisto a todos os filmes do Bruce Willis e adoro filmes de ação. Prefiro que todos estejam no cinema ou assistindo televisão do que todos ofendendo a integridade física alheia. É uma forma bem resolvida de poder sonhar, de poder descarregar e devanear com os instintos mais primais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Foi realizada uma reportagem no terra.com.br sobre a &lt;a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI196306-EI306,00.html" target=main&gt;ética na TV &lt;/a&gt;nos quais um dos aspectos foi justamente este, o da violência na televisão. Mas afinal: não há ninguém obrigando o cidadão a colocar em este ou aquele canal. Indo mais adiante, não há ninguém forçando o indivíduo a assistir TV. Mas isso fica para uma discussão a posteriori.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106739151800991988?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106739151800991988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106739151800991988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_26_archive.html#106739151800991988' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106718424310296831</id><published>2003-10-26T14:04:00.000-02:00</published><updated>2003-10-26T17:03:51.340-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://cybermuse.gallery.ca/cybermuse/showcases/transformed/sculpture/bourgeoisArch_e.jsp" target=main&gt;&lt;img src="http://www.uol.com.br/23bienal/especial/images/ebo14g.jpg" width=250&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Malha Metálica&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em um &lt;em&gt;flashback &lt;/em&gt;que fiz sobre minha vida, acabei descobrindo que as melhores épocas desta foram aquelas em que eu estava 'livre'. Os melhores momentos se passaram, as melhores músicas foram ouvidas, as pessoas mais interessantes foram conhecidas, os mais fantásticos lugares, os momentos mais ternos que muito me marcaram e ainda deixam aquele aperto no coração; tudo isso se passou nas épocas em que eu me destituía de minha armadura e aproveitava a vida, satisfazia minhas vontades, saía sem rumo. Sem obrigações. Sem responsabilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente esses momentos são poucos e não duram para sempre. Não sei se é isso que faz o encanto deles; não sei até que ponto damos demasiado valor às épocas de liberdade devido ao contínuo de exigência e objetivos que nos impomos na maior parte do tempo. Afinal, também é muito bom poder traçar uma linha em sua vida. Poder seguir um caminho e chegar ao final, abrir a porta no fundo do corredor e saber o que está do outro lado. Não é ruim concentrar responsabilidades, não é ruim ter obrigações, desde que saibamos lidar com elas. Como é bom almejar, desejar intensamente algo, ir atrás, batalhar, lutar, se encher de trabalho, de exigências, de privações para finalmente conseguir alcançar o inalcançável. Sob certo ponto de vista, isso não deixa de ser uma forma de liberdade também... Liberdade de poder escolher o seu destino, e saber que este é viável. Correr atrás do que se quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como é difícil tirar essa armadura. Tarefa árdua a de retirar a carapaça fortemente encravada em nossas entranhas. A qual algumas pessoas sequer sabem viver sem; ficam atordoadas, ficam sem destino, sem rumo, sem propósito e questionam sua existência quando todo esse peso de obrigações, objetivos, estilos e padrões de vida é retirado. Quando abrimos a manta metálica por detrás do sujeito para vermos quem ele realmente é. Qual o seu propósito. Pergunta que muitos não sabem responder, talvez nem eu mesmo o saiba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo de abrir a malha metálica e ver um vazio. Olhar para dentro e descobrir que nada há. Que o que se é se deve apenas ao que lhe foi imposto. Ou o contrário, ou mesmo olhar o vazio e enchê-lo de substância vital vigorosa. Uma viagem que muitas vezes não tem volta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que eu quero ser um advogado renomado, conhecido por todos, com um bom status? Por que quero ser um médico importante, ser dono de tal serviço e ser referência? Por que quero ter uma família padrão com filhos bonitos que estudem em bons colégios e que depois façam faculdades conhecidas? Por que quero ter um carro bonito na garagem, um apartamento em um bairro bom e eletrodomésticos de última geração? Quem me disse que isso é bom, quem me falou que eu tenho de chegar a esse &lt;em&gt;locus&lt;/em&gt;? De onde vem isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou a favor de nenhuma anarquia mental. Não acho que devamos todos nos revoltar e nos destituir de sonhos e &lt;em&gt;standarts &lt;/em&gt;do mundo moderno que viraram estigma na vida do sujeito contemporâneo. Acho muito importante o estabelecimento de objetivos, mesmo que esses sejam fictícios ou outorgados. Mesmo que não se consiga alcançá-los, pode-se passar uma vida inteira sendo feliz pelo simples fato de estar no caminho para atingi-los. Aprecio aqueles que tem planos de vida simples; não sou daqueles que abominam as pessoas sem atitude política, sem consciência social, sem ganância, sem ambições, etc, etc, etc. Até admiro muito os que conseguem achar felicidade nas coisas simples da vida. Qualidade essa que falta a muitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto não é incomum me deparar com angústias enormes em parentes, amigos, pessoas ao meu redor, sendo esmagadas pelas exigências. É como se a malha estivesse pesando muito, o metal começa a exercer força demais sobre o pobre corpo, que tende a desabar. O indivíduo some sob os pesados elos do aço, sucumbe à parafernalha que implementa cada vez mais a armadura, e deixa esta cada vez mais pesada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angústia por não conseguir alcançar determinado objetivo, por não atingir o padrão desejado (desejado por ele mesmo?), por não obter determinado objeto de consumo, por não estar no lugar onde queria estar, por não se destacar em tal área, por não ter aquele &lt;em&gt;status&lt;/em&gt;, e por aí vai, em uma incontável lista de níveis de exigência a serem atingidos. E provém a angústia da falta, a tristeza por não estar conseguindo atingir o patamar, quando esta pessoa devia se perguntar qual o real motivo desta busca incessante, e por que ela tem se tornado tão dolorosa, tão devastadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou contra o estabelecimento de objetivos, o desejo de padrões a que somos inundados pela sociedade, muito pelo contrário, acho isso essencial, mas a partir do momento em que estes começam a se transformar em uma jornada de dor e angústia, os conceitos de tal exigência devem ser revistos. Os verdadeiros por ques de tal necessidade. Se é realmente interna, ou vem do exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade. Abrir a malha. E sair correndo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ref.: Louise Bougeois - &lt;a href="http://"&gt;The Body Transformed&lt;/a&gt;; escultura: Arch of Hysteria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106718424310296831?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106718424310296831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106718424310296831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_26_archive.html#106718424310296831' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106704919869540420</id><published>2003-10-25T00:33:00.000-02:00</published><updated>2003-10-25T01:11:42.226-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Limites da doença mental&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Duas situações que aconteceram recentemente e que remetem ao discernimento entre o normal e o patológico na prática psiquiátrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o meu expediente fui chamado às pressas para atender a uma ocorrência. 'A mãe de um soldado morreu, ele está abaladíssimo! Faz-se necessária a presença do médico urgente'. Me procuraram o mais rápido possível por saberem da minha inclinação para a saúde mental. Levantei-me e me dirigi ao local onde o sujeito se encontrava. No caminho pensei: 'Mas para que seria necessário um médico?' Eu sabia que por mais triste que fosse e por mais que eu quisesse, não traria a mãe do soldado de volta. Entretanto fui chamado para auxiliá-lo e tomei o termo 'médico' como 'uma pessoa que possa dar um certo apoio moral e afetivo ao outro', e tentei cumprir a minha difícil tarefa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei-o sentado, aos prantos evidentemente. Uma cena muito triste, um notícia muito triste que ele acabara de receber. E nada mais natural do que colocar para fora todo esse choque emocional sofrido, toda essa tristeza e angústia que estava passando. Queriam que eu desse tranqüilizantes para ele, ao que me recusei. Para que? Dopá-lo? Impedir de ter sentimentos de uma pessoa normal? Já passei por isso, e já vi muitas pessoas passarem por esse momento e sei que o melhor a fazer nessas horas é o que manda o &lt;em&gt;script&lt;/em&gt;: chorar. Chorar agora para não ter que chorar depois... Enfim, evidentemente não realizei medicação nenhuma e pronunciei durante longos minutos palavras de apoio. Creio também não ter sido a hora exata, pois nesse impacto inicial, minutos após a notícia, nada se ouve, nada se quer ouvir. Se quer apenas que isso tudo passe o mais rápido possível. Vou chamá-lo mais tarde, quando voltar a ter ouvidos, para conversar novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro fato foi um sargento que me procurou por indicação de um amigo. Estava muito mal, encontrava-se abalado internamente. Uma longa história: há 10 anos fora largado pela esposa que fugiu para outra região. Esta então retornou, tendo em vista a criação do filho dos dois. Ficaram juntos como que por um pacto para criá-lo, um frio contrato para não prejudicar a criança. Agora esta mesma esposa, finda a educação da prole, colocou o marido na justiça; tomou tudo o que era seu, e pegou a guarda do filho para si. Deixou-o sem nada. O filho já 'mexe com drogas' e o sargento já foi chamado a delegacia para responder por ele. Inúmeros problemas que me relatou chorando, emocionadamente. Problemas que estavam confluindo em uma encruzilhada e estavam atormentando-o ultimamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse não ter forças mais para lutar contra a esposa, para retomar o que era seu de direito, e para readquirir a guarda do filho. Me disse estar muito deprimido, não estar dormindo bem, etc. Quadro de depressão? Talvez até fosse se ele não tivesse realmente um &lt;em&gt;motivo &lt;/em&gt;para estar desta maneira. Não notei nada de muito &lt;em&gt;endógeno &lt;/em&gt;em seu quadro emocional, nada de anormal. Assim como em qualquer manual de psiquiatria há o capítulo 'luto', onde não se recomenda a introdução de qualquer anti-depressivo após pelo menos 2 meses da morte de um ente querido por ser uma reação normal do ser humano, não poderia ser este conceito extendido para o que o sargento está passando? Creio existirem coisas piores do que a morte de uma pessoa amada, coisas muito piores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme 'Bicho de Sete Cabeças' faz muita conexão com esses momentos que vivi durante essa semana, de (possíveis)limites do tratamento mental. O que podemos sentir, e o que é considerado anormal? Seria o normal viver 100% do tempo feliz? Não teríamos o direito de ficar tristes, de chorar? Duas situações bem corriqueiras que postas aqui ficam claras as evidências contra a introdução de medicamentos psicotrópicos, tornando esta questão até ridícula à luz do presente relato. Mas que talvez não esteja muito clara em muitos profissionais da saúde. Aqueles que adoram o jargão de 'colocar anti-depressivo na caixa d´água da cidade'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me espantou o sargento me mostrar uma receita de anti-depressivo que tinha sido feita por um médico com o qual foi se consultar 2 dias antes. Pedi para que não tomasse a medicação e para que voltasse no começo da semana para uma conversa com mais tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106704919869540420?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106704919869540420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106704919869540420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_19_archive.html#106704919869540420' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106670658748890509</id><published>2003-10-21T01:23:00.000-02:00</published><updated>2003-10-21T02:06:47.180-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.uol.com.br/23bienal/especial/pege04g.htm"&gt;&lt;img src="http://www.uol.com.br/23bienal/especial/images/ege04.jpg" target=main&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Arte: do auto-retrato à abstração, um passeio pelo significado&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os movimentos artísticos pictóricos sempre foram sucedidos por movimentos literários. Foi assim com o romantismo, com a simbolismo e outros. Primeiro o movimento pictórico, a pintura e a escultura, para depois as novas tendências da arte englobarem também a literatura. Mas com a entrada do século XX surgiu uma forma de pensamento revolucionária e esta regra foi quebrada; a psicanálise foi inventada e suas idéias permearam primeiramente a literatura para depois serem expandidas à arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieram Dali com o surrealismo, Picasso com o cubismo, entre os mais conhecidos. Uma ruptura completa se realizou. Uma quebra que já estava germinando desde o impressionismo e expressionismo com van Gogh, Münch, Monet e Cezanne. Antes se pintavam figuras, representações. Paisagens, seres humanos, animais, vegetação. Enfim, coisas que continham uma representação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se olha uma palavra escrita, quando se ouve um determinado som em forma de palavra, quando se observa um quadro simbolista que contém uma combinação de tintas e formas na tela que forma uma figura, uma imagem vêm a nossa mente. Uma representação aparece em nosso interior, e temos uma 'idéia' do que seja aquilo. Assim são os auto-retratos, assim são as telas renascentistas. Pitam a verdade, se incumbem de representar a realidade assim como ela é: não há grandes dificuldades em olhar um Da Vinci e saber 'o que' está pintado ali, encontrar formas semelhantes (uma mulher na Mona Lisa), padrões de representação; significados. O máximo que ousaram foi inventar seres fantásticos, mas mesmo assim misturando aspectos reais de várias figuras; homens com asas, minotauros e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do tempo, devido a inúmeros fatores, dentre eles o advento da fotografia que tornava a representação do real em telas um tanto obsoleta (à exemplo dos auto-retratos), começaram a aparecer as visões abstratas da realidade. São assim os quadros impressionistas e expressionistas da transição século XIX-XX. O mundo real já começa a ser visto através de filtros que passam determinadas expressões. Uma flexibilidade com relação às formas verdadeiras. O homem não tem mais seus contornos nítidos, assim como a paisagem, mas estes se perdem em forma de borrões, ou múltiplas pinceladas paralelas, nos passando uma sensação diferente, algo além da simples representação, algo a mais da imagem que fazemos de determinadas figuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade começou a ser moldada. Não percebemos a angústia de 'O Grito' apenas pelas feições do personagem desenhado (à exemplo das obras renascentistas) mas agora pela maneira como ela é pintada, representada. Mas ainda assim podíamos reconhecer as formas; alguns esquemas, 'rabiscos', traziam à tona em nossa mente imagens, representações do que aquilo poderia ser. Era como se estivéssemos apenas pondo lentes que distorcessem nossa visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvador Dali brincou então com o nosso conceito de significado das coisas; a lente passou da alteração da forma para a alteração do significado destas, de sua função: relógios que são moles e escorregam por cadeiras, cabeças que se fundem com praias, cachorro que se confunde com outras figuras. Assim começa a ser decomposto, desvinculado o significado do seu significante. O que você estava acostumado a ver como algo para olhar as horas agora está desenhado como uma massa escorregadia. O relógio não é visto mais como relógio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como a psicanálise separou o mundo objetivo do mundo subjetivo, a arte começou a separar a representação de formas do seu significado na mente coletiva. Lentamente colocando lentes para que a realidade pudesse carregar a subjetividade do pintor; a fragmentação de Picasso, a loucura e angústia de Van Gogh. Para depois começar a excisar o significado das coisas. Derrota para mim pode não significar a mesma coisa que derrota para você; porque sou obrigado a pintar algo nos moldes de realidade a qual somos presos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte tornou-se uma dúvida então: o que seria arte se agora o quesito técnico de tentar transpor ao máximo a realidade para as telas caiu por água a baixo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte tornou-se uma criação ainda maior. Não havia mais nada de novo e inovador em pintar o que já possuia uma representação, uma imagem na nossa mente. Cabia agora criar, inventar, ser original em relação à natureza. Veio a abstração, que é o atual fundamento dos inúmeros movimentos artísticos que vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vamos mais a museus olhar belas figuras mitológicas pintadas com a máxima presteza para que estas se assemelhassem à realidade. Vamos ver algo novo, que não contém nenhum registro em nossas mentes, mas que entretanto nos passa um sentimento, uma sensação visual. Figuras, formas, manchas que não podem ser 'decodificadas', simbolizadas por nossos cérebros em imagem alguma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é incomum sair de uma grande exposição de arte moderna com uma certa dor de cabeça ou incômodo. Nosso cérebro não está acostumado a administrar uma enorme quantidade de sensações visuais que não tem um significado, uma simbologia; olhamos coisas que não sabemos identificar no mundo do real. Evidentemente há aqueles que inclusive se irritam e negam que determinada obra seja motivo para apreciação ou exposição, com o jargão 'Estes borrões até eu fazia' ou 'Isso não significa nada, parece desenho de criança'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente há muitas obras pretensiosas e sem a mínima qualidade. Mas a magia está na capacidade do artista que conseguir desvincular sua pintura de qualquer um desses registros reais, e mesmo assim conseguir passar uma sensação visual, repulsa, ódio, agonia, aconchego, ternura...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda assim... isso pode ser chamado de arte? Se uma série de borrões vermelhos em formas arredondadas, cores vinhosas, nos causam ternura, carinho, aconchego, é porque já há um registro em nosso imaginário sobre tais formas, tais cores, tais combinações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estaria a abstração condenada ao esvaziamento total? Tendendo a uma arte vazia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, os renascentistas ainda são meus favoritos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ref: coloquei como exemplo uma obra, uma construção plástica que me causou grande impacto por me passar uma sensação de algo delicado, de minuncioisidade e fragilidade quando fui à Bienal, há uns anos atrás. Havia um tom claustrofóbico nessa obra ao andar pelas estruturas por parecer que elas se alastravam pelo espaço ao meu redor. Medo. Artista: &lt;a href="http://www.uol.com.br/23bienal/especial/pegea.htm#01" target=main&gt;Gego&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106670658748890509?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106670658748890509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106670658748890509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_19_archive.html#106670658748890509' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106662248543610039</id><published>2003-10-20T02:01:00.000-02:00</published><updated>2003-10-20T02:03:01.936-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.hermitagemuseum.org/fcgi-bin/db2www/descrPage.mac/descrPage?selLang=English&amp;indexClass=PICTURE_EN&amp;PID=GJ-5675&amp;numView=1&amp;ID_NUM=2&amp;thumbFile=%2Ftmplobs%2FB0UYTQY%24A0DUO9ZL6.jpg&amp;embViewVer=last&amp;comeFrom=quick&amp;sorting=no&amp;thumbId=6&amp;numResults=3&amp;tmCond=Guerin+Pierre&amp;searchIndex=TAGFILEN&amp;author=Guerin%2C%26%2332%3BPierre%26%2332%3BNarcisse" target=main&gt;&lt;img src="http://www.hermitagemuseum.org/tmplobs/B0UYTQY$A0DUO9ZL6.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Sono&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O sono regenera. O sono acalma, o sono descansa. Põe as coisas no lugar, ou bagunçam elas de vez. O sono sonha, e o sonho satisfaz. Mesmo quando não se quer satisfazer. Mesmo quando o dia não permite as satisfações, lá está ele. Hipnos fecha as pálpebras e mergulha o indivíduo no profundo sono, chamando um de seus filhos, Morfeu, para que possa simular formas e imitar figuras ou seres vivos, protagonizando o teatro do sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim como nos filmes e peças de teatro da vida consciente somos heróis, somos felizes, temos super-poderes, Morfeu nos envolve com suas imensas asas em seu palco onde encenações fantásticas se passarão, visões, mundos, sensações, com a ajuda de seus outros irmãos, Fantasos e Ícelo. Sentimentos esses que podem permanecer durante as primeiras horas do dia, e até mesmo ocupar a mente durante o dia inteiro. Como aqueles sonhos que deixam uma sensação estranha quando acordamos, e esta não nos abandona por um tempo extendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonho, satisfação. Dizemos que 'nem em sonho' realizamos determinado desejo. Quem sonha vive. Quem está vivo sonha. O sono monotônico, superficialmente narcótico, inquietante e sem profundidade é morte. Mesmo os grandes sonhos ruins, mesmo as grandes angústiam denotam que algo está se movendo, algo está mudando, querendo mudar. Um conteúdo latente que quer aflorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo nos pesadelos Morfeu nos oferece a satisfação pulsional que não podemos ter durante o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ref: The State Hermitage Museum - &lt;a href="http://www.hermitagemuseum.org/fcgi-bin/db2www/browse.mac/category?selLang=English" target=main&gt;Digital Gallery&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106662248543610039?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106662248543610039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106662248543610039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_19_archive.html#106662248543610039' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106636575433489999</id><published>2003-10-17T01:42:00.000-03:00</published><updated>2003-10-17T02:05:19.433-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.omd.state.ok.us/180CoA/weapons_files/glock380_small.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Glamourização do crime&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Sempre fui contra os anarquistas. Radicalmente contra os radicais. Proposta de desmantelar todo o sistema social em que vivemos a favor da confusão, da desordem, da ordem individual. Acho razoável uma certa crítica à sociedade e todos os seus males, afinal, nada é perfeito. Compreendo uma certa revolta contra o sistema, mas é um mal necessário. E não aceito aqueles que apenas criticam ao invés de implantarem novas idéias. Criticar e achar problemas é muito fácil, difícil é saber o que fazer se estivesse no lugar do criticado. Enfim, não gosto da anarquia. A utopia socialista também nunca iria sobreviver, e o capitalismo selvagem foi o meio mais 'natural' de satisfazer as pulsões humanas de competição através de um sistema econômico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até entendo uma certa tentativa de liberação das rédeas do convívio social, das leis de respeito ao próximo, mas disso até a glamourização da selvageria e da barbárie é um passo muito grande. Vejo cada vez mais um número crescente de filmes que romantizam e glamourizam o crime. Filmes sobre ladrões de carro, sobre marginais e assassinos, sobre grandes mestres que fizeram roubos espetaculares, foras-da-lei, filmes nacionais sobre a vida na favela colocando o crime como algo banal, corriqueiro e romântico. Esta explicação não carece de exemplos, basta olhar o circuito nacional das grandes empresas de cinema nos últimos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo. As necessidades crescentes por tempos cada vez mais rápidos. A era da velocidade, da prontidão, da rapidez. A cada dia somos mais exigidos. Mais trabalho, mais cobrança. A informação perde valor a cada segundo que é atrasada. Estar sempre um passo a frente. Transmissões televisivas aumentam grandemente sua audiência se forem 'ao vivo', apresentadas simultaneamente. O homem contemporâneo vive sob uma pressão crescente nas grandes metrópoles. Cada vez menos tempo, mais exigência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma gama enorme de repercussões são geradas, já adiantando-se que se pode traçar um sem-número de teorias acerca da psicopatologia do veloz homem moderno. E uma das características que este cruel mundo de exigências e responsabilidades traz é o acentuamento do escapismo. Quanto mais se aperta o laço, maior a vontade de fugir dele. Maior a vontade de 'pegar o carro e sair correndo por aí'. Maiores os desejos de 'jogar tudo pro alto', mandar o chefe para aquele lugar, avançar sinais vermelhos gritando pela janela, fazer o que sempre quis. Crescente é o instinto do vilão, do 'bad boy'. Burlar as leis, escapar das regras, em suma, o que todo mundo deseja realizar: fazer o proibido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a indústria cinematográfica não poupa esforços para encher os seus bolsos. Investe a fundo no escapismo do estressado homem moderno. Explosões, tiros, roubos, perseguições em alta velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bandido famoso por 90 minutos. Depois do êxtase, volta a ser o advogado, empresário, economista, vendedor que trabalha dia e noite, coloca sua cabeça nos trilhos e agüenta mais uma semana de exigências, de limite de sua capacidade física e mental. Para aguardar sua libertação no final de semana seguinte. Para ver outro filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106636575433489999?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106636575433489999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106636575433489999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_12_archive.html#106636575433489999' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106617202489475162</id><published>2003-10-14T19:53:00.000-03:00</published><updated>2003-10-14T19:54:35.100-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.artprintresources.com/_borders/S1233.jpg" target=main&gt;&lt;img src="http://www.artprintresources.com/_borders/S1233.jpg" width=150&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;   Estresse, mal social e político&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ainda encontro certa dificuldade em discernir alguns casos de estresse, se são episódios de depressão leve/moderada ou apenas transtornos de ajustamento com humor depressivo. No segundo haveria um desencadeante, um estressor ao qual a pessoa responderia de maneira inadequada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje consulta muito semelhante ás que já realizei ao longo do ano; mulher de um sargento que relata problemas com o trabalho nos últimos 6 meses. Há mais ou menos o mesmo tempo surgiu uma cefaléia caracteristicamente tensional: músculos contraindo e dor facial, temporal. Geralmente ao final do dia, depois do serviço. Procurou 4 neurologistas realizando estes exames detalhados, inclusive ressonância magnética; me espantou o fato de uma simples e corriqueira cefaléia tensional nunca ter sido aventada, os dois nunca sequer haviam ouvido falar neste termo. Havia um desencadeante claro em seu estado psíquico que era a cobrança aumentada e o ritmo no emprego que aumentou na mesma época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dificuldades durante o sono, insônia inicial, crises de choro quando chega em casa e mesmo durante o serviço, humor depressivo e irritabilidade. Mesmo durante os dias que não está trabalhando. Fisicamente apenas a cefaléia se fazia presente como constituinte depressivo, mas cognitivamente haviam componentes importantes. Aí sobrevém a dúvida: dispensá-la por tempo prolongado do serviço para uma 'higienização' mental, iniciar uma psicoterapia (o que é impraticável; segundo eles, ela perderia o emprego, o que só contribuiria para piorar a situação, claro), ou entrar com o uso de medicamentos? Uma escolha de Sofia, retirar o fator estressante desencadeante (que seria o mais certo a fazer) ou manter este e introduzir medicamentos que o anulem? A segunda opção parece um tanto artificial; manter uma coisa ruim na vida da pessoa e administrar substâncias para que esta fosse 'olhada' de outra maneira; mas foi a tomada (mais especificamente ela já fazia uso de medicamento em dose baixa, o que fiz foi apenas aproveitar esse uso e aumentar a dose para quantias mais eficazes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente nos vemos em uma situação onde a sociedade 'força a barra', as exigências sociais do indivíduo o puxam para um estado insustentável onde o estresse estava atrapalhando ela e a vida do marido. Estavam visivelmente castigados pela falta de sono e pela ansiedade. O que podemos fazer, mandar ela procurar um emprego mais tranqüilo? Onde arranjaria dinheiro para continuar vivendo? Empregos não caem do céu, quanto tempo ficaria desempregada? Poderíamos implementar um programa de saúde de excelência e qualidade de saúde mental? Jornadas de trabalho reduzidas, atividades de lazer a todos, &lt;em&gt;mais dinheiro e poder de compra &lt;/em&gt;para aqueles que necessitam. Enfim, um bom padrão de vida. Isso não procede. O transtorno de ajustamento parece ser muito mais um problema social e político do que realmente psiquiátrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o primeiro nem será o último caso que vejo de pessoas que se auxiliam com substâncias para que atinjam determinado padrão na sociedade, determinada exigência que não estão conseguindo alcançar. Não há saída: a saída para uma vida 'menos' estressante implica em perda considerável do padrão de vida (em suma, perda de dinheiro, que infelizmente é o valor mais importante nos dias de hoje). Isso me parece muito como uma lavagem cerebral; um ritmo cada vez mais alucinante para se conseguir atingir uma certa dignidade. A sociedade pouco oferece e muito exige.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até quando teremos de 'dopar' as pessoas para que elas agüentem suas exigências sociais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ref: Head of a Man - &lt;a href="http://www.artchive.com/artchive/ftptoc/klee_ext.html" target=main&gt;Paul Klee&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106617202489475162?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106617202489475162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106617202489475162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_12_archive.html#106617202489475162' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106610281701831494</id><published>2003-10-14T00:40:00.000-03:00</published><updated>2003-10-14T00:54:25.320-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sobre a terapêutica psicanalítica: a terapêutica da mentira&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A psicanálise e todas as suas vertentes nos oferece um padrão teórico esplêndido para a construção de sistemas psíquicos e para a organização e racionalização do pensamento humano. Esta área do conhecimento prima por estudar a essência do ser humano, seu modo de funcionamento, e dessa maneira pode ser aplicada nos mais variados campos do conhecimento: história, sociologia, psicologia, filosofia, política, economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta ciência, fundamentalmente e essencialmente humana em suas raízes, foi criada por um psiquiatra no início do século passado com o intuito de curar patologias mentais. Uma ferramenta formidável para o entendimento do funcionamento psíquico de várias pessoas com suas mais diversas patologias. Com certeza na grande parte das doenças mentais, até naquelas com algum fundo orgânico/genético como as depressões e esquizofrenias, pode-se delinear um ramo psicanalítico de onde esta doença proveio. Uma origem psicanalítica que pode ser identificada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas até que ponto este componente psicanalítico é essencial no tratamento e na cura, aí reside a dúvida. O conhecimento do funcionamento próprio, de onde está o erro na linha de pensamento; descobrir os por ques das atitudes, o que se esconde por detrás dos atos, os desejos velados. Um caminho árduo e demorado a ser percorrido em uma análise. E seria isso suficiente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje recebi o relato de uma pessoa que descobriu diversas questões ao longo de sua psicanálise, mas que esta durou 10 anos e que quando as coisas realmente começaram a ficar ruins para o lado dele, não foi a psicanálise que ajudou e sim outros tipos de terapia. Não é o primeiro caso que vejo de análises que não deram certo. O post passado sobre o ódio cita um exemplo de um tipo de raiva, a 'raiva do mensageiro': o ódio por aquele que nos mostra o que estávamos tentando esconder de nós mesmos. E não estaríamos vivendo bem com esta ilusão? Talvez a psicanálise com sua teoretização das verdades e dos motivos não seja uma maneira adequada de tratamento em alguns casos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que em determinados pacientes, a formulação e o simples fato de poder verbalizar e descobrir, tirar a máscara de certos problemas, tabus, paradigmas que temos latentes em nossas mentes, leva a uma cura. Não se pode negar os incríveis avanços que a psicanálise trouxe ao tratamento de patologias mentais, neuroses, psicoses, etc. Mas talvez outros caminhos, onde muitas pessoas usam a análise erroneamente, se façam necessários. Talvez a terapia da verdade deva em alguns casos ser substituída pela terapia da mentira. Do mesmo modo que construimos em nossas mentes elementos que barrem a energia psíquica de conteúdos recalcados (desejos sexuais, de violência e outros que são armazenados por repressão que precisam perder sua energia para assim permanecerem), talvez isso deva ser usado em alguns tipos de terapia. A construção de um mundo ilusório para que o paciente possa aliviar suas tensões, para que suas exigências e desejos não o incomodem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inegável que uma boa parte dos estudiosos da mente e do conhecimento de maneira geral, sendo eles filósofos, psicanalistas, psicólogos, psiquiatras, tem um quê de problemas narcisistas intelectuais. É difícil às vezes não se excitar diante das descobertas fantásticas, diante dos motivos intrincados que são dissecados em análises de casos, diante deste novo universo que se abre; como brincar de detetive, uma massagem ao ego intelectual. Até mesmo o inventor da psicanálise sofreu deste mal (&lt;a href="http://www.psiu.psc.br/artigos/aqeda.asp" target=main&gt;caso Dora&lt;/a&gt;), levando a um desastroso resultado terapêutico. Mas esta instância, que não é necessariamente ruim (muito pelo contrário), deve ser ponderada e pesada com relação a aplicação de uma investigação psicanalítica em determinados casos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma: em determinadas doenças os pacientes nem sempre querem saber a verdade (através da análise). Apenas querem construir uma realidade na qual eles se encaixem. Adaptação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-ref.: &lt;a href="http://www.psiu.psc.br/artigos/aqeda.asp" target=main&gt;A questão ética do analista (um estudo do caso Dora)&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106610281701831494?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106610281701831494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106610281701831494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_12_archive.html#106610281701831494' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106599317359262281</id><published>2003-10-12T18:12:00.000-03:00</published><updated>2003-10-13T00:20:06.786-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/goya/goya.saturn-son.jpg" target=main&gt;&lt;img src="http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/goya/goya.saturn-son.small.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;     Ensaio sobre o ódio&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ódio: substantivo masculino; aversão, raiva, rancor profundo, antipatia, repulsão, horror. Uma palavra pesada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sentimento ruim, uma fúria que aparece em nossa mente e que necessita de um canal para escoar. Um tipo de energia psíquica que tem uma conotação ruim, já que precisa ter vazão, o que geralmente se faz pela violência. O ódio pode mais simplesmente ser 'aliviado' pela violência, agressões não só físicas como verbais, destruição. Quando estamos com raiva temos vontade de gritar, vontade de xingar, vontade de bater no chefe, enfiar seu carro no ônibus que te fechou no trânsito, jogar as coisas na parede, quebrar o seu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evolutivamente podemos pensar nessa necessidade física de um aporte de energia em termos de auto-defesa. A raiva, o ódio, é algo primal, não é exclusivamente humano e muito menos é racional. Está indiscutivelmente mais para o nosso lado pulsional, animal, do que para o lado da razão. E podemos observar esse fenômeno claramente nos animais; a raiva é desencadeada como forma de proteção, de auto-conservação: adrenalina e outros hormônios na corrente sangüínea, aumento dos batimentos cardíacos para um melhor aporte energético para os músculos, sudorese, hipertermia, pupilas se dilatam, contração de esfíncteres, todo um mecanismo voltado para a batalha. Defesa do território, disputas pela vida com outras espécies, disputa pela fêmea ou por alimento, enfim, pela sobrevivência. Briga, guerra. Não é à toa que quando há um descontrole físico de uma pessoa falamos que ela soltou o lado animal dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendemos então toda essa epopéia pela própria vida fundamentalmente como uma necessidade de manutenção do meio interno. Seja ele físico ou psíquico; no caso dos animais predominando o primeiro pelo fato de o segundo não ser tão desenvolvido nestes. Podemos assim transpor esse mecanismo de funcionamento para o homem, onde vale a mesma regra: sentimos ódio quando nosso meio interno é ameaçado. Uma resposta natural em reação a um estímulo externo (ou interno) que tenha o potencial de gerar algum efeito negativo sobre o nosso interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Classificamos assim então os tipos de raiva, fúria, ódio: decorrentes de ameaças à nossa integridade física, e de ameaças a nossa integridade psíquica, estando às vezes estes conceitos emaranhados. O primeiro é fácil de compreender; violências físicas desencadeiam necessidades de defesa, nova violência, de onde sobrevém a raiva; aquele que rouba nossa comida também merece sentimento semelhante, uma punição, retomada do objeto necessário perdido através da força; aquele que ameaça a vida é castigado pela fúria do mesmo modo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma que precisamos defender nosso aparelho biológico, necessitamos também da defesa de nosso aparelho consciente, de nossas mentes, do bom funcionamento psíquico, interno. Daí deriva o segundo mecanismo pelo qual o ódio é desencadeado. Sentimos ódio daqueles que nos xingam, daqueles que nos expõe a situações embaraçosas, constrangedoras e ao ridículo; sentimos ódio daqueles que nos fazem sofrer psiquicamente, como os que nos privam de determinados prazeres (chefes, pais, amigos, governo, etc.). Sentimos raiva dos que não querem o nosso bem-estar direta ou indiretamente; como o caso dos guardas de trânsito que nos multam, tirando nosso dinheiro, privando-nos de uma certa quantidade de poder de compra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas vezes o ódio está disfarçado, mas ainda assim se encaixando nessa tormenta da nossa homeostase interna. É o caso por exemplo de algumas verdades que não desejamos saber. Um caso está explicitado &lt;a href="http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_05_ensaiosmeus_archive.html#106559178887413105" target=main&gt;neste post&lt;/a&gt;; somos obrigados a conviver com certas limitações em prol do social, certas restrições de vontade, de pulsão. E assim mantemos esta bomba relógio estocada, até alguém ou algo desencadeá-la. Nosso desejo reprimido realizado pelo outro é visto com importante repulsa, com pavor e desaprovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o caso também de algumas verdades que, para o bem interno, escondemos de nós mesmos. Alguns fatos, vontades, manias, desejos, que seja por educação, pela sociedade ou por outros motivos, são reprimidos. Escondidos de nossa consciência e camuflados. Assim, quando surge alguém que miraculosamente retira esta carapaça, nos expõe à auto-repreensão (que foi necessária para que convivêssemos bem), sentimos uma fúria incontrolável desta pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomemos como exemplo um planeta onde não se possa andar descalço. H tem uma vontade enorme de andar com os pés nus no chão, mas não o pode, ou o difamariam, achariam isso um ultraje, uma ameaça a vivência em comunidade. Assim H tem de reprimir esse desejo e como esse conteúdo não pode ficar latente com tanta energia, não pode se esconder tendo tanto desejo assim, H elabora para si mesmo motivos ideológicos para andar calçado; pode-se pegar doenças, os pés ficarão sujos, etc. Quando X pega H em um deslize e lhe fala 'hipócrita, você sempre quis andar descalço', H é tomado de fúria pois X expôs esse desbalanço a H; essa aparente, frágil e delicada homeostase construída sobre uma falsa idealização e racionalização do uso de sapatos, cede e o fio desencapado é exposto gerando uma fúria imensa. Em suma: X expôs o desejo intenso de H de andar descalço à sua repressão e estes dois ideais entraram em conflito. H não terá raiva da sociedade, do sapato, ou do chão sujo mas sim de X que mostrou a H sua fragilidade interna, que desbalanceou o equilíbrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo simples e banal de como o ódio pode ser justificado e encaixado como mecanismo de defesa interna. É sempre bom dissecarmos com muito bom senso e racionalidade as nossas raivas e fúrias antes de darmos vazão a elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ref: Saturno devorando seu filho - F. Goya (&lt;a href="http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/goya/" target=main&gt;Goya Webmuseum&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106599317359262281?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106599317359262281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106599317359262281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_12_archive.html#106599317359262281' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106575238259786937</id><published>2003-10-09T23:19:00.000-03:00</published><updated>2003-10-09T23:19:42.463-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;F e sua mulher&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dando continuidade à &lt;a href="http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_05_ensaiosmeus_archive.html#106548058969344900" target=main&gt;saga&lt;/a&gt;, F me procurou hoje novamente, agoniado. Conseguira marcar a consulta no psiquiatra para a mulher apenas para o meio da semana que vem. Neste intervalo de tempo ela piorou um pouco, estava dormindo mal, dependente de benzodiazepínicos para ficar calma e para tentar pregar os olhos durante a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo ele a situação estava insustentável; logo após a conversa que tive com ela, ela pareceu-lhe de um modo aliviada e de outro lado mais irritada por ter relembrado e remexido assuntos que muito a incomodavam. Na mesma noite chegou a quebrar um prato no chão, e deu sinais de que iria ter novo surto de irracionalidade, mas se conteve. Entretanto F não confiava mais nela para a deixar sozinha em casa, pois temia pela segurança da mulher; temia alguma tentativa de suicídio, já que ela estava muito lábil emocionalmente. Enquanto conversávamos ela, que esperava no carro, passou para o banco do motorista e começou a andar com o carro. F correu em desespero e a parou a tempo, antes que ela fizesse alguma besteira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive de dispensá-lo do serviço até que pudesse ir à consulta com a mulher, pois a situação de trazê-la de carro todo dia, atrasados, para o quartel, estava ficando muito chata. Com certeza um caso de internação, acredito que não apenas pelo lado social mas pelas inúmeras tentativas de suicídio. Aguardarei a decisão do psiquiatra semana que vem. Pedi a F que me mantivesse informado do que aconteceu na consulta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106575238259786937?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106575238259786937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106575238259786937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_05_archive.html#106575238259786937' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106559178887413105</id><published>2003-10-08T02:43:00.000-03:00</published><updated>2003-10-08T02:43:18.083-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Te odeio porque me odeio&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Comentário sobre o texto de &lt;a href="http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_05_ensaiosmeus_archive.html#106533024048965714" target=main&gt;Melanie Klein&lt;/a&gt; que postei aqui há dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito desta forma, parece claro que o mecanismo pelo qual há a empatia é o de projeção. Gostamos disso ou daquilo nas pessoas pelo simples fato de projetarmos nelas nossas intenções, nossos gostos pessoais, nossos projetos e objetivos de conduta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A identificação ocorre por comparação de nós mesmos com o outro, e gostamos daquilo que na verdade mais nos apetece, nos agrada, daquilo que desejaríamos para nós mesmos. Parece simples pensarmos que nos agrada determinada pessoa por ela ter tal caráter de personalidade, que admiramos e gostaríamos de ter para nós mesmos. Por exemplo, algumas pessoas tímidas tendem a gostar das extrovertidas, por terem as últimas qualidade que falta às primeiras. Amigos que aparentemente pareçam muito diferentes em condutas tendem a, no fundo, desejarem as mesmas coisas, serem muito semelhantes; um, apesar de calmo e solícito, admira o egoísmo e atitude do outro e desejaria ter esse caráter mais exacerbado, e assim por diante, agrupando-se assim em bandos de 'mesmos ideais'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso compraz o &lt;a href="http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_07_ensaiosmeus_archive.html#106321270170570576" target=main&gt;princípio da satisfação do próprio&lt;/a&gt;, o do egoísmo no sentido amplo da palavra (e não aquele carregado de juízo negativo), do narcisismo. Afinal, procuramos nos satisfazer e para que assim seja nos aproximamos de pessoas que mais apresentem o que consideramos ideal para nós mesmos, exemplos a serem seguidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ampliando um pouco o conceito: se gostamos das características das pessoas que projetivamente nos satisfaz, que nos faria bem se as tivéssemos, o inverso também é verdadeiro. Odiamos determinado personagem de filme por este ser mentiroso, por este ser cruel e assim por diante. Não gostamos disso ou daquilo por não querermos que nós mesmos sejamos assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez daí venha a explicação do repúdio de intensidade inexplicável que sentimos em determinados momentos, como 'odeio quando ele faz isso', ou 'a maneira como ele faz isso me incomoda deveras'. É óbvio que em nossa eterna luta entre inconsciente e consciente, ego e super-ego, simplificando: 'o que eu realmente &lt;em&gt;quero &lt;/em&gt;fazer' e 'o que eu devo fazer', nos impomos muitas restrições e proibições. Leis que não devem ser transpostas, limites de prazer que não devem ser passados, seja em prol da sociedade ou em prol do bem-estar alheio. E assim permanecemos com esse conteúdo a ser satisfeito, essa energia que não pode escapar. Quando nos deparamos com uma situação em que vemos o próximo realizando determinada tarefa proibida, nos sobrevém a ira avassaladora que deveríamos nos impor, mas que não o fazemos por amor-próprio, por satisfação do ego. A instância das leis que rege nossas atitudes atua sem piedade no infrator externo, como que para aliviar a auto-punição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como o primeiro mecanismo explicitado no começo, o ódio também pode ser projetado. Odiamos tais atitudes por odiarmos este aspecto em &lt;em&gt;nós mesmos&lt;/em&gt;. É como aquele cruel/sádico disfarçado que odeia quando as pessoas fazem terrores e promovem medo e sofrimento aos outros. Ou o promíscuo controlado, que se segura ao máximo para não se entregar aos prazeres da carne, que critica ferozmente o sexo livre quando vê este na televisão. Ou aquela pessoa ríspida, séria e aparentemente inabalável emocionalmente que odeia a fraqueza e fragilidade emocional dos outros. Uma rocha por fora, manteiga por dentro... Todos aspectos pessoais e individuais projetados em outras pessoas para que essa ira, essa proibição e repulsa contra si próprio escoe para um ser externo. Uma crítica hipócrita, falso moralismo em determinados aspectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que os grandes inimigos têm sempre muita coisa em comum, como se apenas um pudesse ocupar o &lt;em&gt;nicho &lt;/em&gt;delimitado por sua personalidade e o outro devesse ser eliminado. Também é por esse motivo que pessoas muito semelhantes (sejam amigos, namorados, casados) travam enormes brigas e impasses quando descobrem no outro um aspecto que não gostam em si mesmo, e projetivamente criticam agressivamente tal característica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Apenas uma ressalva, estes são conceitos e devaneios evidentemente aplicados em determinadas situações, não devendo ser tomados como regra absoluta adotada em 100% das ocasiões, muito pelo contrário; são construtos que tem uma certa freqüência mas que podem ser apenas aplicados esporadicamente, cabendo para isso a avaliação caso a caso e o bom senso)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106559178887413105?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106559178887413105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106559178887413105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_05_archive.html#106559178887413105' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106548118879673158</id><published>2003-10-06T19:59:00.000-03:00</published><updated>2003-10-06T20:46:58.613-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Apenas para ilustrar o post &lt;a href="http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_28_ensaiosmeus_archive.html#106514933625703184"target=main&gt;'Sociedade Moderna: arcabouço de loucos e desajustados'&lt;/a&gt;, frases de Edvard Munch:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Doença, loucura e morte foram os anjos negros que embalaram meu berço" &lt;br /&gt;"Eu não dispensaria minha doença (mental) pois há muito em minha arte que devo a isso"&lt;br /&gt;"A arte dá sentido à minha vida"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(do site &lt;a href="http://www.obraprima.net/materias/html405/html405.html" target=main&gt;Edvard Munch&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106548118879673158?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106548118879673158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106548118879673158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_05_archive.html#106548118879673158' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106548058969344900</id><published>2003-10-06T19:49:00.000-03:00</published><updated>2003-10-06T20:01:23.913-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/munch/munch.dead-mother.jpg" target=main&gt;&lt;img src="http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/munch/munch.dead-mother.small.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Psiquiatrismos e a mulher paranóica de F&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Antes escrevi sobre os psicologismos, mas agora acho que também cabe uma discussão sobre os psiquiatrismos. Sim, como é difícil desvincular os pesados termos da medicina da mente de seu conteúdo negativo para o público leigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A psiquiatria ainda continua sendo uma área de grande resistência por parte de potenciais pacientes, no que tange o seu tratamento. Ao contrário de outras modalidades de tratamentos mentais como a psicoterapia, psicanálise, psicologia por exemplo, a psiquiatria faz uso de medicações. Essa intervanção química é uma das responsáveis por esse medo em procurar o médico da mente; o uso de substâncias químicas que possam alterar o 'lado de dentro', modificar comportamentos, humores, pensamentos e atitudes leva a uma ogeriza por parte das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma certa óptica as terapias mentais sem uso de substância ainda manteriam um determinado controle pessoal sobre a mente, o &lt;em&gt;self&lt;/em&gt;, coisa que não acontece com a introdução de fármacos. A alteração física que estes geram foge ao controle da pessoa; é algo de natureza física que não se pode mudar, teoricamente. Nos renderíamos às 'vontades' de comprimidos provindos de uma caixa com uma faixa preta ao seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro fator que ajuda enormemente este pânico em relação ao médico psiquiatra são os clássicos casos de filmes e livros de loucura. Aqueles 'loucos de pedra' que vemos na mídia falando com seres virtuais, tendo alucinações como é o caso dos personagens esquizofrênicos, ou aqueles outros que não vêem mais nada de reluzente na vida e se entregam ao tédio, à morosidade, às ideações suicidas, como é o caso dos depressivos. São casos que são mostrados em seus estados mais pictóricos, com um floreamento de sinais e sintomas que se dessa maneira fosse encontrado na prática diária tornaria a vida do médico bem mais fácil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que a maioria dos casos não apresenta uma sintomatologia tão exuberante e clássica como as relatadas na mídia. Mas ser colocado no mesmo grupo de pacientes tratados por aquele médico, ou seja, 'preciso ir no médico que trata daqueles malucos', certamente causa repulsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses fatos me ocorreram hoje pois F me trouxe sua esposa para que pudesse conversar com ela e encaminhá-la a um serviço psiquiátrico. Esta me relatou que após um seqüestro passou a ser dominada por súbitos ataques de impulsão. Durante seus ataques, sempre desencadeados por um certo sentimento de insegurança, sente-se outra pessoa, transformada: fica agressiva, bate no marido, tenta matá-lo, e por vezes tentou tirar sua própria vida. Foi nesta ocasião então que o marido me mostrou marcas profuncas em sua pele, resultantes do conflito inexplicável. Perguntada o por quê de tais atitudes, explica que são idéias e pensamentos que vêm em sua mente, que são incontroláveis, e que ela tem de se render aos mesmos. Uma vez relatou inclusive que um demônio falou por ela. Diz estar sendo constantemente perseguida, seja em casa, seja no culto evangélico que freqüenta. Alguém está sempre olhando ela pelos cantos, comentando sobre ela, etc. Sente-se assolada por um enorme medo, que não tem explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inserção de pensamento, delírios paranóides, alteração de fluxo de pensamento, embotamento afetivo, com certeza todos parte de um espectro esquizofrênico de uma doença mental. Se não uma esquizofrenia caracterizável em seus subtipos, no mínimo um transtorno esquizoafetivo; não convém realizar diagnóstico fortúitos exatos já que a entrevista desta senhora foi feita de forma informal, com a presença do marido, e também porque ainda não me cabe, pela pouca experiência clínica, a realização de diagnósticos claro e rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente se observou claramente o efeito das informações jogadas ao léu que são fornecidas ao público leigo por meio da mídia quando a mulher de F relatou com alívio: 'Doutor, não sou esquizofrênica, graças a Deus não ouço vozes! Já li e vi muito sobre isso e tenho certeza de que não estou tão grave assim'. Custou alguns minutos e uma elaboração e explicação rápida do amplo espectro das doenças psiquiátricas para que um pouco do peso da esquizofrenia fosse tirado da palavra e para que ela se convencesse de que se talvez obtivesse esse diagnóstico do psiquiatra do hospital de referência, para que não se espantasse e desistisse do tratamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custou um certo tempo também tirar o medo de medicações psiquiátricas, dos químicos que alteram o estado mental. Ao fazer o encaminhamento por escrito, novo esclarecimento sobre termos que usei na prescrição como 'paranóia' e 'inserção de pensamento', para que a paciente não lesse e depositasse peso excessivo nas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, consegui acalmá-la bastante; afinal, era para isso que F a trouxera, para que conseguisse ir mas tranqüilamente marcar a consulta com ela. Me pareceu uma paciente muito rica, com certeza queria seguir seu tratamento, mas infelizmente não posso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ref: figura tirada de &lt;a href="http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/munch/" target=main&gt;Edvard Munch Webmuseum&lt;/a&gt;: 'Dead Mother'&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106548058969344900?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106548058969344900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106548058969344900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_05_archive.html#106548058969344900' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106533024048965714</id><published>2003-10-05T02:04:00.000-03:00</published><updated>2003-10-05T02:04:00.590-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;"The process which underlies the feeling of identification with other people, because one has attributed qualities or attitudes of one's own to them, was generally taken for granted even before the corresponding concept was incorporated in psycho-analytic theory. For instance, the projective mechanism underlying empathy is familiar in everyday life. Identification by projection implies a combination of splitting off parts of the self and projecting them on to (or rather into) another person. These processes have many ramifications and fundamentally influence object relations"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. Klein&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106533024048965714?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106533024048965714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106533024048965714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_10_05_archive.html#106533024048965714' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106514933625703184</id><published>2003-10-02T23:48:00.000-03:00</published><updated>2003-10-03T00:41:55.330-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.fisiculturismo.com.br/muscle-card/images/fisiculturista-07-peq.jpg"&gt;   &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sociedade moderna: arcabouço de loucos e desajustados&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito bom começar a ler textos de psicanalistas conhecidos e ver que algumas idéias próprias coincidem com algo que alguém já havia imaginado, e às vezes até posto em prática. Winnicott faz alusão ao estudo das pulsões em animais, algo que havia imaginado como plausível e que seria de grande caráter didático ao escrever meu texto 'Devaneios antropológicos'. Surpreendi-me ao descobrir que ele já fizera inúmeras experiências com macacos, observando o que seria essa força motriz psíquica em animais 'não-racionais'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que o homem se destaca com relação aos demais seres vivos no que tange a sua consciência, ao fato de pensar e desta maneira existir para si próprio, o que não se observa em outros animais, podendo isso ser provado pela inexistência de representações, linguagens simbólicas entre os mesmos. Assim, nosso aparato psíquico altamente desenvolvido, da qual faz parte a dita razão, nada mais é do que uma sofisticação da mente galgada em cima dos pilares de seu funcionamento, que remetem às pulsões animais. Uma construção moderna realizada sob bases selvagens, que apesar de primitivas, não permitiriam que vivêssemos sem elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Delas nunca nos libertaremos e tolo é aquele que pensa que pode burlá-las. Por mais que tentemos introduzir nessa lógica o produto de ouro da sofisticação mental, a razão, por mais que moldemos essas pulsões, disfarçamo-nas, nunca vamos nos livrar delas. Estarão sempre presentes, afinal, é graças a elas que continuamos vivendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí existem os extremos: penso que a pessoa deprimida está em um lado deste espectro. Aquele indivíduo que não encontra mais 'graça' nas atividades, na qual a energia lhe foi retirada e nada mais resta a fazer senão esperar sua vida passar, atônito. Não encontra prazer em nada, anedonia, falta de iniciativa. É como se houvessem retirado seu combustível mental. Do outro lado estão aqueles de grande atividade mental, nas mais variadas atividades sociais: desde os grandes artistas, pintores, passando por cirurgiões workaholics, adovogados e economistas que dedicam a vida ao trabalho, até os maníacos sexuais, os tarados, os compulsivos, os masoquistas, os criminosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A psicopatologia que leva determinado ente a ter x ou y quantidade de energia mental, a ser um depressivo anedônico ou um artista de grande produção não convém discutir no momento, mas sim fundar os conceitos terapêuticos básicos sob os quais se deve pensar ao tentar imaginar uma mente sadia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter uma quantidade formidável de combustível psíquico é fantástico. Quisera eu poder ficar um dia inteiro refletindo profundamente sobre assuntos, pacientes, meios terapêuticos mentais, sem sequer ficar um pouco cansado. Leria dezenas de livros por mês, construiria teorias, trabalharia em cima de pacientes em prol de sua cura, dormiria 4 horas por dia. Todo mundo já pensou em ter duas vidas para poder realizar tudo o que sempre teve vontade, mas que nunca teve tempo de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso pode ter um revés; é o caso dos mal-adaptados, aqueles que não fazem uso corretamente de sua catexia psíquica, não sabem lidar direito com tal aporte energético. Simplificando, fizeram uma adaptação, um extravazamento disso de uma maneira não produtiva socialmente. Neste grupo se encaixam os criminosos, os maníacos sexuais, áqueles que abusam do poder, e muitos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto a ser ressaltado então é a adaptação, esta é a chave do processo. Pessoas com grande atividade mental têm um enorme potencial para um destaque na sociedade, desde que saibam aproveitar essa característica. E com certeza uma sociedade com tal grau de desenvolvimento como é a sociedade moderna oferece uma ampla área para os que outrora seriam designados como 'desajustados'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cirurgiões compulsivos por detalhes, com certos traços obsessivos em suas personalidades, o que os leva a se transformarem em workaholics; artistas com uma sexualidade exacerbada, que sublimam esta sob inventivas obras de arte onde fazem grande uso de uma imaginação fora da média; atletas narcisistas que veneram o próprio corpo e idolatram o desempenho do mesmo, realizando horas e mais horas de treinos diários, alimentados constantemente por seus egos e pela endorfina endógena; militares, policiais, seguranças com questões internas a serem resolvidas no quesito autoridade que quando dotados de qualquer tipo de poder fazem abuso deste, o usam de forma inadequada essa autoridade que lhes foi outorgada; exemplos simplórios de traços que em outras épocas, ou mais precisamente, &lt;em&gt;fora de seu determinado contexto&lt;/em&gt; seriam considerados patológicos estão andando por aí, ajustados socialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajustamento social é a chave de transtornos mentais e traços de personalidades que são considerados aberrantes, vistos individualmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106514933625703184?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106514933625703184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106514933625703184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_28_archive.html#106514933625703184' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106505168920688574</id><published>2003-10-01T20:41:00.000-03:00</published><updated>2003-10-01T21:38:36.476-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.brainwashed.com/axis/schwarzkogler/images/rs0601.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;    Artista da Pele&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.brainwashed.com/axis/schwarzkogler/rudolf.htm" target=main&gt;Rudolf Schwarzkogler &lt;/a&gt;foi um artista vienense que baseava seus trabalhos no sado-masoquismo, na fotografia de seu corpo auto-mutilado. Retirava camadas de sua pele com uma lâmina e depois fotografava-se, enfaixado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não tirei grandes conclusões de seu trabalho e nem li muito profundamente sobre o assunto, mas &lt;a href="http://www.supervert.com/elibrary/schwarzkogler/aktion_viewer.html" target=main&gt;essa obra (em formato flash)&lt;/a&gt; realmente é atordoante. Conseguiu me passar uma sensação de agonia, angústia, associada a um certo medo. Tem um caráter mórbido/sinistro, e causa até certo impacto. Talvez pelo mito todo formado em torno ao artista, talvez pelo formato cético da apresentação em branco e preto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mito conta que ele morreu devido a própria auto-mutilação, que a amputação de seu pênis por ele mesmo o teria levado à morte. Mas é sabido que ele pulou (ou caiu) da janela de seu quarto, quase aos trinta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a white square&lt;br /&gt;a white circle&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ether&lt;br /&gt;chloroform&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a fine wire&lt;br /&gt;a needle&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pulsation&lt;br /&gt;look&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cut to pieces&lt;br /&gt;bitten off&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;the fever&lt;br /&gt;the conflagration&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a yellow line&lt;br /&gt;a red line&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(R. Schwarzkogler - texto para as 'ações' - 1965)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106505168920688574?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106505168920688574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106505168920688574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_28_archive.html#106505168920688574' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106488965493356911</id><published>2003-09-29T23:40:00.000-03:00</published><updated>2003-09-29T23:41:30.826-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.arqueologyc.hpg.ig.com.br/imagem_feminina.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Devaneios antropológicos: trabalho sobre conferência de tema 'Representações Rupestres - Imagens e Imaginários'&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A psicanálise foi criada no começo do século passado para que pudesse trazer à luz o funcionamento psíquico humano. Não de uma maneira biológica no sentido químico de neurotransmissões, reações moleculares etc, mas do ponto de vista funcional; no que tange a organização do pensamento (quem sabe em um futuro ainda distante possamos transcrever essa conformação organizacional para o nível molecular, por que não?). Seu aparelho mental, seus mecanismos de existência. Através desta ‘ciência’ Freud introduziu o conceito de pulsão. Uma espécie de energia básica que nos manteria funcionando, a força motriz de nossas mentes. Nosso combustível mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas diversas pulsões foram identificadas ao longo de seu trabalho, e estas também foram sendo reformuladas com o tempo. Pulsões do eu e pulsões autoconservadoras, pulsões sexuais, pulsões de vida e pulsões de morte. Se partirmos do pressuposto de que o nosso aparelho psíquico visa fundamentalmente uma interface do mundo exterior com o mundo interior (como podemos inferir de casos em que este é subdesenvolvido como nos autistas, criando um enorme déficit de comunicação), podemos falar que este se destina a sobrevivência, à manutenção de uma homeostase que nos faça continuar vivendo; um meio de adaptação e relacionamento com o externo. De uma forma deveras simplista e reducionista, é desta maneira que age a censura, o super-ego, por exemplo, adaptando o interno (inconsciente) para o externo (ego).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim podemos pensar que talvez essas pulsões assim denominadas também existam em animais, de maneira bem rudimentar, já que estes também necessitem de uma energia psíquica, de uma força motriz para sua existência. Pulsões de autoconservação, de vida e de morte, e até mesmo as pulsões de dominação podemos ver através da competição entre os diversos indivíduos de uma espécie, luta pela sobrevivência, pela fêmea do bando, etc. Posto isso (que foi apenas um devaneio para a introdução do tema) vemos que sob o aspecto pulsional, guardadas as devidas proporções, somos semelhantes aos animais, já que não deixamos e nunca deixaremos de ser um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que nos faz diferenciar então dos seres ditos ‘irracionais’? Sob o ponto de vista anátomo-antropológico, o polegar opositor, o telencéfalo altamente desenvolvido e a bipedia são os responsáveis por tal mudança; e sob o ponto de vista funcional? O sistema cartesiano nos compele para o ‘penso, logo existo’; uma racionalidade ausente nos demais animais. A consciência passaria a existir apenas a partir do momento em que começássemos a pensar. Quando olhamos para um animal inferimos que ele não ‘pensa’ (no sentido cartesiano da palavra), e que desta maneira não ‘existe’ para ele mesmo, que ele não tem consciência; seria uma forma biológica viva dotada de suas pulsões e que viveria de acordo com elas, em menor ou maior grau de sofisticação. Sob esta ótica em nossos primeiros anos de vida funcionamos muito semelhantemente a um animal dito ‘irracional’; anos depois é que adquirimos desenvolvimento de nosso aparelho psíquico, e assim conquistamos nossa existência, nossa consciência. O que seria então o pensar de Descartes que faria com que os seres ‘existissem para si próprio’ ou seja, desenvolvessem consciência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recorremos então à antropologia, ao desenvolvimento da raça humana, do atual Homo sapiens, para nos diferenciar das demais espécies. Funcionalmente, o que fez com que essa espécie primitiva de, assim por dizer, ‘macacos’, se destacasse em relação às outras formas de vida? A representação. Estudos arqueológicos já mostraram em diversas cavernas que eram habitadas por antigos ancestrais nossos, escritos, desenhos, representações simbólicas em pedras. Apenas a espécie humana tomou esse rumo, este caminho de desenvolvimento, e com isso atingiu tal grau de avanço no aparelho psíquico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenho rupestre seria uma espécie de nascimento do existir humano para si próprio; do existir como ser consciente, pensante. Podemos falar que quando uma figura é representada, é desenhada, ela está atravessando a mente da pessoa, e isso requer imaginação. Para que essa transição entre o olhar uma árvore e o desenhá-la seja possível faz-se necessário um estágio intermediário onde a figura desta árvore, sua imagem, apareça na imaginação, na consciência de seu desenhista. Sua representação, o vorstelen,deve despontar. A partir da formação dessa imagem, que podemos categorizar como feita conscientemente, o indivíduo poderá transcrevê-la para a pedra, papel, ou seja o que for. A seguinte passagem foi realizada apenas pelos seres humanos: a) receber estímulos sensoriais (sons, imagens, etc) b) processá-los, representá-los, digerir esses estímulos, o que só é possível quando se cria esse espaço interno para a acomodação desses estímulos, a consciência c) evocar esses estímulos processados, armazenados, e simbolizados em nosso espaço interno e transcrevê-lo para o papel, criando a representação de um meio interno; a prova cabal da existência dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nessa linha de raciocínio que, penso eu, o ser humano se destacou das demais formas de vida e adquiriu conhecimento da própria existência, a consciência. A instalação da representação simbólica, desta linguagem, nada mais é do que a criação deste meio interno de representação que possuímos. E a imaginação nada mais é do que o processamento deste simbolismo todo, a mistura e organização de todos esses estímulos sensoriais recebidos e representados. É fantástico poder acompanhar através da antropologia o desenvolvimento do aparelho psíquico humano. As primeiras representações rupestres destinavam a descrever um mundo real ao seu redor; símbolos de animais selvagens, de plantas, de rituais são observados em pedras. Depois da criação dessa linguagem simbólica, o surgimento da imaginação, uma espécie de aperfeiçoamento deste espaço interno. Começamos a ver então seres fantásticos serem desenhados, homens-pásssaros, formas fundidas entre animais e homens. Criatividade e imaginação, uma reorganização de estímulos recebidos feita apenas na presença deste espaço interno, surgem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim a história natural desta espécie chamada Homo sapiens caminhou até os dias de hoje. Podemos pressupor que o grande salto do desenvolvimento da nossa espécie se deu com o advento desta linguagem simbólica, pouco mais sofisticada do que outros tipos mais rudimentares como a linguagem corporal, por exemplo. O contínuo desenvolvimento desse espaço interno, distinto das pulsões fisiológicas presentes em todos os animais, fez com que desenvolvêssemos crenças, religiões que explicam fantasticamente o incompreensível (uma forma de representar o irrepresentável?), cultura, regras de convívio e organização social, e sobretudo outras formas de linguagem representação, que corroboraram para o desenvolvimento dos fatores citados primeiramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ref: &lt;a href="http://www.arqueologyc.hpg.ig.com.br/index.htm" target=main&gt;Portal Arqueologia&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106488965493356911?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106488965493356911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106488965493356911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_28_archive.html#106488965493356911' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106469987572468133</id><published>2003-09-27T18:57:00.000-03:00</published><updated>2003-09-28T03:05:44.166-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://movieweb.com/movie/beautifulmind/co7s.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Meu paciente com esquizofrenia&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Apenas dando continuidade aos escritos abaixo, conferência sobre esquizofrenia hoje. Cômico como alguns conceitos que eu intuitivamente tinha em mente e já aplicava em determinados pacientes foram apresentados hoje como sendo ferramentas para o manejo de indivíduos com esquizofrenia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um deles foi baseado na terapia cognitivo comportamental. A esquizofrenia é um transtorno mental que basicamente gera alucinações nas pessoas. Mais comumente sob a forma de vozes, a pessoa entra em um outro mundo, vive uma outra realidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me muito bem de um paciente que tive com este transtorno, há uns 2 anos atrás. Era um senhor já nos seus 40 anos que relatava estar sendo constantemente perseguido por um exército alienígena. Tinha alucinações com os extra-terrestres diariamente e descrevia armamentos e objetos por eles utilizados com uma riqueza de detalhes incrível. Fora internado por ter atirado para os supostos alienígenas durante seu expediente de segurança, em local público. Já haviam usado algumas medicações anti-psicóticas com controle parcial de suas visões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do mês que tive contato com ele, procurava sempre conversar sobre a doença, sobre o funcionamento dela e assim por diante. Estes pacientes têm a crítica muito afetada, e por isso é quase impossível demovê-los da idéia de que o que estão vendo são alucinações. Se alguém optar por convencê-los a não acreditar nas visões será um esforço em vão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas lentamente creio ter conseguido infiltrar um pouco de crítica em seu pensamento, contornando as alucinações. Expliquei-lhe o mecanismo através do qual a doença funcionava, teoricamente, e não desafiei ou duvidei em momento algum de seus alienígenas. Aos poucos fiz com que ele mesmo se questionasse se aquilo tudo era plausível com todas as experiências de vida que tivera antes. Mostrei a provável razão do conteúdo de seu 'mundo alternativo', associando o fato de seu pai ser muito rígido com ele por ser ex-militar, fazendo ligações de conteúdo, etc. Talvez tenha inflingido um certo senso de ordem em sua mente e ele estava aprendendo a encarar suas visões não com pavor ou pânico, mas com um olhar mais racional. Como realmente um defeito na percepção da realidade, 'uma incapacidade de proteger-se contra a realidade' normal (A. Huxley).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei muito contente quando, em um dos últimos encontros, muito mais calmo, ele perguntou para mim: 'Será que esses alienígenas realmente existem ou são apenas defeitos na minha percepção?' Na esquizofrenia, essas figuras sempre existirão naqueles pacientes que não conseguem se recuperar com o uso de medicações. Os alienígenas sempre estarão lá; o ponto é como você os verá, como você os encarará. É exatamente como no filme (lançado um ano depois) &lt;a href="http://www.adorocinema.com/filmes/mente-brilhante/mente-brilhante.htm" target=main&gt;'Uma Mente Brilhante'&lt;/a&gt;; no final John Nash consegue se reintegrar à sociedade, e uma das últimas cenas é fantástica, quando ele vai entrar na escola para dar aula, olha para o lado e ainda vê as mesmas figuras que habitaram suas alucinações durante sua vida inteira, ali paradas, fitando-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caímos novamente na vivência da realidade das pessoas. A esquizofrenia traz essa vivência de um mundo paralelo projetado através de alucinações que não são questionadas em momento algum pelos pacientes. Mas talvez o ponto-chave na melhora da qualidade de vida dessas pessoas (como mostrou um estudo que foi apresentado hoje na palestra) seja alterar a forma que o paciente encara essa realidade bizarra. Já que ela não será removida, talvez mudar a carga afetiva dela; fazer o paciente entender a doença, e se condicionar a perceber que aquilo que está em seu mundo, em sua realidade, deve ser ignorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro: o conhecimento da própria patologia e seu funcionamento psíquico é um dos elementos que ameniza a força desta. Acredito que o desconhecimento traga uma angústia enorme ao paciente, e por experiência própria o simples diagnóstico e elucidação do quadro clínica ajuda enormemente o paciente a 'combater' esse mal que agora ele pode delimitar e nomear. Acender a luz e mostrar a doença ao paciente que antes tentava atingí-la com golpes no vazio. O obscuro e o desconhecido sempre trouxe enorme aflito ao pensamento humano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo: transtornar a realidade alternativa na qual o paciente vive. Fazer com que esta seja condicionada a ser compatível com uma vida social melhor. Fazer com que ele ignore o mundo aterrorizador que experiencia falsamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, não poderíamos extender essa 'mudança de se encarar a realidade' para outras doenças além da esquizofrenia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106469987572468133?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106469987572468133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106469987572468133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_21_archive.html#106469987572468133' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106454755943235635</id><published>2003-09-26T00:39:00.000-03:00</published><updated>2003-09-26T01:11:02.066-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://content.barewalls.com/closeup/dal039c.jpg" target=main&gt;&lt;img src="http://content.barewalls.com/closeup/dal039c.jpg" width=150&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O mundo que queremos para nós... em nossas cabeças&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A nossa realidade. Começamos a existir, para nós mesmos, a partir de nossas lembranças. Por volta dos 3, 4 anos temos o primeiro registro pessoal de nossa vida. Em geral uma cena rápida, um evento corriqueiro do qual lembramos apenas vaga e nebulosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Via de regra os psicanalistas dizem que, em pessoas com determinados transtornos mentais, alguns desses eventos passam desapercebidos na infância, são vividos traumaticamente, incubados e recalcados, e depois na vida adulta são ressignificados (ou não), reaparecendo quando determinadas circunstâncias se estabelecem (tais circunstâncias não são assunto para agora, podendo ser discutidas &lt;em&gt;a posteriori&lt;/em&gt;), gerando a patologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como exemplo: uma moça em análise relata que foi 'violentada' pelos pais quando menina. O fato de ela ter sofrido uma violência pelos seus pais é 'real' ou ela teria 'vivido' isso como uma violência? Fruto de sua imaginação? Não é raro observarmos pessoas que relatam experiências passadas cotidianas e comuns (no exemplo dado o abraço, o colo, o carinho seria vivido de uma maneira aberrante, criando essa falsa experiência na moça) com uma carga anormal e dissoante de emoção. Mas, se o fato ocorreu ou não, incrivelmente não faz diferença: o que importa é o que ela experienciou psiquicamente, como o seu interior percebeu o decorrido. A Realidade não nos interessa, mas sim a realidade &lt;em&gt;dela&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posto isso, evidentemente com uma simplificação e generalização perigosa e até criminosa de alguns fundamentos de psicanálise, chegamos ao ponto que se desejava alcançar: a vivência interna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eventos exatamente semelhantes nas vidas de duas pessoas podem ter significados completamente diferentes para elas. A vivência pode ser totalmente outra, e isso influi no decorrer de suas vidas. Enquanto uma vê como ternura, outra vê como violência; a primeira vê como alegria, a outra como tristeza, e assim por diante. Tudo dependendo de nossa subjetividade. Determinada frase pode ser encarada como totalmente inocente, como pode levar um cunho irônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no final das contas não vai importar o que 'realmente' foi dito, mas o que foi assimilado. O 'como' isso foi assimilado, como entrou, e fundamentalmente como ficou registrado. Nessas nuances percebemos a fragilidade da realidade. Se eu xinguei Fulano de X, entretanto ele entendeu como um elogio (Y), o que realmente foi falado (X) perderá totalmente seu significado. Fulano pensará, 'poxa, ele me elogiou, disse Y de mim'. É claro, tudo dentro dos limites da modulação que nossa mente consegue fazer da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginemos um ambiente aparentemente sadio e amistoso de uma firma. De repente João se descontrola por um instante e emite uma opinião negativa sobre Paulo. O boato chega aos ouvidos de Paulo que ingenumente pensa então, 'mas aqui somos todos amigos, ele com certeza não deve ter falado isso, besteira...'. E assim o jogo de brincar com a realidade prossegue; muitas vezes se pode observar situações muito semelhantes, onde assimilamos o que nos convém. O contrário pode perfeitamente ocorrer quando olhamos para os pessimistas, que 'vêem' defeito em tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso psiquismo, com determinados limites, tem a característica de filtrar e em alguns casos de até modular, alterar a realidade para que ela possa ser vivida de uma maneira plausível para nós. É o caso das grandes mentiras que são contadas e recontadas; em determinada época o emissor não mais se lembrará se o fato ocorreu ou não, se é verdade ou mentira. Segundo Goebbels, mentor da propaganda nazista que começou a ser veiculada pouco antes da Segunda Guerra Mundial, uma mentira dita várias vezes acaba virando uma verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas máscaras já não caíram quando ouvimos determinada pessoa ou amigo falar mal de outra. Imaginamos um monstro ou a encarnação do demônio andando pela Terra. Mas quando vamos conhecer a outra pessoa podemos até ver que não era nada disso. Estávamos enxergando com o filtro da subjetividade do narrador, com seus olhos, com sua realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Múltiplos moduladores desta jogam conosco diariamente, principalmente através da propaganda. Fume um cigarro e 'venha para o mundo de Marlboro'. Beba e sinta-se rodeado de gente bonita, naquele clima espetacular dos comerciais de cerveja. Ou entre naquelas lojas de shopping onde toca aquela música acelerada e descolada, onde vendedores simpáticos, bonitos e com roupas diferentes te atendem com aquele ar de amizade e glamour, e faça compras; entre no clima; pena a música e o clima (e seu dinheiro também) estarem restritos aos metros quadrados da loja e durarem apenas o tempo que você estiver lá dentro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que filmes de muita qualidade como &lt;a href="http://whatisthematrix.warnerbros.com/" target=main&gt;esse&lt;/a&gt; ou &lt;a href="http://www.vanillasky.com/flash_site/index.html" target=main&gt;esse &lt;/a&gt;causam (há inúmeros outros mas os que me vieram à cabeça no momento são esses) um certo espanto em algumas pessoas. A desconstrução do nosso mundo, o questionamento de nossa realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frágil realidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Aliás, &lt;a href="http://www.otnemem.com/" target=main&gt;esse filme &lt;/a&gt;é espetacular. O site também é ótimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Figura: Illuminated Pleasures - Salvador Dali&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106454755943235635?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106454755943235635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106454755943235635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_21_archive.html#106454755943235635' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106436775302423485</id><published>2003-09-23T22:42:00.000-03:00</published><updated>2003-09-23T22:42:32.740-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A novela das 8 da Globo pode ser deplorável, mas a cena final de hoje com o 'raqueteiro' destruindo seu quarto ao som de 'As Quatro Estações', de Vivaldi, foi um lapso de lirismo raro no horário nobre da televisão... rs&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106436775302423485?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106436775302423485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106436775302423485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_21_archive.html#106436775302423485' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106435150163682716</id><published>2003-09-23T18:11:00.000-03:00</published><updated>2003-09-23T22:40:23.006-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/gogh/landscapes/gogh.olive-trees.jpg" width=150&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;As Portas da Percepção - A. Huxley&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em 'As Portas da Percepção' Aldous Huxley relata sua experiência com a mescalina, droga alucinógena derivada do peyote, raiz usada por tribos indí­genas americanas para rituais religiosos. Seu livro serviu como bandeira para que a geração &lt;em&gt;hippie &lt;/em&gt;dos anos 70 se entorpecesse, e inspirou Jim Morrison a criar a banda 'The Doors'. Mais tarde Morrison morreria de overdose, em Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ao se ler o livro, percebe-se que a intenção de Huxley não era a criação de toda uma sociedade das drogas, mas sim a sublimação e libertação da mente humana para que esta pudesse entrar em outras dimensões de realidade e compreender melhor esta. Uma experiência estética em torno dos objetos, que são vivenciados com cores mais intensas. Como se víssemos com a percepção de Van Gogh ou de Cézanne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro, que não é um romance e está mais para um ensaio, ao contrário dos outros escritos fantásticos de Huxley, adverte entretanto que a experiência com alucinógenos destinados a expandir o horizonte mental está reservada para aqueles livres de angústias e medos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomando a 'viagem' do autor, suas palavras nos levam a uma experiência estética ímpar que é descrita como um aumento sensório da percepção das coisas ao seu redor. Malhas, pedaços de tecidos e múltiplas silhuetas e formas são vistas como enlaçamentos infinitos de formas geométricas que ganham extrema importância na tempestade sensorial da mescalina. Realmente é como se estivéssemos olhando pelos olhos de um pintor expressionista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto interessante é o da sensação de onipresença; a droga introduz no autor um sentimento de perda de limites do eu, brinca com o finito da mente humana e joga ele no infinito das sensações, do 'existir' dos objetos. Não há mais delimitações entre o existir de uma cadeira, e o existir próprio. (Podemos inclusive associar essas sensações à angústia do sargento que não conseguia lidar com idéias que tendessem ao infinito, do post sobre &lt;a href="http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_14_ensaiosmeus_archive.html#106385436070320485" target=main&gt;religião&lt;/a&gt;; este por exemplo não retornaria ileso de uma 'viagem' com a droga) O infinito agora é uma realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desses relatos todos que Huxley faz sob o efeito da droga, podemos inferir que esta causou uma certa dissociação em sua percepção material, em sua percepção da realidade. Nosso mundo nos é representado, nos é apresentado simbolicamente. Vemos objetos com uma função, e não como texturas ou como um amontoado de matéria inorgânica. São poucos os que conseguem desvincular o sentido do mundo que olhamos. Por exemplo, olhamos para uma cadeira (automaticamente ao se ler a cifra, o código 'cadeira' já surge uma imagem, um significado em nossas mentes) como algo para sentar, algo com um objetivo, um papel, e não como um aglomerado de madeira que constituem determinada forma geométrica. É por esta razão que algumas pessoas se sentem incomodadas ao irem a exposições de arte moderna, pois a maioria das obras não estão na representação do simbólico, não representam nada físico ou palpável; estão no campo do imaginário, da experiência sensorial; um tipo de comunicação que passa sensações e não simbolismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mescalina fez com que esse simbolismo, que constitui um dos três eixos, instâncias de nossa sanidade mental segundo alguns autores (realidade, simbolismo e imaginário, segundo &lt;a href="http://www.colorado.edu/English/ENGL2012Klages/lacan.html" target=main&gt;Lacan&lt;/a&gt;) se desamarrasse, desaparecendo o simbolismo. Formas e objetos são observados não como símbolos destinados a uma função mas sim como cores intensas, formas geométricas infinitas, e justamente esse limite funcional se perde entre uma coisa e outra, perdendo o sujeito os limites entre as existências (já que todos compõem o mesmo mundo de formas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considero que experiências desse tipo com substâncias que alterem o estado mental, desde que não tragam nenhum vício ou conseqüência &lt;em&gt;a posteriori &lt;/em&gt;(como os &lt;em&gt;flash-backs &lt;/em&gt;do LSD) tenham um valor enorme em expandir a forma de pensar, os horizontes mentais de uma pessoa. Como ressaltou o autor, esta experiência deve ser reservada a pessoas livres de angústia. Meu ponto de vista sugere que pessoas angustiadas, que não tenham uma estabilidade muito bem sedimentada, sejam levadas a usar a droga como uma instância libertadora de suas neuroses, como um estanque para as angústias, e por isso devam cair no vício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessário uma mente totalmente balanceada (o que confesso ser muito difícil para qualquer pessoa) para que uma experiência com substâncias que alterem o estado mental seja satisfatória e produtiva, sem causar danos posteriormente. Creio também que tais sensações e experiências podem ser experimentadas por aqueles que conseguem se desvincular da realidade sem qualquer tipo de substância; por exemplo os artistas que conseguem retirar o filtro simbólico e ver o mundo com outros olhos, exacerbando assim a passagem do imaginário para a realidade (telas, esculturas, etc).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo sem perder contato com a realidade, ou seja, sem ficar louco... teoricamente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.: - brevíssima explicação sobre as idéias de &lt;a href="http://www.colorado.edu/English/ENGL2012Klages/lacan.html" target=main&gt;Lacan&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Van Gogh &lt;a href="http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/gogh/" target=main&gt;Webmuseum&lt;/a&gt; (quadro acima: Olive Trees)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106435150163682716?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106435150163682716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106435150163682716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_21_archive.html#106435150163682716' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106420165825726039</id><published>2003-09-22T00:34:00.000-03:00</published><updated>2003-09-22T15:04:29.766-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://wso.williams.edu/~dgerstei/chaplin/myscans/gears.gif" width=100 target=main&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Cultura em massa: tempo é dinheiro&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adorno foi um dos muitos pensadores judeus que foram exilados da Alemanha/Áustria durante a ascensão do nazismo nos anos 30 do século passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente foi para a Inglaterra, depois passando para os E.U.A., onde compôs grande parte de suas obras, especificamente em Nova Iorque. Talvez a robustez da cidade juntamente com seu crescimento acelerado, transformando-a no símbolo do 'american way of life', o tenham afetado e causado tanto impacto negativo, levando-o a teoretizar sobre os aspectos negativos da industrialização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns pontos importantes sobre seu paradigma da cultura em massa podem ser claramente contemplados hoje. O contínuo bombardeio de informações padronizadas através dos meios de comunicação de larga escala, a mídia, a publicidade. A velocidade e sede por informações, fazendo com que cada vez mais sejamos alvo da torrente de novidades e inovações que nos inunda cada vez mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio ser a internet e os jogos de vídeo-game, por exemplo, um mal enorme para o desenvolvimento de uma pessoa se não usados corretamente. Acostumada a 'abrir' milhares de janelas, a ter a gana pelo novo, estará sempre atrás de informações, sem que se aprofunde em alguma. Sempre vendo milhões de coisas superficialmente, ao invés de sedimentar algumas. Não é de se surpreender que essas duas 'maravilhas' da tecnologia tenham um poder de diminuir a capacidade de concentração de uma criança, como mostram alguns estudos. Quantas pessoas conhecemos que páram e ficam mais de 10 minutos em uma página estritamente lendo sobre determinado assunto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hollywood, Coca-Cola, McDonalds, Marlboro. Escravos da falsa opção, servos da 'consciência' coletiva, dos 'standarts' de vida. Algo que escapa aos padrões é visto com olhares desconfiados e é marginalizado à sociedade. É claro que já foi muito pior, mas a padronização ainda persiste. A padronização em prol da produção em larga escala, e novamente caímos na questão da velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo deve ser feito com rapidez, e para isso houve a industrialização, a divisão do trabalho. Não estamos mais falando em qualidade, mas sim em quantidade. Você não é mais um artesão que elabora uma renda, ou um pintor que faz um quadro decorativo, ou um 'chéf' que faz um prato especial. Agora você aperta parafusos, você carimba papéis, você põe a alface no sanduíche, você digita textos dia e noite, ou você é encarregado de falar umas 200 vezes por dia, de sorriso amarelo: 'bom dia! Qual número vai pedir?' &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho como forma de sublimação, de satisfação e encaixe social se foi. Não há mais troca de trabalho, e a função social do mesmo se perdeu. Agora não trabalhamos para produzir algo para alguém, essa finalidade há muito desapareceu e permanece enevoada pela fumaça do capitalismo, onde funções são distribuídas a um grande contingente a fim de satisfazer a produção e ao chefe, o número um da cadeia, que comanda e armazena todos os lucros. Como o consumo de bens, alimentos e informação é cada vez maior, entramos no ciclo-vicioso da oferta e consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até trabalhos que teoricamente eram para ser individualizados, como o atendimento &lt;strong&gt;médico&lt;/strong&gt;, sucumbiram à filosofia da mais-valia através dos terríveis planos de saúde. Ambulatorialmente, ninguém está mais preocupado em dar um bom atendimento, mas sim em perfazer um enorme número de consultas, pois afinal, à 6 reais a consulta se cada uma fôr levar 30 minutos que seja, os médicos irão morrer de fome. Nos pronto-socorros se vê o de sempre: médicos dando a cara a bater e arriscando o CRM para que a 'caixinha seja zerada', afinal, há pacientes que estão esperando mais que 3 horas: logo, novamente consultas de emergência e diagnósticos tendo de ser feitos em poucos minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indubitavelmente a velocidade crescente de descobertas, de informações novas, dos meios de comunicação, dos meios de produção, trouxe grandes adventos à humanidade. Infelizmente isso está sendo desvirtuado a favor do acúmulo de dinheiro daqueles que estão no topo, que pouco se importam com a qualidade dos produtos. Estão apenas interessados em colocar uma maquiagem boa, comerciais engraçadinhos que façam o consumidor cego se sentir bem e comprar, comprar cada vez mais para que o bolso dos diretores materialistas fiquem cheios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ref.: - resenha de &lt;a href="http://wso.williams.edu/~dgerstei/chaplin/machines.html" target=main&gt;'Tempos Modernos' &lt;/a&gt;de Charles Chaplin [em inglês]&lt;br /&gt;- &lt;a href="http://www.msu.edu/user/sullivan/TangCritTheoryAdornoCultInd.html" target=main&gt;The Culture Industry&lt;/a&gt;, Enlightment as mass deception - Theodor Adorno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106420165825726039?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106420165825726039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106420165825726039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_21_archive.html#106420165825726039' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106394675569173579</id><published>2003-09-19T01:45:00.000-03:00</published><updated>2003-09-19T01:46:02.990-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A &lt;a href="http://www.msu.edu/user/sullivan/TangCritTheoryAdornoCultInd.html" target=main&gt;indústria da cultura&lt;/a&gt;, de Theodore Adorno, para quem tiver paciência de ler (em ingçês). Retirando o autor do contexto no qual estava inserido quando escreveu o texto, há muitas coisas que valem para os dias de hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106394675569173579?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106394675569173579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106394675569173579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_14_archive.html#106394675569173579' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106385436070320485</id><published>2003-09-18T00:06:00.000-03:00</published><updated>2003-09-18T00:06:20.956-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Religiões: cura?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Religiões: dogmas, regras, pecado, céu, inferno, punição, paraíso, alívio, dor, fanatismo, crença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das muitas características das religiões, além de ser um código de comportamento social, é a de colocar um fim no infinito. De onde viemos, para onde vamos, qual a minha finalidade, são perguntas que a ciência ainda não conseguiu responder, e que a religião consola, assim por dizer, seja qual for ela, com seus ensinamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia do infinito sempre nos trouxe um desconforto mental. Pensar no universo e sua dimensão ou na atemporalidade (o que houve antes do &lt;em&gt;Big Bang&lt;/em&gt;?) por exemplo nos coloca continuamente um nó na cabeça. Sempre caberá a pergunta: 'mas o que veio antes disso tudo' ou 'além disso, o que existirá'? A origem das coisas é algo que incita uma certa sensação de insanidade mental, talvez por sermos seres finitos e estarmos sob a tutela do tempo, e dessa forma idéias dessa dimensão não sejam cabíveis na racionalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez conversei com um sargento quando estava durante um plantão. Era uma pessoa culta e muito estudiosa, me contou que sempre estudava muito e que era muito bom em fazer contas, em pensar e raciocinar. Chegou a cursar 1 ano de física na USP, mas desistiu por estar faltando muito às aulas devido ao emprego. Me relatou um episódio muito peculiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante sua adolescência, era muito intrigado com questões filosóficas semelhantes: de onde viemos, o que veio antes do mundo, qual a origem da existência, do universo. Certa vez, começou a entrar 'em parafuso' de tanto pensar em tais questões, e começou a ficar deprimido por não achar resposta a elas. Correu para uma praça perto de sua casa com uma garrafa na mão, quebrou-a e tentou se suicidar, devido à angustia decorrente de tais perguntas insolúveis. Foi achado e socorrido pelo irmão. Desde então ficou adepto de uma determinada religião, que pôs fim às suas indagações, não mais ocorrendo episódios semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que podemos inferir que o fato de pensar em questões sem resposta não tenha sido o gerador de seu quadro mas um mero desencadeante, pelo simples motivo de observarmos que nem todas as pessoas que se deparam com tais questões tem surtos psicóticos. Mas o sem-fim e conseqüentemente a relativização excessiva das coisas nos põe em cheque, suspende nossa racionalidade e duvida a nossa existência, que se baseia em preceitos finitos. É como se estivéssemos cruzando freqüências diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato é que sua religião o salvou. Estando ela certa ou não (motivo pelo qual eu não a mencionei aqui, para não gerar preconceitos), ele agora 'achou' respostas para suas perguntas e não mais se incomoda em tentar 'descobrir' o que há por trás da existência. Creio ser a religião um excelente mecanismo de normatização de idéias, que no caso trouxe alento à angustia de uma pessoa, como acontece muito por aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106385436070320485?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106385436070320485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106385436070320485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_14_archive.html#106385436070320485' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106385202790445619</id><published>2003-09-17T23:27:00.000-03:00</published><updated>2003-09-17T23:27:24.126-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Reportagem muito boa sobre &lt;a href="http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI142028-EI312,00.html"&gt;religiões&lt;/a&gt;, do site do terra (que puxou a reportagem da &lt;a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/index.shtml"&gt;BBC.com Brasil&lt;/a&gt;).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106385202790445619?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106385202790445619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106385202790445619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_14_archive.html#106385202790445619' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106368349880073409</id><published>2003-09-16T00:38:00.000-03:00</published><updated>2003-09-16T00:46:44.323-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Clique &lt;a href="http://calendario.blogger.com.br/" target=main&gt;aqui&lt;/a&gt; para ver frases famosas, que te incomodem ou te façam refletir de grandes personalidades. Blog muito bom&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106368349880073409?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106368349880073409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106368349880073409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_14_archive.html#106368349880073409' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106368224344701934</id><published>2003-09-16T00:17:00.000-03:00</published><updated>2003-09-16T00:25:37.036-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Psicologismos&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Andei conversando com uma colega de sala e discorremos sobre o assunto de 'psicologismos'. Ela dizia como era fantástico o uso da psicanálise como sendo uma ciência fonte de todas as ciências humanas; como agora ela encara as coisas diferentemente e que é praticamente impossível não ver o mundo com olhos psicanalíticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio concordei com ela, sem pensar muito na questão. É claro que muita coisa muda depois de se aprofundar um pouco no estudo desta ciência, e percebe-se facilmente a sua aplicação na publicidade, na política, na sociologia, no nosso dia-a-dia. Não poderia se esperar menos de uma ciência que trata do essência humana, logo, todas as demais ramificações criadas pelo último levam seu trasso nelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não concordo em absoluto com essa radicalização de seu uso. Sendo uma ciência caso-singular é muito difícil apresentar padrões muito aprofundados de funcionamento. A individualidade é responsável pela enorme variedade de apresentações clínicas e de situações, trazendo essa caracterísitca única. Logo, não se pode realizar grandes tipologias onde as diversas naturezas humanas possam ser encaixadas. É lógico que existem padrões de funcionamento, de resposta, de desenvolvimento, mas eles não devem ser 'aplicados' mas sim devem ser 'deixados transparecer' pelo paciente; acredito que a verdadeira análise do ser humano esteja aí. Caso contrário, podemos estar jogando muitas questões  nossas, resolvidas ou não, nos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nesse âmbito que já vi muitos profissionais (se é que se pode dizer isso deles) por aí fazendo 'interpretações' e explicações da vida cotidiana sem conhecimento de causa apropriado. São aquelas pessoas típicas que, enaltecidas pelo furor intelectual do aprendizado das ciências humanas, 'interpretam' frases soltas, coisas ditas na internet, e-mails, gestos ao léu, etc. Acabam por expor asneiras e teoremas totalmente descabidos e inapropriados à ocasião, a começar pelo pouco contato e superficialidade do mesmo com a história ou assunto a ser tratado. E na minha opinião são esses profissionais anti-éticos (e com falta de qualquer bom senso) que dão tamanho discrédito à profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro fato é a questão de conseguir se 'desligar' desse vício intenso que apodera os estudiosos da mente no que tange à análise do dia-a-dia. Se for levado a cabo esse estilo de vida 100% analítico, este começa a entrar em uma tempestade cerebral na qual um simples gesto de mão começa a ter milhões de significados e o leva a pensar em inúmeras possibilidades, e assim por diante. Apenas citando dois argumentos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar: como diria o inventor da ciência, 'há horas em que um charuto é apenas um charuto'. É como se as pessoas olhassem constantemente por uma lente analítica que filtrasse e distorcesse qualquer 'inocência' de gestos, palavras, etc. Há muitas coisas na vida que são destituídas de qualquer intencionalidade ou segundas intenções, olhadas singularmente ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo, há muitas pessoas que não estão preparadas para encarar as coisas que circundam os bastidores de nossas mentes, e nem querem fazê-lo. E concordo que há muitas questões que é melhor serem deixadas de lado. Pessoas que funcionam melhor não sabendo de determinadas 'verdades'. (Com certeza eu mesmo tenho muitas dessas questões, mas não vou incomodá-las a não ser que elas me incomodem, ou desde que eu tenha um funcionamento psíquico adequado) Portanto é totalmente descabido aquelas pessoas que chegam jogando certas verdades (que muitas vezes nem são verdades) na cara de outras, afirmando enfurecidas que isso ocorre porque X é assim, ou porque Y é assado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é dessa forma que acredito que o conhecimento psicanalítico não deva ser levado em tempo integral ao cotidiano. Como já escrevi, muitas interpretações da sociedade, da nossa cultura e tendências humanas podem ser realizadas com um ótimo embasamento, mas a vulgarização de seu uso leva a leviandade do conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Acerca do 'furor intelectual' também pode se falar muita coisa sobre a opção daqueles que estudam ciências mentais em fazê-lo, mas fica para outro post)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106368224344701934?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106368224344701934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106368224344701934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_14_archive.html#106368224344701934' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106359528864101414</id><published>2003-09-15T00:08:00.000-03:00</published><updated>2003-09-15T00:09:52.820-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Site de um amigão meu: &lt;a href="http://kioshi.org/blog/" target=main&gt;kioshi.org&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106359528864101414?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106359528864101414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106359528864101414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_14_archive.html#106359528864101414' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106351942264425527</id><published>2003-09-14T03:03:00.000-03:00</published><updated>2003-09-14T03:13:16.880-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sobre os suicidas (inclusive meu paciente, E)&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dando continuidade ao post sobre egoísmo, tentei refletir sobre o que acontece com os suicidas, pessoas com quem terei de lidar freqüentemente no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que é claro que, de uma maneira bem simplista e reducionista, fazemos o que nos traz prazer, o que sacia nosso aparelho psíquico. Como havia escrito anteriormente, até os altruístas e os masoquistas podem ser encaixados nesse pensamento. Os primeiros tem o feliz dom de dirigir seu egoísmo/narcisismo para o externo e se satisfazem com a felicidade alheia, e os últimos infelizmente abstraem prazer do sofrimento próprio. Quando as barreiras das regras sociais são amenizadas na forma dos sonhos, a psicanálise conseguiu concluir que estes nada mais são que a satisfação de desejos, ainda que camuflados. Pode-se concluir que o inconsciente, nossa essência assim por dizer, é egoísta. Nada mais justo também do que a auto-satisfação para a sobrevivência, do ponto de vista Darwinista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para os suicidas: o que faria com que uma pessoa tirasse a própria vida? Para mim há 2 tipos de suicidas. O primeiro deles é o ameaçador, aquele que, a despeito de alguma doença psiquiátrica de base que realmente possa existir, quer atrair o olhar alheio. Por exemplo por falta de atenção, o sujeito anuncia em alto e bom tom que vai se matar. São inúmeros os casos de tentativas que no fundo não são &lt;em&gt;realmente&lt;/em&gt; tentativas. Já vi pessoas que tentaram se matar 'cortando' seus pulsos com instrumentos que tinham um poder cortante fraquíssimo, outras que tomam doses dobradas de dipirona, por exemplo. Seria como um 'fake suicide', uma simulação. (Apenas um adendo: é evidente que &lt;em&gt;qualquer &lt;/em&gt;tentativa de suicídio tem de ser encarada como real até as últimas circunstâncias, portanto essa separação em dois tipos não implica qualquer distinção em conduta para ambos.) Essas pessoas procuram satisfazer um déficit de atenção para com elas simulando ações que dirijam para as mesmas grande catexia emocional por parte dos telespectadores ou ouvintes. Seria como um 'olhe para mim senão eu vou fazer besteira'. Não deixa de ser uma satisfação de um desejo, o de ter atenção, um déficit emocional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo tipo é o suicida 'autêntico'. Aquele que é atormentado por uma tremenda angústia e que quer tirar sua vida não para satisfazer um desejo próprio ou um déficit de alguma categoria de sentimento ou pensamento, mas para acabar com sua agonia. Simplesmente para acabar com o seu sofrimento. Podemos citar como um exemplo os depressivos clássicos melancólicos. Estes são atormentados por tamanha anedonia, falta de iniciativa e de vontade de exercer suas atividades, que lhes causam profunda angústia. Esta, em seu funcionamento mental, só pode ser sanada através da morte, da cessação da existência. A dor psíquica é tamanha que é incompatível com a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses são os casos mais perigosos e que merecem um cuidado especial. Já ouvi relatos de vários professores que tive no estágio de psiquiatria durante a graduação, de pacientes que 'marcaram' eles. Um dos relatos falava de uma paciente em tratamento para depressão. Estava tomando medicação já há algum tempo, e parecia ter melhorado. Em sua última consulta falou ao psiquiatra que estava ótima, que melhorara bastante. No mesmo dia cometeu suicídio deixando uma carta à ele eximindo-o da culpa de sua morte, pois ela não estava mais agüentando e achava que não tinha mais jeito. Por isso simulou uma melhora, fez com que seu psiquiatra acreditasse em seu bom estado de espírito para que pudesse tranqüilamente acabar com sua própria existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se trata de simulação e cinismo parece que alguns seres humanos têm um certo dom em fazer isso, e foi o que aconteceu com ela infelizmente escondendo sua angústia de todos, até daquele que a tratava. Estes são os que realmente querem se matar, as barreiras que os impeçam de fazer isso podem ser poucas; sim, subtraindo-se o conteúdo emocional (que compõe a parcela esmagadora do fato) e tendo muito sangue frio, não há grande dificuldade técnica para se matar. Meu paciente E, do batalhão, já me relatou duas tentativas de suicídio. Na primeira, em 2002, colocou um fuzil na sua boca quando estava sozinho rondando o quartel. Só não atirou porque pensou que iria deixar algumas pessoas tristes e sozinhas com sua morte. A segunda tentativa, este ano, foi quando passou por um contratempo em casa e, lendo a bula do anti-depressivo que estava tomando e vendo que o mesmo era muito perigoso em overdose, esvaziou a cartela do medicamento em sua mão e engoliu todos os comprimidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, por isso decidi tomar E sob minha tutela para tratamento, aumentando sua dose de anti-depressivo, retirando-o de serviço com armas, e dando-lhe alguns dias de férias...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106351942264425527?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106351942264425527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106351942264425527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_14_archive.html#106351942264425527' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106351547877130001</id><published>2003-09-14T01:57:00.000-03:00</published><updated>2003-09-14T02:15:34.896-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Momento musical&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Já faz algum tempo, mas lembrei que é uma pena que grupos como o &lt;a href="http://www.ratm.com/" target=main&gt;Rage Against the Machine&lt;/a&gt; tenham acabado. Zack de la Rocha, o vocalista inteligente, rebelde e 'desbocado', deixou a banda e foi substituído por Chris Cornell, ex-vocal do Soundgarden. Com isso o grupo passou de uma excelente banda com atitude, letras inteligentes, um som inovador com muito estilo e opinião política (é só ver a 'bibliografia indicada' na contracapa de Evil Empire, segundo disco deles) para um som pop/comercial com o tom monótono e melancólico do novo cantor, sob o nome de Audioslave. Vez ou outra ainda se percebe a feroz e inventiva guitarra de Tom Morello ao fundo, mas com certeza eles nunca serão presos por tocarem 'Sleep now in the fire' em frente à Casa Branca. Não que eu não goste de som comercial, mas não agüento mais ligar o rádio e ouvir as músicas do Audioslave tocando o dia inteiro, a mando das gravadoras... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente não consegui assistir a nenhum show deles, e agora não vou poder mais. Parece que Zack de la Rocha sumiu de cena também, a última música sua que tive notícia foi composta com DJ Shadow e se chama &lt;a href="http://bitpimps.com/happy_times/Zack%20de%20la%20Rocha%20and%20DJ%20Shadow%20-%20March%20of%20Death.mp3" target=main&gt;'March of Death'&lt;/a&gt;. Vale a pena conferir algumas &lt;a href="http://www.zackdelarocha.com/index.html" target=main&gt;palavras dele &lt;/a&gt;sobre a Guerra do Iraque...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;It had to be capitalism&lt;br /&gt;The vortex of this rage&lt;br /&gt;This competition&lt;br /&gt;Man to man&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The horses head in a capitalists' bed&lt;br /&gt;The Cuban turf&lt;br /&gt;It rumbles in hitmen &lt;br /&gt;And gang wars across oceans&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bombing Cambodia settled the score when Soviet pilots&lt;br /&gt;manned Egyptian fighter planes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chiles' red democracy&lt;br /&gt;Bumped off with White House pots and pans&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Rage Against the Machine - Hadda be playing on the jukebox)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://images.amazon.com/images/P/B0000029D9.01.LZZZZZZZ.jpg"&gt;&lt;br /&gt;(P.S.: Recomendo para leitura: &lt;a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=70954&amp;ST=SE" target=main&gt;"O livro negro do capitalismo"&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106351547877130001?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106351547877130001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106351547877130001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_14_archive.html#106351547877130001' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106342718829108677</id><published>2003-09-13T01:26:00.000-03:00</published><updated>2003-09-13T01:33:18.130-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Mais uma foto do 7 de setembro que coloquei no meu &lt;a href="http://www.fotolog.net/garga85/" target=main&gt;fotolog&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.ensaiosmeus.hpg.ig.com.br/DSC00169.jpg" width=500&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106342718829108677?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106342718829108677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106342718829108677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_07_archive.html#106342718829108677' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106333808440068820</id><published>2003-09-12T00:41:00.000-03:00</published><updated>2003-09-12T00:42:43.236-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>É, conforme o ano vai chegando ao seu final, o trabalho no batalhão vai ficando cada dia mais tranqüilo. Está um completo marasmo. Em comparação, o serviço fora vai aumentando: aulas de revisão, leituras para a pós, estudo para a residência. Hora de se concentrar para o final do ano...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E amanhã vai ter um seminário muito bom sobre "Inscrições Rupestres" com professores renomados... vamos ver...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106333808440068820?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106333808440068820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106333808440068820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_07_archive.html#106333808440068820' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106321272927850026</id><published>2003-09-10T13:52:00.000-03:00</published><updated>2003-09-10T13:52:09.340-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Finalmente o sistema de comentários voltou...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106321272927850026?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106321272927850026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106321272927850026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_07_archive.html#106321272927850026' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106321270170570576</id><published>2003-09-10T13:51:00.000-03:00</published><updated>2003-09-10T13:51:41.773-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Egoísmo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Se há um pensamento que me apetece, que acabei por encontrar correspondente no último livro que li, é que o ser humano é naturalmente egoísta. Isso, posto dessa maneira, pode causar um impacto principalmente tendo-se em vista os nossos princípios morais. Mas não deixa de ser uma verdade irrefutável, na maioria dos casos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não fôssemos egoístas não estaríamos vivendo, não haveria uma força motora para nos impulsionar ao longo da existência e, a exemplo dos depressivos clássicos que são destituídos de qualquer iniciativa, estaríamos por aí simplesmente por estar. É a gana de satisfazer o nosso ego que nos impele a competir, a trabalhar, a ganhar dinheiro, e até mesmo os altruístas não escapam disso. Pode-se dizer que o altruísmo é uma maneira de se aliviar a consciência, de retirar o peso dela. Pensando-se de outra maneira, pode-se dizer também que o egoísmo do altruísta está direcionado ao externo; seu prazer, sua satisfação pessoal está em ver a felicidade alheia. Uma espécie de poder, encarado sob determinada ótica; a de proporcionar prazer e satisfação ao próximo, detentor e regulador dessa qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o egoísmo, por mais disfarçado que ele esteja, não seríamos quem somos e não encontraríamos espaço na existência, já que, penso eu, um dos primeiros princípios do existir é a auto-preservação. Uma das maneiras desta é a auto-preservação psíquica com satisfação do conteúdo próprio: o "egoísmo" (no sentido literal da palavra, e não o egoísmo carregado de valores morais, evidentemente; narcisismo seria um termo melhor).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que um egoísmo/narcisismo voltado para o bem-estar social é excepcionalmente melhor do que outros tipos, mas sem hipocrisias de que 'eu ajudo o próximo, o que você faz pela sociedade?'. Têm todos a mesma origem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106321270170570576?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106321270170570576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106321270170570576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_07_archive.html#106321270170570576' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106307619775770851</id><published>2003-09-08T23:56:00.000-03:00</published><updated>2003-09-08T23:56:37.623-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;F quis me ludibriar...&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Novamente me deparo com aquela velha questão da tentativa de enganar o médico, no batalhão. Dessa vez foi F querendo dar uma de louco. Já havia vindo à mim no começo do ano, dizendo-se que estava 'depressivo' (sendo que depois não soube explicar exatamente o que seria o depressivo para ele). É filho de não sei que coronel, conhece não sei quem, tem contatos não sei mais onde; veio parar no serviço militar obrigatório. Vendo que não iria escapar mesmo do baque inicial que seriam as puxadas atividades no começo do ano, não apareceu mais ao meu consultório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora (época de definir as baixas, ou seja, quem é liberado primeiro do serviço militar) retorna subitamente dizendo que estava em tratamento 'psicológico' em outro serviço desde aquela época. Entretanto, não sabe referir qual medicamento estava tomando (estranho alguém usar um remédio 6 meses e não saber o nome), e não tem nenhuma receita do tal psicólogo. Disse que este receitou a ele remédio (???), pois estava com depressão. Segundo ele, parou de tomar a medicação há uma semana e agora experiencia uma certa 'fobia' em vir ao batalhão (???). Ficou me fazendo uma tal cara de coitado que em quesito de dramaticidade a representação dele receberia 10, estava realmente trágica-cômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cartada final foi quando ele me disse, com uma feição de 'acredite em mim por favor', que o anti-depressivo dele era 'tarja preta e tudo mais'. Pelo que sempre soube, apenas medicações como anoréticos e benzodiazepínicos, por exemplo, são tarja preta. Anti-depressivos são vendidos com retenção de receita, nunca com receituário especial de medicamento tarja preta... Pois é, falei que iria encaminhar ele ao psiquiatra do hospital geral. Mas acho que antes vamos bater um longo papo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106307619775770851?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106307619775770851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106307619775770851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_07_archive.html#106307619775770851' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106298975559194954</id><published>2003-09-07T23:55:00.000-03:00</published><updated>2003-09-07T23:56:11.080-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;7 de Setembro&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;7 de Setembro foi legal, nunca havia ido em um desfile cívico-militar; ainda mais eu estando do lado militar, hoje em dia. Apesar de ter dormido apenas 1 hora de sábado para domingo (pra ter que acordar às 3:20 am), de estar morrendo de sono e sem muita criatividade para tirar fotos, gostei do desfile, foi divertido. Não imaginei que tanta gente fosse ver o evento, prestigiar as forças armadas... me surpreendi.&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.ensaiosmeus.hpg.ig.com.br/set7.jpg" width=500&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106298975559194954?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106298975559194954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106298975559194954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_07_archive.html#106298975559194954' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106290704819179176</id><published>2003-09-07T00:57:00.000-03:00</published><updated>2003-09-07T01:11:44.433-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Y piorou&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Bom, Y piorou. Estava vivendo seus dias normalmente mas no último final de semana teve uma piora de sua doença auto-mutilante e agora encontra-se novamente em casa, sem poder sair. Como havia escrito anteriormente, sua doença (que tem um componente emocional enorme) se fundiu com ela e encontrou em sua pessoa uma forma de coexistir, e assim ela está em simbiose com a patologia; sua forma de ser no mundo, sua identidade agora é &lt;em&gt;com &lt;/em&gt;a doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nossa última conversa esmiucei um ponto sobre sua personalidade que se encontrava fundido com a doença, o do egocentrismo. Creio ter conseguido destacar esse aspecto, esse funcionamento. Algo que ela até o último instante negou, poucos minutos antes de chegar a conclusão sobre essa qualidade de sua pessoa. Apesar de ainda se encontrar perturbada com essa descoberta e rejeitar, não aceitar esse aspecto próprio (uma metáfora com sua auto-mutilação? Essa negação também deve ser trabalhada) teve seus dias de paz. Mas entrou em nova crise, após ter referido 'ter tido um final de semana ótimo'. Sentia-se culpada por ter tido dias bons, ao que depois não soube explicar o motivo dessa frase, dessa expressão 'culpada'... (essa frase me gerou um grande impacto, como se quisesse dizer algo importante, entretanto não consegui até o momento imaginar algo suficientemente plausível para explicá-la... e esse algo importante talvez invalide totalmente esse post!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indo por partes: no que se constituiu o seus dias ótimos? Saiu com uma pessoa, um caso seu, e trabalhou em um lugar conceituado na segunda-feira, após longo período de inatividade. Diz ter tido uma crise leve no domingo, ao que ela própria chegou a conclusão ter sido por causa de um certo nervosismo e anseio para com o novo emprego. Mas nada muito grave. Então, após ter chegado do trabalho veio a avalanche mutilante que acabou com seus dias de alegria: novo surto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me chamou a atenção em 'A produção social da loucura' foi o fato de alguns autores encararem a puberdade como uma estruturação do ego à vida social; o indivíduo com todos os seus complexos infantis decorrentes da educação normal de uma criança põe para fora os seus recalques adormecidos a fim de uma reorganização social. Fantasias de grandeza e onipotência geradas por uma energia psíquica enorme que desponta nessa idade, fruto do crescimento descomunal psíquico e físico no adolescente, são reorganizadas em função do ego da pessoa para a função social, sob sua principal forma, o trabalho, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato é que, isso me disse muito a respeito de alguns aspectos fundamentais em Y que já haviam me alertado, mas que não soube (não tive ainda como) abordar com ela, justamente por se tratar de uma questão delicada. Sempre me pareceu, assim como para a avassaladora maioria de suas colegas mais próximos, que a escolha profissional de Y não fora, de certo modo, acertada. Era como se sempre houvesse algo de errado; sua postura como profissional, a despeito de preconceitos, era muito diferente das dos demais colegas. Algo sempre saia errado, e parecia não haver um empenho autêntico por parte dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe dizer também que Y sempre fora uma menina muito cobrada por seus pais. Escolheu a mesma profissão de seu pai, assim como iria escolher a mesma especialidade deste, fato que se consumaria no começo desse ano não fosse ela ter sido rejeitada pela banca de examinadores em sua entrevista, o que gerou sua grande crise de 2003, como escrevi antes. Acredito também que sua escolha profissional, além de ter sido orientada pelo seu pai, fora também orientada pelo &lt;em&gt;glamour &lt;/em&gt;de uma carreira muito difícil de se entrar no vestibular, e toda essa necessidade de afirmação intelectual que ela gera, uma certa necessidade de gerar orgulho em sua família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, neste ano de grandes reviravoltas e questionamentos sobre seu futuro e sobre seu objetivo na vida, um passo fora dado quando Y descobriu que escolhera a tal especialidade por causa de cobranças e não por desejo próprio. Ora, o mesmo poderia ser aplicado com relação a sua escolha profissional por essa carreira, feita anos atrás, e não apenas a especialização. Me ocorreu agora também, que suas crises tiveram uma acentuada piora nos últimos anos de faculdade, período esse em que o aprendizado é eminentemente prático, aproximando o aluno intimamente com a atuação profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aspecto sobre idéias de onipotência e fantasias de grandeza, destacados no livro, me descreveram outro aspecto por demais característico na personalidade de Y. Poderia passar horas e horas falando de suas fantasias de grandeza, o que com certeza é um fator de sua composição pessoal. Penso então que seria apenas outra peça a se juntar na composição de Y; provavelmente durante sua puberdade (quando teve o início de suas crises) essa reorganização egóica culminou com sua escolha profissional, a famosa opção do vestibular; uma opção talvez equivocada, pressionada. Nunca fora uma aluna dedicada, muito pelo contrário. E ao se aproximar da verdadeira atividade da profissão, começaram a exacerbar-se as crises, mostrando um conflito interno, um 'não-querer'. Ficou fixada então nessa fase de reorganização, sempre mostrando suas fantasias de grandeza, voltando ao ponto onde o erro fora cometido, à sua puberdade. Como se o tempo estivesse parado, e a pedra no caminho, o divisor de águas que a jogou para um rio à qual não pertence, sempre voltasse a sua mente. Uma reorganização egóica falha acarretando entre outras coisas um mal-estar social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas coisas me fazem reforçar essa teoria sobre Y. Por exemplo o fato de o filme 'Vanilla Sky' ser o preferido dela, ter gerado segundo ela um enorme incômodo. Um filme onde é realizada uma desconstrução brutal sobre o conceito de felicidade na sociedade contemporânea. Bens de consumo, ideais de profissão e de estilo de vida são desmontados fantasticamente no enredo do filme, que termina com o questionamento sobre o que é felicidade. Exatamente o que acontece com Y; talvez a pergunta que esteja latente nela que ela não tem coragem de se fazer seja: 'será que fiz uma escolha profissional baseada em imposições externas ou no que eu realmente desejo?'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim sua falta de dedicação e interesse durante a graduação, suas fantasias de grandeza remontando à época da decisão desacertada, sua piora da doença no final da faculdade, sua insistência em dizer que realmente gosta do que faz (já questionaram ela sobre isso, ao que chegou até a se exasperar e afirmar categoricamente que é o que quer fazer para a vida), sua atual crise após ter voltado a trabalhar, tudo isso contribui para essa linha de raciocínio exposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que não pretendo impôr meus pensamentos a ninguém, longe disso, e há uma incerteza enorme no que escrevi, o que só Y poderá me confirmar através de um diálogo livre, da mesma maneira que realizei com ela antes. Estando certo ou errado, apenas uma pessoa, e não eu, sabe disso: Y. Apenas espero conduzí-la de alguma forma por essa linha e, se esta se provar verdadeira, esperar que melhore sua auto-mutilação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho consciência de que sua doença é multi-fatorial e que nela encontrou forma de coexistir; um aspecto talvez tenha sido desmontado, o do egocentrismo. Talvez esse seja outra peça importante a ser desvinculada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(P.S.: tenho outra pessoa de meu convívio íntimo que tem aspectos muito semelhantes aos de Y em termos de exigências e cobranças. Entretanto essa pessoa é incrivelmente adaptada ao que faz, à sua vida, o que nos faz pensar que talvez o fato patológico de Y não esteja na cobrança, etc, e sim no modo como a vê. Remonta-nos a outra questão, ao lidar com exigências, mostrando que 'o buraco é mais abaixo'...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106290704819179176?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106290704819179176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106290704819179176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_09_07_archive.html#106290704819179176' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106290249719995310</id><published>2003-09-06T23:41:00.000-03:00</published><updated>2003-09-06T23:42:05.606-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Capitalismo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acabei de ler 'A produção social da loucura'. Devo confessar que os primeiros três livros quase me fizeram desistir da leitura, já que pormenorizavam a constituição psíquica humana de diversas formas, e apesar da tentativa de explicar isso sinteticamente ao longo desses 3 volumes, acredito que não seria possível que alguém compreendesse o funcionamento psíquico dessas múltiplas perspectivas apresentadas sem ter um certo 'know-how'. Entretanto o quarto e último livro me surpreendeu muito, e constituiu uma espécie de conclusão e aplicação da psicanálise, entre outras teorias, na sociedade visando a elaboração de hipóteses sobre as construções de diversos estados patológicos da mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vários momentos acabei reconhecendo idéias em comum que já havia formulado, me identificando com diversos pontos de vista do autor. Um dos pontos que defendo é o da falha do comunismo/socialismo como regime político. O capitalismo, dito 'selvagem' em outra época é natural ao ser humano, penso eu. A disputa e a concorrência seriam uma forma de pulsão do indivíduo, a pulsão de poder que Nietzsche e outros autores descrevem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;'What is good? Whatever augments the feeling of power, the will to power, power itself, in man.&lt;br /&gt;What is evil? Whatever springs from weakness.&lt;br /&gt;What is happiness? The feeling that power increases - that resistance is overcome.' (F. Nietsche)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grosso modo, a igualdade política, social, de bens, etc. seria fantástica. Todos em pról do desenvolvimento. Uma construção utópica perfeita, que leva a racionalidade em primeiro lugar. Mas infelizmente nós não somos máquinas 100%* racionais e ainda temos muito de nossas pulsões selvagens dentro de nós. E a competitividade, a sede pelo poder nos tráz, indubitavelmente, um sentimento bom. É por isso que a partir do momento em que há um lugar onde eu, trabalhando mais que o meu semelhante ou algo similar, posso ser superior à ele esbanjando bens pessoais melhores que os dele, a sociedade da estratificação cai por água abaixo. Perde seu &lt;em&gt;glamour &lt;/em&gt;racionalista. É por isso que era necessário um isolamento quase absoluto na antiga URSS do mundo capitalista, para que o último, com todo o seu poder de satisfação pulsional, não seduzisse o primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa questão pode ser desenrolada e esmiuçada em muitos outros assuntos, mas o que o livro me chamou a atenção, e que tem implicação direta com o meu cotidiano, será postado a seguir, sobre Y.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*ou felizmente? Talvez se fôssemos máquinas não houvesse o prazer, ou ele devesse ser 'ministrado'. Referência a 'Brave new World' de Aldous Huxley.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106290249719995310?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106290249719995310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106290249719995310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_08_31_archive.html#106290249719995310' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106288914399244833</id><published>2003-09-06T19:59:00.000-03:00</published><updated>2003-09-06T19:59:04.036-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Hoje vai ser um dia longo, de 36 horas. Às 3 da manhã terei que (teoricamente) acordar para ir para o batalhão, afinal, amanhã é 7 de setembro e eu estarei no apoio médico ao desfile até o começo da tarde...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106288914399244833?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106288914399244833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106288914399244833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_08_31_archive.html#106288914399244833' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106273237406478283</id><published>2003-09-05T00:26:00.000-03:00</published><updated>2003-09-05T00:26:14.163-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Vida psíquica pré-natal???&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Bom, se tem uma matéria que realmente me incomoda na pós-graduação é uma que fala sobre a vida psíquica pré-natal. Não sou preconceituoso e acredito ser até bem cabeça-aberta para aceitar novas idéias e inovações. E foi com essa proposta que eu olhei primeiramente para essa parte do curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que a criatividade sempre esteve à frente das grandes descobertas, e que uma idéia que para a época pudesse parecer besteira, ou totalmente astronômica, muitas vezes acabaram por se tornar grandes avanços nas ciências. Mas eu simplesmente não consigo ser convencido pela professora que acha que um feto (segundo ela, até os espermatozóides...) têm vida psíquica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gota d'água foi hoje quando relatou um caso de uma paciente dela que se sentia de certa forma desamparada. Ela disse então, que ela mesma 'sugeriu' para a paciente uma cena de um bebê dentro de um útero apertado, que lutava para sair e depois se sentia desamparada quando separada da mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faça-me o favor... Essas teorias pré-natais são dotadas de um determinismo absurdo e um psicologismo que incomoda. Todos os bebês estão apertados em um útero, logo o que faria um ter predisposição para uma doença e outro não?!? E o método dela, na minha ótica, foi totalmente inadequado ao 'sugerir' à paciente uma interpretação da cabeça dela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso foi apenas um pequena pedaço da enorme quantidade de teorias infundadas que sou obrigado a ouvir. Penso que são essas pessoas, que segundo ela mesma 'mantém um pé na ciência (qual???) e outro pé na imaginação' que denigrem a imagem do psicólogo no país. Acho que as vezes esse pé na imaginação acaba querendo voar alto demais...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106273237406478283?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106273237406478283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106273237406478283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_08_31_archive.html#106273237406478283' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5567021.post-106264964611915169</id><published>2003-09-04T01:27:00.000-03:00</published><updated>2003-09-04T01:33:51.013-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Aliás, o &lt;a href="http://www.rateyourmusic.com/" target=main&gt;sistema de comentários&lt;/a&gt; está offline por alguns dias...&lt;br /&gt;Bom, enquanto isso quem quiser mandar &lt;a href=mailto:gargows@hotmail.com&gt;mail&lt;/a&gt;...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5567021-106264964611915169?l=ensaiosmeus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106264964611915169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5567021/posts/default/106264964611915169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ensaiosmeus.blogspot.com/2003_08_31_archive.html#106264964611915169' title=''/><author><name>Garga</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
